Aviação

Morte de passageira em Congonhas levanta alerta sobre segurança no desembarque de aviões e atendimento a idosos

O acidente fatal envolvendo a passageira idosa no desembarque de um voo em Congonhas reacendeu a discussão sobre a segurança em solo nos aeroportos brasileiros. Saiba detalhes!

Publicidade
Carregando...

O acidente fatal envolvendo a passageira idosa no desembarque de um voo em Congonhas reacendeu a discussão sobre a segurança em solo nos aeroportos brasileiros. Em especial, o episódio destaca a vulnerabilidade de passageiros com idade avançada ou mobilidade reduzida durante o uso de escadas de acesso à aeronave e no trajeto entre o avião e o terminal. Assim, a análise desse tipo de ocorrência passa por equipamentos, procedimentos operacionais e pela forma como as equipes de solo atuam em cada etapa do desembarque.

Maria da Glória Pereira da Silva Fávaro, de 72 anos, morreu após cair da escada de desembarque de um avião da Latam no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. O acidente ocorreu no dia 29 de maio, dentro do terminal aéreo. Ainda no mesmo dia, o caso passou a ser investigado depois que a filha da vítima procurou a delegacia e relatou que a mãe havia sofrido a queda ao desembarcar do voo LA3785, que partiu de Ribeirão Preto, no interior paulista, com destino à capital. Glória foi encaminhada para um hospital particular na zona Sul de São Paulo, mas não resistiu e acabou morrendo dois dias depois do acidente. Em nota oficial, a companhia aérea lamentou a morte da mulher e enfatizou ter seguido todos os protocolos previstos para esse tipo de ocorrência.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Nos principais aeroportos do país, o desembarque pode ser feito por meio de pontes de embarque, as chamadas fingers, ou por escadas móveis posicionadas na porta da aeronave. Cada uma dessas soluções tem características próprias de segurança e exige protocolos específicos por parte de companhias aéreas e operadores aeroportuários. Em ambos os casos, a legislação do setor estabelece que passageiros com necessidades especiais devem receber atenção diferenciada. Assim, isso inclui apoio físico, orientação contínua e, quando necessário, equipamentos auxiliares para locomoção.

Maria da Glória Pereira da Silva Fávaro, de 72 anos, morreu após cair da escada de desembarque de um avião da Latam no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo – Reprodução/Redes Sociais

Como funcionam as escadas de acesso e as pontes de embarque hoje?

As escadas de acesso a aeronaves são estruturas metálicas móveis, com degraus antiderrapantes, corrimãos laterais e sistemas de freio para evitar movimentação durante o uso. Elas são acopladas à porta do avião por equipes de solo treinadas, que verificam o travamento, o alinhamento da base com o piso da aeronave e a estabilidade no solo. Em condições ideais, toda a superfície de degraus deve estar seca, bem iluminada e com demarcações visuais destacando o início e o fim da escada.

Já as pontes de embarque são estruturas fixas ou móveis, conectadas diretamente ao terminal. Elas oferecem piso nivelado, proteção lateral e cobertura, reduzindo a exposição do passageiro a intempéries e a desníveis. Assim, o operador posiciona a ponte de forma precisa na porta do avião, e sensores indicam quando o encaixe está adequado. Esse tipo de solução tende a minimizar riscos de queda, mas ainda assim exige vigilância quanto a desníveis, tapetes soltos, bagagens no caminho e fluxo intenso de pessoas, principalmente em horários de pico.

Para passageiros idosos ou com mobilidade reduzida, a escolha entre escada e ponte pode ter impacto direto na segurança do desembarque. Em aeroportos sem número suficiente de pontes de embarque, ou em operações remotas no pátio, as escadas costumam ser a alternativa disponível. Porém, isso aumenta a importância de protocolos rígidos de assistência individualizada e supervisão aproximada desde a abertura das portas até a chegada ao saguão.

Quais protocolos de assistência são previstos para passageiros vulneráveis?

Companhias aéreas e operadores aeroportuários adotam procedimentos padronizados para o atendimento a passageiros com necessidades de assistência especial, como idosos, pessoas com deficiência ou com limitações temporárias de mobilidade. Em geral, o atendimento começa no momento da reserva ou do check-in, quando o passageiro informa sua condição e demanda apoio específico. Essa informação é registrada no sistema e repassada ao time de solo e à tripulação.

Durante o desembarque, alguns protocolos básicos incluem: acompanhamento por um agente dedicado, oferta de cadeira de rodas ou de equipamentos de transporte em rampa, orientação verbal clara sobre degraus e desníveis e, quando necessário, apoio físico para subir ou descer escadas. Em muitos aeroportos, empresas terceirizadas com especialização nesse tipo de atendimento atuam em conjunto com as companhias aéreas e são responsáveis por receber o passageiro na porta da aeronave e conduzi-lo com segurança até a área pública do terminal.

Outro ponto relevante é a comunicação entre cabine e solo. Assim, a tripulação, ao identificar um passageiro mais vulnerável, aciona antecipadamente a equipe de apoio no pátio, que já se posiciona antes do início do desembarque. Portanto, esse alinhamento reduz o tempo em que o passageiro permanece sozinho em áreas de transição, como o topo da escada ou o patamar de conexão com a ponte de embarque, pontos onde desequilíbrios e tropeços podem ocorrer com maior frequência.

Como a equipe de solo pode tornar o desembarque mais seguro?

A atuação das equipes de solo é decisiva para reduzir o risco de quedas em procedimentos de desembarque. Afinal, esses profissionais são responsáveis por posicionar escadas e equipamentos, checar a estabilidade da estrutura, sinalizar áreas de risco e orientar o fluxo de passageiros. Quando o público inclui um número maior de pessoas idosas, crianças pequenas ou passageiros com mobilidade reduzida, a necessidade de supervisão visual constante se torna ainda mais evidente.

Algumas medidas operacionais adotadas em diversos aeroportos incluem a presença de agentes em pontos estratégicos da escada, reforçando o uso dos corrimãos e controlando o ritmo de descida; a limitação do número de pessoas simultaneamente na escada; e a suspensão momentânea do fluxo caso algum passageiro demonstre dificuldade. Em situações de chuva ou piso molhado, é comum o uso de produtos antiderrapantes, tapetes especiais e, em alguns casos, a priorização do uso de pontes de embarque para passageiros em condição de maior fragilidade.

Além disso, a equipe de solo pode ser orientada a monitorar sinais de fadiga, tontura ou insegurança durante a descida. Em casos em que o passageiro apresenta dificuldade visível, o procedimento pode prever o acionamento de cadeira de rodas, de elevadores específicos ou de veículos adaptados que façam o transporte direto até o terminal, evitando a exposição prolongada a degraus e desníveis.

Quais melhorias podem reduzir acidentes em desembarques de aeronaves?

Especialistas em segurança operacional apontam diferentes frentes de melhoria para ampliar a proteção de passageiros, em especial idosos e pessoas com mobilidade reduzida, durante o desembarque. Uma delas é o reforço da sinalização visual e sonora em áreas de transição entre aeronave e pátio: degraus com cores contrastantes, avisos luminosos indicando o início e o fim da escada, além de mensagens sonoras alertando sobre o uso obrigatório de corrimãos e o cuidado com desníveis.

Outra frente é a maior presença de agentes de apoio que se dedicam a passageiros vulneráveis. Assim, essa medida inclui dimensionar melhor o número de funcionários por voo, especialmente em operações com perfil de público mais idoso, e criar rotinas para que esses agentes permaneçam junto ao passageiro desde a abertura da porta até a entrega na área interna do terminal. O uso de equipamentos auxiliares, como ambulifts (veículos elevatórios), plataformas móveis e cadeiras de rodas motorizadas, contribui para reduzir o uso de escadas por quem tem equilíbrio ou força física reduzidos.

  • Intensificar o treinamento específico de equipes de solo para atendimento a idosos e pessoas com deficiência;
  • Revisar normas internas de segurança em solo, priorizando o uso de pontes de embarque para passageiros vulneráveis sempre que possível;
  • Estabelecer procedimentos de desembarque em grupos, com prioridade e maior supervisão para quem necessita de assistência;
  • Melhorar a iluminação de pátios e escadas, sobretudo em operações noturnas ou em dias de baixa visibilidade;
  • Implementar auditorias frequentes de segurança em solo, com foco em riscos de queda em acessos à aeronave.

Alguns operadores também discutem a padronização de checklists específicos para voos com grande número de passageiros idosos, incluindo verificações adicionais de fixação da escada, avaliação do estado dos corrimãos, remoção de qualquer obstáculo no trajeto e presença obrigatória de, pelo menos, um agente exclusivamente dedicado a esse público durante todo o processo.

Nos principais aeroportos do país, o desembarque pode ser feito por meio de pontes de embarque, as chamadas fingers, ou por escadas móveis posicionadas na porta da aeronave – depositphotos.com / aapsky

Medidas práticas que podem ser adotadas passo a passo

Na prática, a adoção de rotinas claras ajuda a transformar normas em ações diárias. Um possível fluxo operacional para reforçar a segurança no desembarque de passageiros idosos ou com mobilidade reduzida pode seguir etapas objetivas, combinando ações da companhia aérea, da tripulação e do operador aeroportuário.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

  1. Identificação antecipada de passageiros que precisam de assistência, ainda no check-in ou no embarque;
  2. Comunicação da lista de passageiros vulneráveis à equipe de solo, antes do pouso;
  3. Posicionamento prévio de agentes, cadeiras de rodas e, quando disponível, ambulift ou plataforma elevatória;
  4. Desembarque prioritário e acompanhado, com controle do fluxo na escada ou na ponte;
  5. Acompanhamento contínuo até o interior do terminal, sem deixar o passageiro desacompanhado em áreas de transição.

A combinação de equipamentos adequados, protocolos bem definidos e equipes de solo treinadas amplia as condições de segurança em solo e reduz a chance de quedas durante o desembarque. Em cenários com população cada vez mais envelhecida e maior circulação de pessoas com diferentes níveis de mobilidade, a tendência é que aeroportos e companhias aéreas reforcem a atenção a esse tipo de risco, revisando rotinas, infraestrutura e treinamentos de forma permanente.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay