Ciência

Como será a base lunar que a NASA quer construir para missões contínuas

A construção de uma base lunar permanente deixou de ser apenas um conceito distante e passou a integrar de forma concreta os planos de exploração espacial dos próximos anos. Veja os planos da NASA para isso.

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A construção de uma base lunar permanente deixou de ser apenas um conceito distante e passou a integrar de forma concreta os planos de exploração espacial dos próximos anos. Em especial, a ideia de uma base humana na Lua começou a ser tratada como etapa estratégica para projetos mais amplos. Entre eles, viagens a Marte e operações científicas de longa duração fora da Terra. Assim, o foco atual recai sobre o polo sul lunar, região que combina condições favoráveis de iluminação com a possibilidade de acesso a gelo de água.

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Nesse cenário, a NASA, agência espacial dos Estados Unidos, detalha um roteiro de missões, tecnologias e estruturas necessárias para transformar a Lua em um ponto fixo de presença humana até 2032. Assim, o projeto envolve habitats pressurizados, sistemas avançados de energia, veículos de exploração, rotas logísticas e plataformas científicas distribuídas pela superfície. Ou seja, a proposta é que a estadia no satélite deixe de ser esporádica e passe a ocorrer de forma contínua, com equipes alternando períodos de trabalho e pesquisa. A empresa espacial Blue Origin, do fundador da Amazon Jeff Bezos, desponta como uma das companhias eleitas para produzir as máquinas.

A NASA, agência espacial dos Estados Unidos, detalha um roteiro de missões, tecnologias e estruturas necessárias para transformar a Lua em um ponto fixo de presença humana – depositphotos.com / Quasarphotos

O que torna uma base humana na Lua uma prioridade?

A criação de uma base lunar permanente é um passo intermediário entre missões em órbita da Terra e futuras viagens interplanetárias. Afinal, uma longa permanência no ambiente lunar permite testar sistemas de suporte à vida, estratégias de manutenção de equipamentos e métodos de proteção contra radiação em condições reais. No entanto, ainda relativamente próximas do planeta. Dessa forma, reduz riscos e custos em missões mais distantes.

Além disso, a Lua oferece vantagens logísticas. Afinal, a gravidade é menor que a da Terra, o que facilita o lançamento de sondas e naves rumo ao espaço profundo. Afinal, infraestruturas instaladas ali podem funcionar como pontos de partida para missões a Marte, asteroides ou outras regiões do Sistema Solar. Ademais, outro elemento central é o potencial uso de recursos lunares, como gelo de água e minerais, para produção local de combustível, oxigênio e materiais de construção. Assim, diminuindo a dependência de cargas vindas da Terra.

Base humana na Lua: como será a estrutura no polo sul?

Os planos atuais indicam que a base humana na Lua deverá se concentrar em áreas próximas ao polo sul, onde há regiões com longos períodos de iluminação solar e crateras permanentemente sombreadas com indícios de gelo. Ademais, a presença de luz por mais tempo favorece a geração de energia, enquanto o gelo pode ser convertido em água potável, oxigênio respirável e hidrogênio para combustível.

A infraestrutura imaginada para o polo sul lunar tende a incluir diferentes tipos de instalações:

  • Habitat pressurizado, com ambientes para trabalho, descanso, alimentação e experimentos científicos;
  • Centros de controle para monitorar veículos, robôs e sistemas de energia;
  • Plataformas de energia, principalmente painéis solares de grande porte e, em alguns cenários, pequenos reatores nucleares;
  • Áreas de estocagem de suprimentos, combustível e equipamentos;
  • Módulos laboratoriais para pesquisa de geologia, biologia espacial e tecnologias de uso de recursos locais.

A disposição dos módulos deve considerar a topografia acidentada, a incidência solar e a segurança contra impactos de micrometeoritos. Estradas compactadas, rotas sinalizadas e pontos de abastecimento formarão uma espécie de bairro lunar, conectando habitats, zonas de mineração e áreas científicas.

Quais são as fases para instalar uma base lunar permanente?

Para transformar o conceito de base humana na Lua em realidade, o plano tem organização por etapas sucessivas, que combinam missões robóticas e voos tripulados. Em linhas gerais, a estratégia segue um encadeamento progressivo:

  1. Fase de reconhecimento e testes robóticos
    Nessa etapa, pousos não tripulados, rovers autônomos e sondas orbitais mapeiam o terreno, avaliam a presença de gelo e testam comunicações, pousos de precisão e resistência de materiais à poeira e às variações extremas de temperatura.
  2. Fase de instalação inicial de infraestrutura
    Em seguida, começam a chegar os primeiros módulos habitacionais, depósitos infláveis, painéis solares de maior capacidade e antenas de comunicação de longo alcance. Parte dessa infraestrutura pode ser montada por robôs antes da chegada de tripulações, reduzindo o tempo de exposição humana a riscos.
  3. Fase de operação contínua da base lunar
    Com os sistemas principais em funcionamento, passa a existir uma presença humana contínua na Lua. Rotinas de manutenção, pesquisa e exploração são distribuídas entre diferentes equipes, que se revezam em períodos planejados. A partir desse ponto, a base começa a receber cargas pesadas para expansão e para preparação de missões rumo a Marte.
Para transformar o conceito de base humana na Lua em realidade, o plano tem organização por etapas sucessivas, que combinam missões robóticas e voos tripulados – depositphotos.com / Iurii

Como a energia e a locomoção serão garantidas na base humana na Lua?

Garantir energia estável e mobilidade eficiente é um fator essencial para a viabilidade de uma base lunar. Para geração de energia, a combinação em debate envolve grandes fazendas solares instaladas em regiões com alta taxa de iluminação e sistemas de armazenamento para enfrentar as longas noites lunares, que podem durar cerca de duas semanas terrestres. Em paralelo, avalia-se o uso de reatores nucleares compactos de fissão, capazes de fornecer eletricidade constante independentemente da luz solar.

Quanto à locomoção, a estratégia passa por diferentes tipos de veículos:

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  • Rovers pressurizados tripulados, que funcionam como pequenos laboratórios móveis, permitindo que astronautas se desloquem por dezenas de quilômetros sem sair de um ambiente protegido;
  • Veículos autônomos de carga, programados para transportar equipamentos, amostras e suprimentos entre habitats, depósitos e áreas de mineração;
  • Drones e robôs de inspeção, adaptados ao vácuo e à baixa gravidade, para monitorar estruturas, cabos, painéis e eventuais danos na superfície.

Com o amadurecimento dessas soluções, a base humana na Lua tende a se tornar um ambiente de trabalho contínuo, dedicado tanto a pesquisas científicas quanto ao desenvolvimento de tecnologias para exploração do espaço profundo. A Lua passa, assim, a ocupar um papel de plataforma operacional, na qual cada missão contribui para aprimorar a permanência humana fora da Terra ao longo das próximas décadas.

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