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O que é a chikungunya? Autorização de vacina no Brasil reacende alerta sobre sintomas e transmissão

A autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a produção no Brasil da vacina contra chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva marca um novo capítulo no enfrentamento das doenças transmitidas por mosquitos. Saiba mais sobre a doença.

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A autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a produção no Brasil da vacina contra chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva marca um novo capítulo no enfrentamento das doenças transmitidas por mosquitos. A partir dessa decisão, o país passa a ter condições de fabricar, em território nacional, um imunizante voltado a uma infecção que há anos provoca surtos e sobrecarrega serviços de saúde, especialmente em regiões tropicais.

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O passo dado pela Anvisa também reforça a estratégia brasileira de ampliar o portfólio de vacinas com produção interna. Assim, reduzindo dependências externas e facilitando o acesso da população. Assim, a expectativa de especialistas é que, com a produção local, seja possível planejar campanhas de vacinação em áreas prioritárias, que se integram a ações que já existem contra outras arboviroses, como dengue e zika, que compartilham o mesmo vetor principal.

A chikungunya é uma doença infecciosa causada por um vírus do gênero Alphavirus, com transmissão principalmente pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus – depositphotos.com / kasira.gold.gmail.com

O que é chikungunya e por que preocupa tanto?

A chikungunya é uma doença infecciosa causada por um vírus do gênero Alphavirus, com transmissão principalmente pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. A sua identificação deu-se inicialmente na África, a enfermidade expandiu-se para a Ásia, Caribe e Américas, chegando ao Brasil em 2014. Desde então, passou a integrar o grupo de arboviroses que circulam de forma recorrente em diferentes estados, com alternância de picos epidêmicos ao longo dos anos.

O termo chikungunya vem de uma língua da Tanzânia e se refere à postura encurvada que muitos pacientes adotam por causa das dores nas articulações. Essa característica, que se associa a quadros de febre alta e mal-estar intenso, faz com que a doença tenha grande impacto na capacidade de trabalho, estudo e realização de atividades diárias, principalmente em adultos economicamente ativos e em idosos.

Chikungunya: transmissão pelo Aedes aegypti e principais sintomas

A transmissão da chikungunya ocorre quando a fêmea do mosquito Aedes, infectada previamente ao picar uma pessoa doente, passa o vírus para outra pessoa saudável. Como esse inseto se adapta bem a ambientes urbanos, com água parada em pequenos recipientes e temperaturas elevadas, grandes centros urbanos tornam-se locais favoráveis para a disseminação. Assim, o mesmo mosquito é responsável também pela transmissão de dengue e zika, o que amplia a preocupação com surtos simultâneos.

Os sintomas geralmente surgem entre dois e doze dias após a picada infectante. Entre os sinais mais relatados estão:

  • Febre alta, de início súbito;
  • Dores intensas nas articulações (mãos, pés, joelhos, tornozelos), muitas vezes incapacitantes;
  • Dores musculares, cefaleia e cansaço;
  • Manchas avermelhadas na pele em parte dos casos;
  • Inchaço nas articulações, que pode dificultar movimentos simples.

A fase aguda costuma durar de alguns dias a poucas semanas, mas em uma parcela dos pacientes a dor articular persiste por meses ou até anos, caracterizando um quadro crônico semelhante a artrite. Essa persistência de sintomas é um dos motivos pelos quais a chikungunya é considerada uma doença com alto potencial de comprometimento da qualidade de vida.

Por que a chikungunya pode deixar sequelas prolongadas?

Em muitos pacientes, o próprio sistema imunológico continua reagindo ao vírus mesmo após o fim da fase aguda. Esse processo inflamatório nas articulações pode se prolongar e provocar dores recorrentes, rigidez e dificuldade de mobilidade. Em alguns casos, pessoas que não tinham problemas reumatológicos passam a conviver com limitações permanentes, necessitando de acompanhamento médico, fisioterapia e uso contínuo de medicamentos para controle da dor.

Quando esses quadros se instalam, tarefas cotidianas como caminhar, cozinhar, trabalhar ou cuidar de crianças podem ficar comprometidas. A soma de faltas ao trabalho, necessidade de licenças prolongadas e maior demanda por atendimento em serviços de reabilitação gera impacto econômico e social. Por isso, além de reduzir internações e óbitos, o controle da chikungunya está ligado à preservação da funcionalidade das pessoas e à redução de sobrecarga sobre o sistema de saúde.

Qual é a situação da chikungunya no Brasil e no mundo em 2026?

Desde a chegada do vírus às Américas, foram registrados surtos expressivos em diversos países do Caribe, da América Central e da América do Sul. No Brasil, os primeiros anos após a introdução foram marcados por ondas epidêmicas em estados do Nordeste e Sudeste, com expansão progressiva para outras regiões. Em temporadas mais quentes e chuvosas, os casos tendem a aumentar, em parte pela maior proliferação do Aedes aegypti.

A presença simultânea de dengue, zika e chikungunya impõe desafios extras à vigilância epidemiológica, porque os sintomas podem se confundir e a capacidade de diagnóstico laboratorial nem sempre acompanha o ritmo das transmissões. No cenário internacional, a OMS mantém alerta para a possibilidade de novas introduções do vírus em áreas onde o Aedes já está presente, especialmente em países com mudanças climáticas que ampliam a área de circulação do mosquito.

Quais são os principais desafios no controle do Aedes aegypti?

O combate ao Aedes depende, em grande parte, da eliminação de criadouros em ambientes domésticos e comunitários. No entanto, recipientes com água parada continuam sendo encontrados em lajes, quintais, calhas, pneus, vasos de plantas e reservatórios improvisados, sobretudo em locais com oferta irregular de água encanada. Essa combinação de fatores urbanos, climáticos e socioeconômicos cria um cenário difícil para a interrupção da cadeia de transmissão.

Entre os desafios mais mencionados estão:

  1. Manutenção de ações contínuas: mutirões pontuais têm efeito limitado se não forem acompanhados de rotina permanente de vigilância.
  2. Infraestrutura urbana: saneamento inadequado, coleta de lixo irregular e falta de abastecimento diário de água favorecem o armazenamento de líquidos em recipientes diversos.
  3. Adaptação do mosquito: o Aedes deposita ovos em pequenos volumes de água e consegue se reproduzir em lugares discretos, de difícil acesso.
  4. Condições climáticas: temperaturas mais altas e períodos chuvosos prolongados ampliam o tempo de atividade do mosquito ao longo do ano.
O combate ao Aedes depende, em grande parte, da eliminação de criadouros em ambientes domésticos e comunitários – depositphotos.com / Giovanni.seabra

Como a vacina contra chikungunya pode ajudar a controlar os casos?

A vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a Valneva, agora autorizada para produção no Brasil, insere-se como uma nova ferramenta de prevenção. Ao estimular o organismo a produzir anticorpos contra o vírus chikungunya, o imunizante tem o potencial de reduzir o risco de formas sintomáticas e graves, especialmente em grupos com maior chance de complicações, como idosos e pessoas com doenças crônicas.

Com a incorporação dessa vacina às estratégias de saúde pública, alguns efeitos esperados são:

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  • Diminuição da circulação do vírus em áreas com alta cobertura vacinal;
  • Redução de internações e atendimentos de urgência por febre e dor articular intensa;
  • Menor número de casos crônicos, com consequente alívio para serviços de reabilitação e reumatologia;
  • Possibilidade de planejar campanhas integradas com outras vacinas contra arboviroses, otimizando recursos.

Mesmo com a disponibilidade da vacina, o controle da chikungunya continuará dependendo de um conjunto de medidas: eliminação de focos do Aedes, monitoramento constante dos casos, informação qualificada para a população e organização dos serviços de saúde para diagnóstico e manejo adequados. A produção nacional do imunizante amplia o leque de proteção, mas não substitui o trabalho diário de prevenção ao mosquito e de cuidado com as pessoas que já foram infectadas.

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