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Carros elétricos, turbinas e celulares dependem de terras raras; veja como esses minerais estão presentes no cotidiano

Há uma série de produtos usados diariamente que só funcionam como se conhece hoje graças a um grupo específico de minerais: as terras raras. Veja quais são eles.

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Há uma série de produtos usados diariamente que só funcionam como se conhece hoje graças a um grupo específico de minerais: as terras raras. Do celular ao carro elétrico, passando por computadores, fones de ouvido, televisores, turbinas eólicas e até aparelhos de ressonância magnética, muitos equipamentos dependem desses elementos para gerar ímãs potentes, chips mais compactos e componentes eletrônicos de alta eficiência. Assim, em meio à digitalização da economia e à corrida global pela energia limpa, o tema deixou de ser apenas técnico e passou a envolver interesses econômicos e geopolíticos.

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De forma geral, as terras raras estão associadas a tudo o que envolve alto desempenho em tamanho reduzido. Ou seja, motores menores e mais fortes, telas com cores nítidas, baterias mais leves e sensores precisos. Enquanto a maior parte das pessoas enxerga um celular como um único objeto, a indústria vê um conjunto de materiais estratégicos. Entre eles neodímio, praseodímio, disprósio e outros elementos pouco conhecidos fora dos laboratórios. São esses nomes, quase invisíveis para o consumidor, que sustentam boa parte da chamada economia digital e da transição energética.

Do celular ao carro elétrico, passando por computadores, fones de ouvido, televisores, turbinas eólicas e até aparelhos de ressonância magnética, muitos equipamentos dependem de terras raras para gerar ímãs potentes, chips mais compactos e componentes eletrônicos de alta eficiência – depositphotos.com / Sheilaf2002

O que são terras raras e por que receberam esse nome?

O termo terras raras se refere a um grupo de 17 elementos químicos, em sua maioria pertencentes à série dos lantanídeos na tabela periódica, além do ítrio e do escândio. Eles não são exatamente escassos na crosta terrestre. Porém, costumam aparecer em baixas concentrações e misturados a outros minerais, o que torna a extração e o refino mais complexos e caros. Ademais, a expressão terras vem de uma classificação antiga usada pela química no século XIX, enquanto raras se consolidou pela dificuldade histórica em separá-las e purificá-las.

Apesar do nome, esses elementos estão espalhados em diferentes tipos de rochas ao redor do mundo. Portanto, o desafio não é apenas encontrá-los, mas concentrá-los em quantidade suficiente para viabilizar economicamente a mineração e o processamento. Além disso, o refino das terras raras exige etapas químicas sofisticadas, consumo de energia e controle rigoroso de resíduos, o que coloca pressão adicional sobre questões ambientais e regulatórias.

Terras raras na tecnologia do dia a dia: onde elas aparecem?

A palavra-chave para entender a presença das terras raras na vida cotidiana é tecnologia. Afinal, esses elementos são usados em ímãs permanentes de alto desempenho, em fósforos para telas e lâmpadas, em ligas metálicas especiais e em diversos componentes eletrônicos. Em muitos casos, não há substitutos com o mesmo nível de eficiência. Portanto, isso aumenta a importância estratégica dessas matérias-primas para vários setores industriais.

Alguns usos mais frequentes incluem:

  • Carros elétricos e híbridos: motores com ímãs de neodímio, praseodímio e disprósio, baterias e sistemas de controle eletrônico.
  • Celulares e computadores: alto-falantes e fones com ímãs potentes, discos rígidos, telas com cores mais vivas, sensores e microcomponentes eletrônicos.
  • Fones de ouvido e caixas de som: ímãs compactos de terras raras que permitem alta potência de som em dispositivos pequenos.
  • Telas e monitores: elementos como térbio e európio ajudam na emissão de cores em televisores, monitores e painéis de LED.
  • Turbinas eólicas: geradores equipados com ímãs permanentes para aumentar a eficiência na geração de energia.
  • Painéis solares avançados: uso em tecnologias específicas de conversão de luz e em sistemas de rastreamento e controle.
  • Equipamentos médicos: aparelhos de ressonância magnética, sistemas de diagnóstico por imagem e alguns tipos de lasers cirúrgicos.

Entre os elementos mais requisitados pela indústria tecnológica estão neodímio, praseodímio, dísprósio e térbio, empregados na fabricação de ímãs de alta potência; além de európio, itérbio e lutécio em aplicações ópticas e de iluminação. Esses componentes permitem motores mais leves, maior densidade de dados em dispositivos de armazenamento e maior qualidade de imagem em telas.

Por que a demanda por terras raras cresce tão rápido?

Dois movimentos simultâneos explicam a escalada da demanda por terras raras: a transição energética e a digitalização da economia.

Estudos de agências internacionais de energia e de comércio apontam que a demanda por alguns tipos de terras raras pode se multiplicar nas próximas décadas, pressionando cadeias de suprimento. Por sua vez, a oferta é concentrada em poucos países que dominam não apenas a extração, mas principalmente o refino e a fabricação de produtos de maior valor agregado, como ímãs permanentes e ligas especiais. Assim, essa combinação de demanda acelerada e concentração produtiva leva governos e empresas a discutir políticas de segurança de abastecimento, diversificação de fontes e reciclagem de componentes que contêm terras raras, como motores, turbinas e eletrônicos em fim de vida útil.

Qual é o papel da China no mercado de terras raras?

A China ocupa posição central na cadeia global de terras raras. Embora outros países também possuam reservas relevantes, o país asiático consolidou, ao longo de décadas, a capacidade de mineração, separação química, refino e transformação desses elementos em produtos prontos para uso industrial. Assim, diversos levantamentos indicam que a maior parte do processamento mundial de terras raras ainda passa por instalações chinesas, o que cria uma forte dependência internacional.

Esse domínio não se resume ao volume extraído. Afinal, a China investiu em tecnologia para transformar o mineral bruto em ímãs de alta performance, ligas metálicas especiais e componentes usados diretamente na indústria automotiva, eletrônica e de energia renovável. Em muitos casos, outros países exportam concentrados de terras raras e importam, em seguida, produtos já refinados e transformados, agregando valor fora de suas próprias economias. Portanto, essa dinâmica tem estimulado debates sobre política industrial, incentivos à mineração responsável, relocalização de etapas da cadeia produtiva e acordos internacionais para reduzir vulnerabilidades geopolíticas.

O Brasil aparece com destaque em levantamentos internacionais sobre reservas de terras raras, figurando entre os países com maior potencial geológico – depositphotos.com / tbtb

Brasil tem potencial em terras raras?

O Brasil aparece com destaque em levantamentos internacionais sobre reservas de terras raras, figurando entre os países com maior potencial geológico. Depósitos associados a regiões como Minas Gerais, Goiás e Amazonas, entre outras áreas, indicam que o território brasileiro abriga volumes significativos desses elementos. Há, ainda, interesse em reaproveitar resíduos de antigas atividades de mineração que contêm concentrações relevantes de terras raras.

Apesar desse patrimônio mineral, o país ainda enfrenta desafios para transformar o potencial em cadeia produtiva completa. As principais dificuldades incluem:

  1. Domínio tecnológico limitado: necessidade de ampliar pesquisa e desenvolvimento em métodos de separação, refino e fabricação de ímãs e ligas avançadas, além de capacitar mão de obra especializada.
  2. Infraestrutura industrial: carência de plantas em escala comercial que consigam processar o minério até produtos de alto valor agregado, incluindo etapas de refino químico, produção de óxidos e de ímãs permanentes.
  3. Aspectos ambientais e regulatórios: exigência de projetos que conciliem exploração econômica com gestão adequada de resíduos, proteção de comunidades locais e cumprimento de normas ambientais cada vez mais rigorosas.
  4. Financiamento de longo prazo: projetos de terras raras costumam exigir altos investimentos iniciais e retorno em prazos extensos, o que demanda linhas de crédito específicas e segurança jurídica.

Para especialistas do setor, o fortalecimento dessa cadeia no Brasil depende de políticas públicas de incentivo à pesquisa, parcerias entre universidades, empresas e centros tecnológicos, além de marcos regulatórios estáveis. Caso consiga superar as limitações atuais, o país pode avançar na produção não apenas de concentrados, mas também de ímãs, componentes eletrônicos e materiais destinados à mobilidade elétrica, energias renováveis e dispositivos digitais, agregando mais valor às reservas já conhecidas. Iniciativas voltadas à reciclagem de produtos eletrônicos e ao aproveitamento de rejeitos de mineração também são apontadas como caminhos promissores.

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Enquanto esse cenário se desenha, as terras raras continuam atuando de forma silenciosa na rotina cotidiana, embutidas em telas, motores, baterias e equipamentos médicos. A discussão sobre esses elementos deixa de ser apenas um tema técnico e passa a integrar debates sobre indústria, meio ambiente, inovação e segurança energética em escala global, com o Brasil buscando espaço em um mercado considerado estratégico para as próximas décadas.

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