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Guia encontrado vivo após seis dias desaparecido expõe os perigos extremos enfrentados por quem desafia o Monte Everest

O resgate do guia nepalês Dawa Sherpa, encontrado com vida seis dias após desaparecer durante a descida do Monte Everest, reacendeu a atenção para os riscos que enfrenta quem tenta chegar ao topo do mundo. Saiba quais são eles!

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O resgate do guia nepalês Dawa Sherpa, encontrado com vida seis dias após desaparecer durante a descida do Monte Everest, reacendeu a atenção para os riscos que enfrenta quem tenta chegar ao topo do mundo. O montanhista havia sido visto pela última vez durante a descida da montanha, acima do Acampamento 3, a cerca de 7.500 metros de altitude, depois de alcançar o cume. Com o passar dos dias, as chances de sobrevivência eram remotas devido às condições extremas da região, com frio intenso e pela baixa concentração de oxigênio. No entanto, no dia 4 de maio, integrantes de uma equipe responsável pela limpeza da montanha localizaram o alpinista enquanto ele se arrastava lentamente em direção ao Acampamento Base. Apesar de apresentar sinais de congelamento nas mãos, Sherpa aparentava estar em condições físicas relativamente estáveis.

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Assim, o episódio, que envolveu buscas em condições extremas e grande mobilização de guias locais, expõe um cenário em que pequenas falhas de planejamento ou mudanças bruscas no tempo podem ter consequências fatais. Apesar de ser um destino cobiçado, o Everest segue sendo uma montanha onde cada passo deve ser calculado sob alto grau de incerteza. Desde as primeiras expedições, na década de 1920, o Everest construiu a reputação de desafio máximo do alpinismo. Hoje há mais tecnologia, previsões meteorológicas mais precisas e rotas relativamente padronizadas, mas a natureza do risco permanece. A altitude extrema, o frio, os ventos violentos e o terreno instável formam uma combinação que exige preparo físico, aclimatação cuidadosa e suporte especializado de guias experientes, como os sherpas nepaleses.

O resgate do guia nepalês Dawa Sherpa, encontrado com vida seis dias após desaparecer durante a descida do Monte Everest, reacendeu a atenção para os riscos que enfrenta quem tenta chegar ao topo do mundo – depositphotos.com / bbbbar

Quais são os principais perigos do Everest?

Os perigos na montanha mais alta do planeta começam muito antes do cume, a 8.848,86 metros. Afinal, um dos fatores mais críticos é a altitude extrema, que reduz a pressão atmosférica. Com isso, há menor quantidade de oxigênio disponível. Mesmo em campos intermediários, muitos alpinistas apresentam sintomas de mal agudo de montanha, como dor de cabeça, náusea e insônia, que podem evoluir para edemas cerebral ou pulmonar. Ou seja, quadros potencialmente fatais se não houver descida rápida.

A falta de oxigênio é um dos pontos centrais. No cume do Everest, a quantidade de oxigênio no ar é cerca de um terço da disponível ao nível do mar. Por isso, sem aclimatação adequada e, na maioria dos casos, sem o uso de cilindros de oxigênio suplementar, o corpo perde rapidamente a capacidade de raciocinar com clareza, o tempo de reação diminui e aumenta a chance de erros em momentos decisivos. Entre elas, travessia de cordas, escalada em gelo ou decisão de recuar.

Everest e a zona da morte: o que acontece acima de 8 mil metros?

Acima de aproximadamente 8.000 metros fica a chamada zona da morte, área onde o organismo humano não consegue se adaptar por longos períodos. Nessa faixa de altitude, a pressão de oxigênio é tão baixa que o corpo entra em deterioração acelerada: músculos perdem força, o sistema digestivo funciona mal, a circulação fica comprometida e o risco de edema cerebral e pulmonar aumenta de forma significativa.

Alpinistas experientes costumam reduzir ao mínimo o tempo na zona da morte, planejando um ataque ao cume que envolva poucas horas acima desse limite. No entanto, congestionamentos em cordas fixas, mudanças no vento e falhas de equipamentos podem prolongar a permanência nessa região. Quando isso ocorre, são comuns relatos de desorientação, alucinações, colapso físico e incapacidade de ajudar a si mesmo ou companheiros.

  • Redução da consciência: decisões críticas ficam prejudicadas.
  • Risco cardíaco e respiratório elevado: coração e pulmões trabalham no limite.
  • Hipotermia acelerada: o corpo perde calor com mais facilidade.
  • Menor margem para erro: qualquer atraso pode significar falta de oxigênio ou noite no alto.

Frio extremo, ventos e tempestades: como o clima aumenta os riscos?

As baixíssimas temperaturas no Everest podem cair abaixo de -30°C, especialmente durante a madrugada e em altitudes superiores. Nessas condições, o risco de hipotermia e frostbite (congelamento de extremidades) é constante. Luvas, botas e roupas especiais ajudam a reduzir o impacto, mas não eliminam o perigo, particularmente em paradas longas ou quando há necessidade de esperar em filas de escalada.

Os ventos intensos, que podem ultrapassar 100 km/h, representam outro desafio. Rajadas fortes desequilibram o alpinista, dificultam o uso de cordas e comprometem a visibilidade. Em tempestades de neve, a sensação térmica despenca e a orientação no terreno fica prejudicada, ampliando a chance de quedas. Mesmo em dias considerados bons, mudanças repentinas de direção e velocidade do vento podem transformar uma progressão segura em uma situação de risco em poucos minutos.

  1. Temperaturas extremamente baixas potencializam a hipotermia.
  2. Ventos fortes desestabilizam e desgastam fisicamente o alpinista.
  3. Tempestades de neve reduzem visibilidade e apagamento de trilhas.
  4. Equipamentos congelados podem falhar em momentos críticos.

Quedas, fendas e avalanches: o perigo escondido no gelo

Além da altitude e do clima, o terreno do Everest impõe riscos próprios. Um dos trechos mais conhecidos é a Cascata de Gelo do Khumbu, próxima ao Campo Base. Ali, blocos de gelo do tamanho de edifícios se movem lentamente, abrindo fendas profundas e instáveis. Alpinistas cruzam o local de madrugada, quando as temperaturas mais baixas deixam o gelo relativamente mais firme, usando escadas metálicas e cordas fixas para evitar quedas em abismos.

As avalanches são outro fator recorrente de acidentes. Desprendimentos de neve e gelo podem ser desencadeados por mudanças de temperatura, novas precipitações ou até pelo próprio peso de cordadas em determinadas áreas. Em 2014 e 2015, deslizamentos de gelo e avalanches atingiram rotas utilizadas por expedições, resultando em dezenas de mortes, principalmente entre guias sherpas que trabalhavam na preparação de caminhos e fixação de cordas.

As baixíssimas temperaturas no Everest podem cair abaixo de -30°C, especialmente durante a madrugada e em altitudes superiores – depositphotos.com / rmnunes

Histórico de acidentes, número de mortes e desafios de resgate

Desde o primeiro registro de escalada bem-sucedida, em 1953, o Everest acumula centenas de mortes. Diversas bases de dados independentes apontam que, até meados de 2025, mais de 300 pessoas perderam a vida na montanha, muitas delas ainda hoje permanecendo onde caíram, devido à dificuldade de remoção. Entre os episódios mais marcantes estão desaparecimentos de alpinistas em tempestades, quedas em fendas e casos de exaustão na zona da morte.

Os resgates em grandes altitudes representam um capítulo à parte. A partir de cerca de 6.000 metros, helicópteros enfrentam limitações técnicas severas por causa do ar rarefeito, que diminui a sustentação das aeronaves. Acima de 7.000 ou 8.000 metros, missões aéreas são raras e extremamente arriscadas. Na prática, muitos salvamentos dependem de outros alpinistas e guias, que precisam dividir oxigênio, auxiliar deslocamentos e, em alguns casos, improvisar macas em encostas íngremes.

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  • Ar rarefeito limita o alcance seguro de helicópteros.
  • Equipes de resgate também se expõem a altitude extrema e frio intenso.
  • A retirada de corpos exige grande esforço e alto custo, muitas vezes inviáveis.
  • Condições climáticas mudam rapidamente, encurtando janelas de operação.

O caso recente de Dawa Sherpa ilustra tanto a vulnerabilidade humana em grandes altitudes quanto a experiência acumulada por comunidades locais que convivem diariamente com os riscos do Everest. Apesar de avanços em equipamentos, comunicação via satélite e monitoramento do clima, a montanha continua impondo limites claros. Para quem decide enfrentar esse desafio, os perigos da altitude extrema, do frio, dos ventos, das avalanches e das quedas em fendas seguem sendo parte inevitável do cenário.

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