Como funcionam as casas sustentáveis e quais soluções ecológicas podem reduzir gastos e impactos ambientais no dia a dia
A jornalista Giuliana Morrone, que teve importante passagem pela TV Globo, vive hoje em uma casa sustentável em Brasília, de acordo com reportagem da revista Caras. Entenda o que são casas sustentáveis e as soluções ecológicas que podem reduzir gastos e impactos ambientais no dia a dia.
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A jornalista Giuliana Morrone, que teve importante passagem pela TV Globo, vive hoje em uma casa sustentável em Brasília, de acordo com reportagem da revista Caras. O imóvel, projetado com arquitetura contemporânea, dialoga com o bioma do Cerrado com a finalidade de reduzir o impacto ambiental da construção. Ademais, a residência combina soluções como ventilação cruzada, uso de iluminação natural, energia solar e reaproveitamento de recursos. Assim, ilustra um movimento que cresce no Brasil e em outros países: o interesse por casas sustentáveis e o que se chama de arquitetura verde.
No caso da moradia de Morrone, a integração com a vegetação nativa e o uso de materiais que se adequam ao clima seco de Brasília funcionam como vitrine de um conceito que deixa de ser nicho. Afinal, arquitetos, urbanistas e pesquisadores em sustentabilidade apontam que, com o avanço das mudanças climáticas e a pressão por consumo mais responsável, mais famílias e incorporadoras buscam projetos residenciais de baixo impacto ambiental. Assim, esse interesse aparece tanto em casas de alto padrão quanto em empreendimentos populares e em adaptações feitas em imóveis já existentes.
O que define uma casa sustentável?
Uma residência sustentável é planejada para usar menos recursos naturais, gerar menos resíduos e oferecer conforto térmico e acústico adequado. Entre os principais elementos que órgãos como o Green Building Council Brasil (GBC Brasil) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) apontam estão a eficiência energética e o reaproveitamento de água. Ademais, a escolha de materiais de menor impacto e o desenho arquitetônico que favorece ventilação e iluminação naturais. A casa de Giuliana Morrone é um exemplo: sua implantação no terreno considera a orientação solar, a circulação do vento e a preservação de áreas verdes.
Na prática, a eficiência energética envolve desde o isolamento térmico adequado de paredes e coberturas até o uso de lâmpadas LED e eletrodomésticos com selo de economia de energia, como o Procel no Brasil. Por sua vez, o reaproveitamento da água da chuva costuma ser feito com telhados ou lajes que captam a água e a direcionam para reservatórios, onde o recurso pode ser usado em descargas, irrigação de jardins e limpeza de áreas externas. Assim, esses sistemas são recomendados por entidades como a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), sobretudo em cidades com períodos de seca prolongada.
Como funciona a eficiência energética em casas sustentáveis?
A eficiência energética é um dos pilares das casas sustentáveis. Segundo estudos da Agência Internacional de Energia (IEA), edificações respondem por cerca de um terço do consumo de energia no mundo. Ou seja, isso torna esse setor estratégico para a redução de emissões de gases de efeito estufa. Dessa forma, em uma casa sustentável, o objetivo é diminuir a dependência de sistemas artificiais de aquecimento, resfriamento e iluminação, explorando ao máximo os recursos naturais disponíveis no local.
Boa parte desse resultado vem do chamado projeto bioclimático, método em que o arquiteto analisa clima, ventos predominantes, posição do sol e umidade da região para definir aberturas, brises, beirais e materiais. Em cidades quentes, por exemplo, aberturas opostas permitem ventilação cruzada, reduzindo o uso de ar-condicionado. Já em regiões mais frias, janelas bem orientadas para o norte (no Hemisfério Sul) ampliam a entrada de luz solar no inverno, ajudando a aquecer os ambientes. O uso de energia solar fotovoltaica, incentivado por políticas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), completa o conjunto ao gerar parte ou toda a eletricidade consumida na residência.
- Telhados ou lajes preparados para placas solares;
- Janelas amplas com vidros adequados ao clima;
- Brises, varandas e coberturas que protegem contra insolação excessiva;
- Iluminação LED e automação para evitar desperdícios;
- Uso de cores claras em fachadas e coberturas para reduzir o aquecimento.
Quais são os materiais e soluções mais usados em casas sustentáveis?
Além da energia, os materiais ecológicos têm papel relevante. De acordo com diretrizes de certificações como LEED e AQUA-HQE, priorizam-se insumos com menor emissão de carbono, maior durabilidade e possibilidade de reciclagem. No Brasil, ganham espaço o uso de madeira certificada, tijolos de solo-cimento, blocos de concreto com menor consumo de cimento, tintas à base de água e revestimentos produzidos a partir de materiais reciclados. Em casas integradas ao Cerrado, como a de Morrone em Brasília, o paisagismo com espécies nativas também é recomendado, pois exige menos irrigação e insumos químicos.
Mesmo imóveis comuns, incluindo apartamentos, podem incorporar soluções de arquitetura sustentável sem reformas profundas. Especialistas apontam algumas medidas de impacto direto:
- Instalação de arejadores e redutores de vazão em torneiras e chuveiros;
- Uso de iluminação LED e sensores de presença em áreas de circulação;
- Substituição gradual de aparelhos antigos por modelos mais eficientes;
- Coleta seletiva e destinação adequada de resíduos;
- Instalação de películas de controle solar em janelas para reduzir o calor interno.
Casas sustentáveis são mais caras? O que mostram os dados
A percepção de que uma casa sustentável custa muito mais que uma construção convencional ainda é comum. Porém, estudos de entidades do setor indicam um cenário com mais equilíbrio. Levantamentos do GBC Brasil e de consultorias internacionais que apareceram em relatórios recentes apontam que o custo inicial pode ser de 5% a 10% maior, dependendo do padrão de acabamento e do nível de tecnologia embarcada. No entanto, a tendência é de redução de custos à medida que materiais e sistemas se popularizam.
No médio e longo prazo, os mesmos estudos apontam economia em contas de luz, água e manutenção, o que compensa o investimento extra. Em alguns casos, a redução de consumo de energia ultrapassa 30%, e o reaproveitamento da água diminui a dependência dos sistemas públicos de abastecimento. Além do benefício ambiental, há impacto na chamada valorização imobiliária. Afinal, imóveis com soluções verdes tendem a ter maior procura em mercados urbanos, segundo dados de empresas de pesquisa do setor imobiliário europeu e norte-americano. Assim, essa tendência que começa a ser observada também em grandes capitais brasileiras.
Arquitetura verde, mudanças climáticas e qualidade de vida
Organismos como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) ressaltam que o setor de edificações é decisivo para a mitigação das emissões globais. Nesse contexto, a arquitetura verde tem sido tratada como uma estratégia prática para adaptar cidades ao aquecimento global, reduzir ilhas de calor, ampliar áreas verdes e melhorar a qualidade do ar. Projetos que, como o de Giuliana Morrone, se integram ao bioma local ajudam a preservar biodiversidade e a manter serviços ecossistêmicos essenciais.
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Além dos indicadores ambientais e econômicos, pesquisas de universidades brasileiras e estrangeiras apontam que ambientes bem ventilados, iluminados naturalmente e com presença de vegetação estão associados a menor estresse e maior sensação de bem-estar. Com o crescimento do trabalho remoto após a pandemia de Covid-19, esse aspecto ganhou relevância na escolha ou reforma de moradias. Assim, o avanço do interesse por casas sustentáveis no Brasil e no mundo tende a se manter, impulsionado pela combinação de consumo consciente, adaptação climática e busca por melhor qualidade de vida no dia a dia.