Quem tem mais ouro na América Latina? Conheça os países com maiores reservas oficiais
O Banco Central do Brasil consolidou-se, em 2026, como o maior detentor de reservas de ouro da América Latina entre as autoridades monetárias. Veja o ranking!
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O Banco Central do Brasil consolidou-se, em 2026, como o maior detentor de reservas de ouro da América Latina entre as autoridades monetárias. Com 172,4 toneladas do metal, o país ocupa a 28ª posição no ranking global de reservas públicas, segundo levantamento do World Gold Council. Assim, esse volume corresponde a 7,1% do total das reservas internacionais brasileiras, o que mostra o espaço que o ouro ainda tem dentro da estratégia de diversificação do banco central.
O destaque do Brasil ocorre em um contexto de maior atenção mundial ao ouro como instrumento de proteção patrimonial e reserva de valor, principalmente em períodos de incerteza econômica. Na América Latina, a comparação entre países evidencia escolhas distintas na composição das reservas, com alguns bancos centrais concentrando grande parte de seus ativos no metal precioso, enquanto outros mantêm participação mais moderada. Essa diferença está ligada ao perfil de risco, à situação fiscal e ao acesso a outras moedas fortes, como o dólar.
Reservas de ouro do Brasil em 2026
As reservas de ouro do Brasil, na casa de 172,4 toneladas, colocam o país na liderança regional entre os bancos centrais latino-americanos. Em termos proporcionais, o ouro representa 7,1% das reservas internacionais da autoridade monetária brasileira, que incluem ainda ativos como títulos soberanos estrangeiros, depósitos em moeda forte e outros instrumentos financeiros. O objetivo dessa composição é garantir liquidez, segurança e diversificação.
O patamar atual reflete uma estratégia gradual de manutenção e, ocasionalmente, de recomposição dos estoques do metal, em linha com movimentos observados em outras economias emergentes. O ouro é visto pelos formuladores de política monetária como um ativo que não depende diretamente de governos específicos, ao contrário de títulos denominados em moedas nacionais, o que reduz riscos de contraparte.
Como o Brasil se compara a outros países da América Latina?
No ambiente latino-americano, as reservas de ouro revelam um mosaico de realidades econômicas e decisões de política cambial. A Venezuela aparece logo abaixo do Brasil no ranking global, com 161,2 toneladas declaradas, mas há incerteza relevante sobre esses números, já que a última atualização oficial data de 2018. Estimativas mais recentes indicam um volume bem menor de barras mantidas pelo banco central venezuelano, o que limita a comparabilidade direta.
Considerando apenas países com dados mais transparentes e atualizados, o segundo maior detentor regional é o México, com aproximadamente 120,1 toneladas de ouro, equivalentes a 6,6% de suas reservas internacionais. A Argentina surge em seguida com 61,7 toneladas, mas chama atenção pelo peso do metal na carteira: cerca de 21,9% do total. Essa participação elevada indica maior dependência do ouro como reserva de valor em relação a outros instrumentos.
Outras economias da região também mantêm volumes relevantes, ainda que menores, demonstrando a importância do ouro no desenho das reservas oficiais:
- Peru: 34,7 toneladas (5,4% das reservas totais);
- Equador: 26,3 toneladas (35,4% das reservas);
- Bolívia: 22,5 toneladas (cerca de 85,2% das reservas);
- Guatemala: 15,5 toneladas (6,9% das reservas);
- Paraguai: 8,2 toneladas (11,9% das reservas);
- Colômbia: 4,7 toneladas (1% das reservas);
- El Salvador: 2,1 toneladas (6,2% das reservas).
Qual é o lugar do Brasil no ranking global de ouro?
Apesar da liderança latino-americana, o Brasil ainda está distante dos grandes acumuladores de ouro do mundo. No topo do ranking global, os Estados Unidos concentram cerca de 8.133,5 toneladas, mantidas principalmente em cofres do Federal Reserve e do Tesouro. Em seguida aparece a Alemanha, com 3.350,39 toneladas, enquanto a Itália soma aproximadamente 2.851 toneladas em seus estoques oficiais.
Entre a Alemanha e a Itália surge o Fundo Monetário Internacional, com 2.814 toneladas de ouro, atuando como importante detentor supranacional do metal. Na sequência estão França e China, ambas na faixa de 2.437 toneladas, além de Rússia, Suíça, Índia, Japão e Países Baixos, todos com volumes superiores aos do Brasil. O Banco Central Europeu também figura na lista, com algo em torno de 508,4 toneladas distribuídas em sua carteira.
Esse cenário global ilustra o papel do ouro como componente tradicional das reservas em economias avançadas e emergentes. Ao mesmo tempo, indica que, embora o Brasil tenha presença relevante na América Latina, sua participação ainda é modesta em comparação aos principais centros financeiros mundiais.
Por que os bancos centrais ainda mantêm grandes reservas de ouro?
As reservas de ouro dos bancos centrais cumprem funções específicas dentro da política econômica. O metal é utilizado como forma de diversificação em relação a moedas estrangeiras, especialmente em períodos de volatilidade cambial e de incerteza geopolítica. Diferentemente de um título de dívida, o ouro não depende da capacidade de pagamento de um emissor específico, o que reduz parte dos riscos associados a ativos financeiros tradicionais.
De maneira geral, os bancos centrais costumam observar alguns fatores ao definir o peso do ouro em suas reservas:
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- Estabilidade de longo prazo: o ouro tende a preservar valor em horizontes extensos, funcionando como proteção em choques globais;
- Diversificação: ao compor a carteira com diferentes tipos de ativos, a autoridade monetária busca diminuir a exposição a um único risco;
- Liquidez internacional: embora não seja tão líquido quanto moedas de reserva, o ouro é amplamente aceito em operações entre países;
- Histórico e confiança: o uso do metal como reserva de valor é um elemento recorrente na história do sistema financeiro internacional.
No caso brasileiro, o volume atual de 172,4 toneladas reflete uma combinação entre prudência, diversificação e necessidade de manter parcela relevante das reservas em ativos de alta liquidez, como dólares e euros. A posição de maior detentor de ouro na América Latina, segundo o World Gold Council, coloca o país em destaque regional e integra o conjunto de instrumentos à disposição da política econômica em um ambiente global sujeito a mudanças constantes.