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Quem é Deolane Bezerra, influenciadora presa em operação que mira esquema ligado ao PCC

A operação que levou à prisão da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, em 21 de maio de 2026, recoloca em evidência o tema da lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado em São Paulo. A ação foi coordenada pelo Ministério Público de São Paulo em parceria com a Polícia Civil e recebeu o nome […]

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A operação que levou à prisão da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, em 21 de maio de 2026, recoloca em evidência o tema da lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado em São Paulo. A ação foi coordenada pelo Ministério Público de São Paulo em parceria com a Polícia Civil e recebeu o nome de Operação Wernicks. De acordo com as autoridades, o foco principal é um esquema financeiro que teria ligação direta com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Antes de se tornar alvo de investigações de grande repercussão, a trajetória de Deolane Bezerra no espaço público começou a ganhar proporções nacionais a partir do relacionamento com o cantor MC Kevin, que morreu em 2021 após cair de uma varanda de hotel no Rio de Janeiro. Natural de Pernambuco, Deolane formou-se em Direito e atuou como advogada criminalista, especialmente em causas ligadas ao universo do funk e de artistas da cena urbana. A partir da projeção nas redes sociais, consolidou-se como influenciadora digital, participando de programas de entretenimento, campanhas publicitárias e reality shows, em que sua postura polêmica e estilo de vida ostensivo ampliaram ainda mais sua visibilidade.

No campo criminal, porém, o nome de Deolane começou a aparecer com frequência crescente a partir de 2022. Ela foi alvo de mandado de busca e apreensão por suspeita de associação criminosa e lavagem de dinheiro e, nos anos seguintes, passou a figurar em diferentes inquéritos relacionados a jogos de azar, apostas e suposta ligação com facções. Em 2024, chegou a ser investigada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro por suposto envolvimento com organizações criminosas e por, em tese, ter atuado como advogada para integrantes do PCC. No mesmo período, chegou a ser presa em Pernambuco em uma operação contra lavagem de dinheiro e jogos ilegais que também alcançou familiares. Em meio a habeas corpus, medidas cautelares descumpridas, novas detenções e sucessivas manifestações de defesa, ela se tornou um dos nomes mais comentados na fronteira entre entretenimento, influência digital e casos de polícia, chegando inclusive a ser convocada para depor na CPI das Bets, no Senado, de onde acabou dispensada por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

O caso atual ganhou destaque não apenas pela figura pública de Deolane, mas também pelo alcance da investigação. Foram expedidos mandados de prisão preventiva, ordens de busca e apreensão, além do bloqueio de veículos e valores milionários em contas bancárias. As medidas, segundo os investigadores, visam interromper a circulação de recursos que seriam provenientes de atividades criminosas e que estariam sendo lavados por meio de empresas de fachada e pessoas interpostas.

eolane formou-se em Direito e atuou como advogada criminalista, especialmente em causas ligadas ao universo do funk e de artistas da cena urbana – Record TV

Operação Wernicks e lavagem de dinheiro ligada ao PCC

A lavagem de dinheiro ligada ao PCC é apontada pelas autoridades como o núcleo da Operação Wernicks. A investigação teve início em 2019, a partir da apreensão de bilhetes na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior paulista. Esses documentos teriam revelado orientações internas sobre movimentações financeiras da facção, incluindo o uso de empresas de transporte e laranjas para disfarçar a origem ilícita dos valores.

Uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau passou a ser tratada como possível empresa de fachada. Desde 2021, essa companhia estaria no radar dos órgãos de investigação por suspeita de servir como canal para escoar e ocultar recursos do grupo criminoso. A partir da análise de documentos e dados bancários, os investigadores buscaram identificar quem seriam os responsáveis por operar essas contas e para onde o dinheiro seguia.

Como funcionaria o esquema de lavagem de dinheiro?

As investigações sobre lavagem de dinheiro do PCC apontam para um suposto funcionamento em cadeia. Primeiro, valores ligados a atividades ilícitas seriam inseridos no sistema financeiro por meio de empresas aparentemente regulares, como a transportadora investigada. Em seguida, esses recursos seriam pulverizados em diversas contas, associadas a pessoas físicas e jurídicas, até chegar a integrantes da cúpula da facção e seus familiares.

De acordo com informações apuradas, a apreensão do celular de um operador identificado como Ciro Cesar Lemos, atualmente foragido, teria sido um marco decisivo. Mensagens, extratos e registros de transferências teriam indicado movimentações suspeitas envolvendo contas de Deolane Bezerra. As autoridades afirmam que essas contas teriam sido usadas para receber e repassar valores oriundos da transportadora para contas ligadas a Marcola, apontado como líder do PCC, e a parentes próximos, incluindo sobrinhos e o irmão.

O esquema, segundo os investigadores, apresentaria características comuns a operações de lavagem de capitais: utilização de empresas com forte fluxo financeiro, fragmentação de depósitos, transferência entre várias contas, inclusive no exterior, e tentativa de associar o dinheiro a atividades aparentemente lícitas, como prestação de serviços ou contratos de fachada.

Quem são os principais alvos da Operação Wernicks?

Além da prisão de Deolane Bezerra, a Operação Wernicks incluiu mandados contra outros nomes relacionados ao PCC. Entre os alvos, estão Marcola, o irmão dele, Alejandro Camacho, e dois sobrinhos do líder da facção, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexander Ribeiro Herbas Camacho. Paloma é tratada pelos investigadores como intermediária do esquema e estaria na Espanha, enquanto Leonardo é apontado como residente na Bolívia.

Outro preso é Everton de Souza, conhecido como Player, mencionado como operador financeiro da facção no contexto da operação. A investigação aponta que ele teria papel central na movimentação de recursos, articulando transferências, abertura de contas e uso de empresas para disfarçar a origem dos valores. Há ainda outros investigados, inclusive ligados ao círculo pessoal de Deolane, como o influenciador Giliardi Vidal dos Santos, alvo de mandados de busca e apreensão.

As medidas cautelares incluem a retenção de 39 veículos e o bloqueio de aproximadamente R$ 357,5 milhões em contas vinculadas aos investigados. Esses bloqueios têm o objetivo de impedir que o patrimônio suspeito de ligação com o crime organizado seja dissipado durante o curso do processo.

Qual é o histórico criminal e público de Deolane Bezerra?

A trajetória de Deolane Bezerra no espaço público começou a ganhar proporções nacionais a partir do relacionamento com o cantor MC Kevin, que morreu em 2021 após cair de uma varanda de hotel no Rio de Janeiro. A partir desse episódio, a advogada e influenciadora passou a ter grande visibilidade nas redes sociais, participou de programas de entretenimento e reality shows e se consolidou como figura conhecida em diversos segmentos de mídia.

No campo criminal, porém, o nome de Deolane começou a aparecer em 2022, quando foi alvo de mandado de busca e apreensão por suspeita de associação criminosa e lavagem de dinheiro. Em 2024, ela passou a ser investigada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro por suposto envolvimento com facções criminosas, incluindo a suspeita de ter atuado como advogada para integrantes do PCC. Em setembro do mesmo ano, foi presa em Pernambuco em uma operação que mirava lavagem de dinheiro e jogos ilegais, episódio que também levou à detenção de familiares.

Ao longo desse período, a influenciadora respondia às acusações, apresentando versões e argumentos de defesa por meio de advogados e posicionamentos públicos. Em diferentes momentos, chegou a ser solta por habeas corpus, descumpriu medidas cautelares impostas pela Justiça e voltou a ser detida, até novas decisões permitirem sua libertação. Em paralelo, seu nome também foi associado à CPI das Bets, no Senado, quando foi convocada a depor, mas acabou dispensada por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

As investigações sobre lavagem de dinheiro do PCC apontam para um suposto funcionamento em cadeia – depositphotos.com / rmcarvalhobsb

Quais foram as medidas judiciais e os próximos passos do caso?

Na fase atual, a prisão de Deolane Bezerra por lavagem de dinheiro ligada ao PCC ocorre em um cenário mais amplo de esforço das autoridades para atingir o braço financeiro do crime organizado. A inclusão do nome da influenciadora na lista de difusão vermelha da Interpol, durante sua estadia na Itália, foi um dos movimentos que antecederam o cumprimento do mandado no Brasil. Após retornar ao país, em 20 de maio, ela foi detida e encaminhada à sede da Polícia Civil para os procedimentos formais.

A partir de agora, a investigação deve avançar em algumas frentes principais:

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  • Análise detalhada de extratos bancários e movimentações financeiras dos investigados.
  • Quebra de sigilos fiscal e telefônico, já autorizados judicialmente, para mapear contatos e transações.
  • Cooperação internacional para localização de alvos no exterior, como Paloma e Leonardo Camacho.
  • Perícia em aparelhos eletrônicos apreendidos, incluindo celulares e computadores.

O processo tende a envolver ainda fases de oitiva de testemunhas, interrogatórios, apresentação de defesas técnicas e possíveis novos desdobramentos, como denúncias formais do Ministério Público e eventuais ações penais por lavagem de capitais, organização criminosa e outros crimes correlatos. O caso segue em andamento, com atualização constante por parte das autoridades responsáveis e acompanhamento próximo da sociedade, devido ao impacto do tema na discussão sobre segurança pública e combate ao crime organizado.

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