Aviação

Bird strike: entenda por que colisões entre aviões e aves preocupam companhias aéreas e autoridades aeroportuárias

Os chamados bird strikes, colisões entre aviões e aves, fazem parte da rotina da aviação mundial e também da realidade dos aeroportos brasileiros. Saiba por que eles preocupam companhias aéreas e autoridades aeroportuárias.

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Uma aeronave que aterrissava no Aeroporto de Vitória, capital do Espírito Santo, sofreu uma colisão com uma ave na tarde do dia 13 de maio. A cena foi filmada por um passageiro que registrava o momento do pouso. Em nota, a Zurich Airport Brasil, concessionária responsável pelo terminal, confirmou o incidente e informou que o animal envolvido era uma ave silvestre, sem ligação com os procedimentos de manejo de fauna adotados no aeroporto. Ademais, a empresa também afirmou que a carcaça foi retirada do local e que o episódio não provocou alterações nas operações de pousos e decolagens.

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Os chamados bird strikes, colisões entre aviões e aves, fazem parte da rotina da aviação mundial e também da realidade dos aeroportos brasileiros. Embora a maioria dos episódios termine sem danos graves, autoridades aeroportuárias e companhias aéreas tratam o tema como questão de segurança operacional. Afinal, a combinação entre aeronaves em alta velocidade e bandos de aves próximas às pistas cria um cenário em que qualquer descuido pode gerar prejuízos materiais relevantes. Ademais, em situações extremas, risco à integridade de passageiros e tripulantes.

O aumento do tráfego aéreo nas últimas décadas, somado à expansão urbana ao redor dos aeroportos e à presença de lixões, áreas alagadas e vegetação que atraem fauna, ajuda a explicar por que o bird strike é um tipo de ocorrência relativamente comum. Em voos domésticos e internacionais, principalmente nas fases de decolagem, subida inicial, aproximação e pouso, aeronaves cruzam o espaço aéreo em que diversas espécies de aves circulam em busca de alimento, abrigo ou rotas migratórias.

Os chamados bird strikes, colisões entre aviões e aves, fazem parte da rotina da aviação mundial e também da realidade dos aeroportos brasileiros – depositphotos.com / sergii.kl.ua

Por que o bird strike é tão frequente na aviação?

A expressão bird strike reúne uma série de eventos com características parecidas. Ou seja, o impacto de uma ou mais aves contra alguma parte da aeronave, normalmente em baixas altitudes, quando o avião ainda está próximo ao solo. As estatísticas do setor mostram que a maioria das colisões ocorre abaixo de 3 mil pés (cerca de 900 metros), justamente na faixa em que se concentram as manobras de decolagem e pouso. Assim, isso explica a frequência dos registros, mesmo com procedimentos de prevenção em vigor.

Do ponto de vista da segurança, o risco aumenta quando a colisão ocorre com espécies de maior porte ou com bandos numerosos. Em velocidades próximas ou acima de 250 km/h, o impacto de um animal de alguns quilos sobre uma estrutura metálica pode gerar deformações, trincas ou falhas em componentes sensíveis. Ademais, mesmo aves de pequeno porte, quando em grande quantidade, podem causar danos relevantes ao atingirem áreas como turbinas, bordos de ataque das asas ou o para-brisa da cabine.

Quais perigos o bird strike oferece a aeronaves e passageiros?

Os efeitos de um bird strike variam desde pequenos arranhões na pintura até falhas que comprometem a operação do avião. Uma das maiores preocupações é a ingestão de aves pelas turbinas, especialmente em aeronaves a jato. Afinal, quando o animal é sugado para dentro do motor, pode danificar pás, provocar vibrações, perda de potência e, em casos mais graves, levar ao desligamento do equipamento em voo. Por isso, a certificação moderna de motores exige testes de resistência ao impacto com aves, mas não elimina todos os riscos.

Outro ponto sensível é o para-brisa da cabine. Os vidros são produzidos com múltiplas camadas e projetados para suportar impactos significativos. Porém, colisões com aves grandes, em alta velocidade, podem gerar rachaduras ou até perfurações. Um dano severo na área frontal pode prejudicar a visibilidade dos pilotos e alterar a pressurização, exigindo retorno imediato ao aeroporto ou pouso de emergência. Além disso, há ainda o risco de danos em bordos de ataque, estabilizadores, sondas de velocidade e fuselagem, o que pode afetar o desempenho aerodinâmico.

Mesmo quando os danos são leves, a ocorrência impacta a operação. Afinal, aeronaves precisam passar por inspeções não programadas, voos são atrasados ou cancelados e há custo de manutenção elevado. Para os passageiros, além do potencial risco físico em cenários extremos, esse tipo de ocorrência se traduz em interrupções de viagem e necessidade de realocação em outros voos.

Como funciona o manejo de fauna nos aeroportos brasileiros?

Para reduzir o risco de bird strike, aeroportos no Brasil mantêm programas estruturados de manejo de fauna. Assim, eles seguem normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e recomendações da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). Esses programas envolvem monitoramento constante das espécies que frequentam o entorno, registro de avistamentos e colisões. Além disso, ações para tornar o ambiente menos atrativo para aves e outros animais silvestres.

De forma geral, o manejo combina alterações de habitat com técnicas de dispersão. A gestão da vegetação é um dos primeiros passos: gramados próximos às pistas são mantidos em alturas específicas para dificultar a presença de insetos e pequenos roedores, que funcionam como alimento para aves carnívoras. Corpos dágua são drenados ou protegidos para evitar que se transformem em pontos de descanso e alimentação para aves aquáticas. A limpeza rigorosa de resíduos orgânicos em áreas de apoio também reduz a atração de espécies oportunistas.

Quais técnicas são usadas para afastar aves das pistas?

Além de modificar o ambiente, equipes especializadas utilizam diferentes ferramentas para afastar aves que se aproximam de áreas críticas. Podem ser empregados canhões de som que emitem ruídos altos e intermitentes, fogos de artifício de baixo potencial, lasers em horários de baixa luminosidade e dispositivos pirotécnicos específicos para dispersão de fauna. Em alguns aeroportos, são usados falcões treinados ou aves de rapina manejadas por falcoeiros, que funcionam como predadores naturais e desencorajam a presença de bandos.

Técnicas visuais, como espantalhos modernos, bandeirolas, balões com olhos estilizados e refletores, também são aplicadas. No entanto, a literatura do setor indica que muitas espécies tendem a se habituar com o tempo a estímulos repetitivos. Por isso, os programas de manejo de fauna procuram variar métodos, horários e locais de aplicação, mantendo certa imprevisibilidade. Outro recurso importante é a coordenação com prefeituras e órgãos ambientais para controlar fontes de atração externas, como lixões a céu aberto e áreas de descarte de resíduos próximos às cabeceiras.

Quais espécies de aves representam maior perigo nos aeroportos?

As espécies que oferecem mais perigo em um bird strike costumam ser aquelas com maior massa corporal ou comportamento de voo em bandos densos. No contexto brasileiro, urubus, carcarás, gaviões, garças, corvos e algumas espécies de patos e marrecos se destacam entre as mais monitoradas. Urubus, por exemplo, são atraídos por restos de animais e lixo orgânico. Portanto, isso torna a gestão de resíduos no entorno dos aeroportos um ponto crítico para a segurança de voo.

Há também risco que se associa a aves migratórias, que atravessam o país em determinadas épocas do ano e podem formar bandos numerosos em rotas que cruzam corredores aéreos. Espécies menores, como andorinhas e pardais, geralmente causam danos mais leves quando em indivíduos isolados. No entanto, bandos em grande número aumentam a energia do impacto. Por essa razão, as equipes de manejo de fauna realizam levantamentos periódicos para entender como essas populações se distribuem ao longo do ano e ajustar ações preventivas conforme a estação.

As espécies que oferecem mais perigo em um bird strike costumam ser aquelas com maior massa corporal ou comportamento de voo em bandos densos – depositphotos.com / preechasi2002@gmail.com

Quais protocolos de segurança reduzem o impacto do bird strike?

Além do trabalho em solo, companhias aéreas e órgãos de controle de tráfego adotam protocolos específicos para reduzir o impacto de colisões com aves. Pilotos recebem treinamento para reconhecer situações de risco, como a presença de bandos próximos à rota de decolagem ou pouso. Além disso, podem solicitar mudanças de cabeceira, ajustes de trajetória ou atrasos na decolagem até que a área seja considerada segura. Em caso de impacto suspeito, há procedimentos padronizados para retorno ao aeroporto, checagem de instrumentos e comunicação com o controle.

Os aviões passam por inspeções visuais após relatos de bird strike, com atenção especial a motores, bordos de ataque e para-brisas. Em alguns casos, há coleta de amostras de penas ou fragmentos para identificação da espécie envolvida, o que ajuda a aprimorar estudos de risco. A engenharia aeronáutica, por sua vez, incorpora critérios de resistência a impacto de aves na certificação de motores e estruturas. Assim, isso contribui para que muitas ocorrências sejam administradas sem consequências mais graves.

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Combinando monitoramento ambiental, manejo de fauna, treinamento de equipes e evolução tecnológica, o setor aéreo brasileiro busca manter o risco de bird strike em níveis aceitáveis. A tendência é que, à medida que o tráfego aéreo cresce e as cidades se expandem, a integração entre aeroportos, órgãos ambientais e autoridades municipais se torne ainda mais relevante para garantir operações seguras em um espaço compartilhado entre aeronaves e vida silvestre.

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