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Ultrassom que cura sem corte: como o HIFU usa ondas sonoras para destruir tumores e tratar tremores com precisão invisível

Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade trata tumores e tremores sem cortes, usando ondas sonoras precisas; descubra benefícios e riscos

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O Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade, conhecido pela sigla HIFU, vem ganhando espaço na medicina desde a última década. Essa tecnologia usa ondas sonoras concentradas para tratar tumores e tremores sem abrir a pele. Em muitos casos, o procedimento dispensa anestesia geral e internação prolongada.

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Em linguagem simples, o HIFU funciona como uma espécie de lupa sonora. Assim como a luz do sol esquenta quando alguém a concentra em um ponto com uma lente, o equipamento médico concentra o som em uma área muito pequena do corpo. Dessa forma, o tecido-alvo recebe calor intenso, enquanto as regiões ao redor permanecem protegidas.

O que é o HIFU e como essa tecnologia atua no corpo?

O HIFU utiliza ondas de ultrassom que operam em alta frequência e energia. Os médicos posicionam o paciente em um aparelho que se assemelha a um equipamento de ressonância magnética ou de ultrassom comum. Em seguida, o sistema emite feixes de som que se cruzam em um único ponto dentro do organismo.

Nesse ponto de encontro, a energia se concentra e eleva a temperatura de forma rápida. O calor pode atingir cerca de 60 a 90 graus Celsius por alguns segundos. Assim, o tecido alvo, como um nódulo ou parte de um tumor, sofre destruição térmica controlada, processo chamado de ablação. Já os tecidos localizados no caminho dos feixes recebem pouca energia e permanecem preservados.

Além disso, o médico acompanha tudo em tempo real por meio de imagens de ressonância magnética ou ultrassom. Esse monitoramento permite ajustar a posição do foco, medir a temperatura e interromper o disparo se algo sair do planejado. Dessa maneira, a equipe mantém o controle da área tratada a cada etapa.

Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade (HIFU) pode substituir cirurgias?

O HIFU não substitui todas as cirurgias, mas oferece uma alternativa em situações específicas. Em vários países, médicos utilizam a técnica para tratar tremores essenciais e sintomas motores do Mal de Parkinson em casos selecionados. Nesses procedimentos, o equipamento concentra o ultrassom em áreas bem definidas do cérebro que participam da geração dos tremores.

O paciente permanece acordado, o que permite à equipe avaliar o efeito do tratamento em tempo real. À medida que o calor cria pequenas lesões controladas, os profissionais observam a redução dos tremores e fazem ajustes finos no foco. Assim, o HIFU possibilita um tratamento neurológico sem cortes na cabeça, sem abertura do crânio e, em muitos casos, sem anestesia geral.

Na área ginecológica, a tecnologia também já ganhou espaço. Diversos centros usam o HIFU para reduzir miomas uterinos sintomáticos. Os feixes térmicos atingem o mioma, provocam a morte gradual das células e, ao longo de semanas, o volume do nódulo tende a diminuir. Como resultado, muitas pacientes relatam melhora de sangramentos intensos e dores pélvicas, segundo estudos publicados até 2025.

HIFU – Reprodução

Quais outras aplicações médicas atuais do HIFU?

Além do Mal de Parkinson, do tremor essencial e dos miomas, o HIFU aparece em tratamentos de alguns tipos de câncer. Em especial, serviços especializados aplicam a técnica em tumores de próstata localizados, em situações bem definidas por protocolos. Nesses casos, os médicos buscam destruir apenas a área tumoral, preservando o máximo possível do tecido saudável ao redor.

Pesquisadores também investigam o uso do HIFU em lesões ósseas dolorosas, como metástases em ossos. O calor gerado no foco pode aliviar a dor ao reduzir terminações nervosas sensíveis e modificar a estrutura do tumor naquele ponto. Embora os resultados pareçam promissores em diversos estudos, os profissionais ainda analisam a durabilidade desses efeitos e os riscos específicos em cada cenário.

Na neurologia, equipes de pesquisa avaliam aplicações para transtorno obsessivo-compulsivo resistente e depressão grave. Nesses projetos, o HIFU cria pequenas lesões em áreas profundas do cérebro ligadas à regulação de humor e comportamento. Os comitês científicos ainda analisam segurança e eficácia em médio e longo prazos, pois o cérebro exige cuidados redobrados.

Como funciona, na prática, um procedimento com HIFU?

Antes do tratamento, a equipe médica realiza exames de imagem detalhados e uma avaliação clínica completa. Em seguida, os profissionais definem se o paciente se encaixa nos critérios para HIFU. A indicação correta reduz riscos e aumenta as chances de resposta adequada.

No dia do procedimento, o paciente se deita em uma mesa acoplada ao aparelho de HIFU. Em muitas situações, a equipe usa leve sedação ou anestesia local, mas mantém o paciente capaz de responder a comandos simples. O equipamento, então, envia disparos de ultrassom para pontos específicos, de forma repetida e planejada.

Entre um disparo e outro, o sistema mede a temperatura e gera imagens da região tratada. Se necessário, os médicos ajustam a posição do foco ou interrompem o tratamento. Em geral, o paciente retorna para casa no mesmo dia ou no dia seguinte, com orientações claras sobre cuidados e sinais de alerta.

Quais são as vantagens, limitações e cuidados do HIFU?

O HIFU apresenta algumas vantagens claras. O método dispensa incisões na pele, reduz o risco de infecção e, frequentemente, permite recuperação mais rápida. Além disso, a equipe consegue ajustar o foco com precisão milimétrica, o que ajuda a poupar estruturas saudáveis importantes.

Por outro lado, a tecnologia tem limitações. Nem todos os tumores ou tremores respondem bem ao HIFU. A posição da lesão, o tipo de tecido, o tamanho do alvo e a presença de ossos ou gás no caminho podem impedir a passagem adequada das ondas sonoras. Portanto, a indicação depende de critérios rígidos e de equipamentos avançados, ainda concentrados em centros especializados.

Os efeitos adversos também exigem atenção. Alguns pacientes relatam dor temporária, inchaço ou alterações de sensibilidade na área tratada. Em situações raras, o calor pode afetar nervos ou estruturas vizinhas e gerar sequelas. Por isso, os protocolos recomendam equipes experientes, planejamento detalhado e acompanhamento após o procedimento.

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Apesar das restrições, o HIFU representa uma ferramenta importante no cenário atual da medicina de precisão. A combinação de imagem em tempo real, energia focada e ausência de cortes amplia as opções de tratamento para diferentes doenças. À medida que novas pesquisas surgem e as agências regulatórias avaliam mais dados, a expectativa é de que essa tecnologia ganhe indicações adicionais, sempre baseada em evidências sólidas e critérios bem definidos.

HIFU – Reprodução

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