Geral

Homem guarda frascos de insulina por mais de 50 anos e transforma convivência com diabetes em obra de arte

Diagnosticado com diabetes tipo 1 ainda na adolescência, um americano encontrou uma forma incomum de transformar décadas de convivência com a doença em expressão artística. Conheça essa história e saiba o que é a diabetes tipo 1.

Publicidade
Carregando...

Diagnosticado com diabetes tipo 1 ainda na adolescência, um americano encontrou uma forma incomum de transformar décadas de convivência com a doença em expressão artística. Após mais de 50 anos de tratamento contínuo, Ron decidiu utilizar os frascos de insulina acumulados ao longo da vida para criar uma instalação que retrata os desafios diários enfrentados por quem depende da medicação para sobreviver. O projeto, batizado de No Days Off (Sem dias de descanso, em tradução livre), reúne mais de 1.150 frascos vazios e foi apresentado em Michigan, nos Estados Unidos, durante a exposição Rons ArtPrize Project.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Ron recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1 em 1974, aos 16 anos, e tomou uma decisão pouco comum: guardar todos os frascos de insulina utilizados. Assim, em vídeos e imagens divulgados nas redes sociais, ele relata que nunca descartou nenhum deles. A instalação, desenvolvida com a ajuda da esposa e da irmã, vai além do impacto visual. Para o artista, cada frasco representa monitoramentos de glicose, ajustes de doses, refeições planejadas e noites em alerta. Controlar o diabetes é implacável. Não existem dias de descanso, afirma. Em outro trecho, resume o sentido da obra: Separadamente, eles eram apenas lixo. Juntos, representam 52 anos de sobrevivência. A filha de Ron é responsável por divulgar o projeto, reunindo relatos da trajetória familiar com a doença.

Após mais de 50 anos de tratamento contínuo, Ron decidiu utilizar os frascos de insulina acumulados ao longo da vida para criar uma instalação que retrata os desafios diários enfrentados por quem depende da medicação para sobreviver – Reprodução/Instagram

O que é diabetes tipo 1 e por que não há dias de descanso?

O caso de Ron ilustra de forma concreta como o diabetes tipo 1 acompanha a rotina de forma permanente. A condição é uma doença autoimune em que o próprio sistema de defesa do organismo ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Assim, sem esse hormônio, o corpo não consegue utilizar a glicose de maneira adequada, o que provoca aumento do açúcar no sangue e exige tratamento contínuo.

Diferentemente do diabetes tipo 2, que em muitos casos está relacionado a excesso de peso e sedentarismo, o diabetes tipo 1 costuma surgir na infância, adolescência ou início da vida adulta e não está ligado a hábitos de vida anteriores ao diagnóstico. Dessa forma, as pessoas afetadas dependem de insulina desde o início e, até hoje, não há cura disponível. Por isso, a ideia de sem dias de descanso é frequentemente associada à necessidade de medir glicose várias vezes ao dia. Ademais, aplicar insulina em todas as refeições principais e estar atento a sinais de hipoglicemia ou hiperglicemia.

Como é o tratamento diário do diabetes tipo 1?

O tratamento do diabetes tipo 1 se baseia em três pilares. São eles: administração de insulina, monitoramento da glicemia e cuidados com alimentação e atividade física. Porém, a quantidade de insulina pode variar conforme o peso, o tipo de insulina utilizado e o padrão alimentar, o que exige ajustes constantes. Em muitos casos, a rotina inclui múltiplas injeções diárias ou o uso de bombas de infusão, que liberam pequenas doses de forma contínua.

Para entender a dimensão desse manejo diário, podem ser destacados alguns elementos frequentes na rotina de quem convive com a doença:

  • Medição da glicose várias vezes ao dia, por meio de testes de ponta de dedo ou sensores contínuos;
  • Aplicações de insulina antes das refeições e, muitas vezes, uma dose basal para manter os níveis durante o dia e a noite;
  • Planejamento alimentar, com atenção à quantidade de carboidratos, horários e composição das refeições;
  • Avaliação de sintomas como tremores, sudorese, tontura ou sonolência, que podem indicar alterações na glicemia;
  • Acompanhamento médico regular, com exames laboratoriais e ajustes do esquema terapêutico.

Os mais de 1.150 frascos exibidos na instalação de Ron ajudam a visualizar essa rotina. Afinal, cada recipiente vazio corresponde a inúmeras medições, consultas, refeições calculadas e decisões rápidas tomadas ao longo do dia. Para muitas famílias, como relatado pela filha do artista nas redes sociais, o manejo do diabetes tipo 1 acaba se tornando um esforço coletivo. Ou seja, envolve organização doméstica, acompanhamento emocional e apoio logístico.

O tratamento do diabetes tipo 1 se baseia em três pilares. São eles: administração de insulina, monitoramento da glicemia e cuidados com alimentação e atividade física – depositphotos.com / imagepointfr

Quais desafios e avanços marcam o cuidado com o diabetes tipo 1 em 2026?

A experiência de mais de cinco décadas de tratamento de Ron também permite observar a evolução da assistência ao diabetes tipo 1. Nas últimas décadas, surgiram novos tipos de insulina, sistemas de monitorização contínua da glicose e bombas mais precisas, além de algoritmos que aproximam o funcionamento do chamado pâncreas artificial. Mesmo assim, o controle ainda exige participação ativa da pessoa com diabetes e de sua rede de apoio.

Entre os desafios mais citados por especialistas, destacam-se:

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

  1. Acesso a tecnologias: sensores de glicose e bombas de insulina ainda não estão disponíveis para todas as pessoas, especialmente em países com desigualdades sociais;
  2. Custo do tratamento: insulinas modernas, materiais de aplicação e dispositivos de monitoramento podem representar um peso financeiro significativo para muitas famílias;
  3. Carga emocional: o monitoramento contínuo e o medo de complicações a longo prazo costumam gerar desgaste mental, ansiedade e cansaço;
  4. Informação de qualidade: a necessidade de interpretar dados de glicemia, contar carboidratos e entender ajustes de dose exige educação em saúde permanente.

Ao reunir frascos que, isoladamente, seriam apenas resíduos, o projeto No Days Off organiza visualmente essa trajetória de cuidado incessante. A obra funciona como um registro material da história de uma pessoa com diabetes tipo 1 e, ao mesmo tempo, como um retrato simbólico de milhares de outras que lidam diariamente com a mesma condição. Em 2026, iniciativas desse tipo ajudam a trazer o tema para o debate público, ampliando a compreensão sobre o impacto real da doença e sobre a importância de políticas que garantam acesso contínuo a tratamento, educação em saúde e acompanhamento especializado.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay