Faustão foi internado para retirada de sonda gástrica; saiba como funciona o dispositivo usado em tratamentos médicos
O apresentador Fausto Silva, de 76 anos, foi internado no dia 25 de maio no Hospital Israelita Albert Einstein para realizar um procedimento ambulatorial previamente agendado por sua equipe médica. De acordo com a assessoria do comunicador, a internação ocorreu para a retirada de uma sonda gástrica. Saiba o que é esse dispositivo.
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O apresentador Fausto Silva, de 76 anos, foi internado no dia 25 de maio no Hospital Israelita Albert Einstein para realizar um procedimento ambulatorial previamente agendado por sua equipe médica. De acordo com a assessoria do comunicador, a internação ocorreu para a retirada de uma sonda gástrica. Longe da televisão desde 2023 para se dedicar ao tratamento de saúde, o comunicador passou naquele ano por um transplante de coração após enfrentar um quadro de insuficiência cardíaca. Meses depois, em fevereiro de 2024, o Faustão também fez um transplante renal. Já em 2025, enfrentou uma nova fase delicada ao desenvolver uma infecção bacteriana grave associada à sepse, permanecendo internado por cerca de quatro meses. Durante esse período, precisou realizar um transplante de fígado e ainda passar por um retransplante de rim.
A sonda gástrica faz parte da rotina de muitos hospitais e serviços de saúde no Brasil. No entanto, ainda desperta dúvidas e apreensão em boa parte da população. Trata-se de um dispositivo utilizado para alimentação, retirada de conteúdo do estômago ou administração de medicamentos quando a ingestão pela boca está comprometida. Apesar de parecer um recurso complexo, o uso da sonda segue protocolos bem definidos e é acompanhado por equipes multiprofissionais. Ademais, tem foco na segurança e na manutenção da qualidade de vida do paciente.
Na prática, a sonda gástrica é um tubo flexível que chega até o estômago, geralmente passando pelo nariz ou diretamente pela parede abdominal, dependendo do tipo de acesso escolhido. A indicação costuma ocorrer em situações específicas, como dificuldades para engolir, doenças neurológicas, cirurgias do aparelho digestivo, estados de coma ou tratamento intensivo em UTI. Especialistas ressaltam que o objetivo não é prolongar sofrimento, mas garantir nutrição adequada, hidratação e administração de remédios em momentos em que o organismo precisa de suporte extra.
O que é sonda gástrica e em quais situações ela é indicada?
A sonda gástrica é um dispositivo médico destinado a conectar o meio externo diretamente ao estômago. Seu uso é comum em pacientes que não conseguem se alimentar pela via oral com segurança, seja por risco de engasgo, por alteração de consciência ou por doenças que prejudicam a deglutição. Em muitos casos, a indicação é temporária, acompanhando um período de recuperação após acidente vascular cerebral (AVC), traumatismo craniano, cirurgias de cabeça e pescoço ou internações prolongadas.
Há também situações em que a sonda destina-se a fins não nutricionais. Em emergências, pode servir para aspirar conteúdo gástrico em casos de intoxicação por determinadas substâncias, reduzir a distensão do estômago ou auxiliar no preparo pré-operatório. Em pacientes com doenças crônicas, como alguns tipos de demência avançada ou doenças neurodegenerativas, a sonda pode fazer parte de um plano de cuidado de longo prazo, sempre após avaliação detalhada da equipe de saúde e discussão com familiares ou responsáveis legais.
Quais são os tipos de sonda gástrica e como cada uma funciona?
A expressão sonda gástrica abrange diferentes modelos de tubo, escolhidos conforme o tempo de uso e a necessidade de cada pessoa. Entre as opções principais estão as sondas nasogástricas e nasoentéricas, que entram pelo nariz e seguem até o estômago ou até o intestino delgado. São geralmente indicadas para suporte nutricional de curto prazo, como em internações hospitalares de algumas semanas.
Para períodos maiores, ganha espaço a gastrostomia, popularmente chamada de GTT ou botton. Nesse caso, a sonda é colocada por meio de um pequeno orifício na pele do abdômen, alcançando diretamente o estômago. Esse procedimento costuma ser realizado em centro cirúrgico ou por endoscopia, com anestesia e monitorização. Há ainda dispositivos específicos para jejunostomia, quando o tubo é posicionado no intestino delgado, estratégia usada em quadros em que o estômago não pode receber alimentação.
Cada tipo de sonda tem características próprias quanto ao diâmetro, material, tempo de permanência e forma de fixação. A escolha leva em conta fatores como idade, estado nutricional, diagnóstico, previsão de recuperação e possibilidade de o paciente voltar a se alimentar pela boca. Em crianças, por exemplo, a avaliação é ainda mais cuidadosa, considerando crescimento, desenvolvimento e impacto emocional.
Como se faz a colocação e a retirada da sonda gástrica?
O procedimento de inserção da sonda gástrica segue etapas padronizadas. No caso da sonda nasogástrica, o profissional mede previamente o comprimento aproximado necessário para que a ponta chegue ao estômago, lubrifica o tubo e o introduz delicadamente pela narina. O paciente é orientado a engolir, quando possível, para facilitar o trajeto até a faringe e o esôfago. Após a passagem, são realizados métodos de checagem, como ausculta, aspiração de conteúdo gástrico e, em muitos serviços, radiografia para confirmar a posição correta.
Na gastrostomia, o acesso é feito de forma cirúrgica ou endoscópica. Um pequeno corte é realizado na pele e na parede do estômago, permitindo a colocação da sonda e de um dispositivo de fixação interno e externo. A retirada também é um ato médico, programado conforme a evolução clínica. No caso das sondas nasais, a remoção geralmente é rápida e pouco dolorosa. Na gastrostomia, o processo depende do tipo de dispositivo, podendo envolver endoscopia para retirar o componente interno.
Quais pacientes podem precisar de sonda gástrica?
A necessidade de nutrição enteral por sonda atinge perfis variados. Entre os grupos mais frequentes estão pessoas com sequelas neurológicas que comprometem a deglutição, como após AVC, traumatismo cranioencefálico ou doenças como esclerose lateral amiotrófica e doença de Parkinson em estágios avançados. Pacientes oncológicos com tumores de cabeça, pescoço ou esôfago também podem necessitar do recurso durante o tratamento.
Em idosos muito fragilizados, com perda de peso acentuada e dificuldade para comer, a sonda pode ser uma estratégia para evitar desnutrição grave, sempre após avaliação ampla dos riscos e benefícios. Em pediatria, prematuros, crianças com paralisia cerebral ou com malformações do trato digestivo são exemplos de pacientes que podem receber alimentação por tubo. Em todos os cenários, a indicação passa por discussão multiprofissional, considerando prognóstico, capacidade de recuperação e objetivos do cuidado.
Quais são os principais cuidados durante o uso da sonda?
O manejo adequado da sonda gástrica é essencial para reduzir riscos e garantir uma boa resposta ao tratamento. Alguns cuidados fazem parte da rotina diária de pacientes e cuidadores, sob orientação da equipe de saúde. Entre os principais pontos de atenção estão:
- Higiene da pele ao redor da sonda, especialmente na gastrostomia, para evitar irritações e infecções.
- Posicionamento do paciente elevado durante e após as dietas, reduzindo o risco de refluxo e aspiração pulmonar.
- Lavagem da sonda com água filtrada ou fervida entre as administrações de dieta e medicamentos, para prevenir entupimentos.
- Observação de sinais locais, como vermelhidão, dor, saída de secreção, sangramento ou mau cheiro ao redor do ponto de inserção.
- Controle do volume e velocidade da dieta, seguindo a prescrição do nutricionista e do médico.
Em casa, é comum que familiares recebam treinamento para manipular a dieta industrializada ou artesanal, administrar remédios triturados ou líquidos, e reconhecer sinais de alerta. A comunicação constante com o serviço de referência ajuda a ajustar o plano alimentar, a hidratação e a rotina de atividades, de acordo com a resposta do organismo.
Quais são os riscos e complicações mais comuns?
Como qualquer intervenção médica, a sonda gástrica pode estar associada a complicações. Entre as mais relatadas estão irritação nasal, feridas na mucosa, sinusites e desconforto na garganta no caso das sondas nasais. Na gastrostomia, podem ocorrer infecções no trajeto do tubo, extravasamento de conteúdo gástrico para a pele, dor local e, em situações mais raras, deslocamento ou perda do dispositivo.
No campo respiratório, um dos receios é a aspiração de dieta para os pulmões, o que pode levar a quadros de pneumonia aspirativa. Por isso, a checagem do posicionamento da sonda, o cuidado com a postura do paciente e a velocidade da administração da alimentação são etapas constantemente reforçadas. Entupimentos do tubo também são possíveis, exigindo, às vezes, troca da sonda ou intervenções específicas.
Sonda gástrica interfere na alimentação, recuperação e qualidade de vida?
O impacto da sonda gástrica na rotina depende do estado clínico de cada pessoa e do tempo de uso previsto. Em cenário hospitalar, muitas vezes o dispositivo é visto como um apoio temporário, até que o paciente recupere a capacidade de se alimentar pela boca com segurança. Nesses casos, a equipe de fonoaudiologia costuma trabalhar em paralelo, testando consistências de alimento, avaliando a deglutição e planejando o desmame da sonda quando viável.
Em pacientes que utilizam gastrostomia por períodos mais longos, a alimentação por sonda pode ser ajustada aos horários da família, permitindo que a pessoa participe das refeições, mesmo que não coma pela via oral. Alguns pacientes mantêm ingestão parcial pela boca, limitada a pequenas quantidades de líquidos ou alimentos pastosos, sob autorização profissional. Em outros, toda a nutrição é feita pelo tubo, o que não impede a realização de atividades de lazer e convivência, desde que sejam respeitadas as orientações sobre manuseio do equipamento.
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A qualidade de vida está relacionada, sobretudo, ao controle de sintomas como dor, náuseas, refluxo, sensação de empachamento e infecções, além do suporte emocional ao paciente e à família. Com acompanhamento regular, ajustes na dieta e atenção às dúvidas cotidianas, muitas pessoas conseguem adaptar-se ao uso da sonda gástrica, seja de forma transitória ou permanente, mantendo vínculos sociais, rotina doméstica e planos terapêuticos alinhados às metas traçadas com a equipe de saúde.