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Do surto em navio aos riscos no dia a dia: conheça as doenças transmitidas por ratos e como se proteger

Além do hantavírus, roedores associam-se a outras infecções relevantes, como leptospirose, peste e salmonelose. Saiba mais sobre elas.

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A investigação em curso da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre suspeitas de hantavírus em um navio ancorado em Cabo Verde reacendeu a atenção para um tema frequentemente subestimada: as doenças que ratos e outros roedores transmitem. Segundo autoridades sanitárias, a presença de roedores em espaços fechados, com grande circulação de pessoas e armazenamento de alimentos, cria um cenário propício para a disseminação de agentes infecciosos. Nesses locais, pequenas falhas de higiene ou de controle de pragas podem ser suficientes para permitir o contato com urina, fezes, saliva ou superfícies contaminadas, abrindo caminho para diferentes doenças de importância em saúde pública.

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O hantavírus é um dos principais exemplos de enfermidade que se associa a roedores, em especial a determinadas espécies de ratos silvestres – depositphotos.com / Argument

Hantavírus: como acontece a transmissão e quais são os sinais?

O hantavírus é um dos principais exemplos de enfermidade que se associa a roedores, em especial a determinadas espécies de ratos silvestres. A infecção ocorre, na maioria dos casos, pela inalação de partículas virais presentes em poeira contaminada com urina, fezes ou saliva desses animais. Ademais, também pode haver transmissão por contato direto com secreções, mordidas ou manuseio de materiais contaminados, prática que se observa em contextos específicos, como limpeza de depósitos, cabines fechadas e porões de navios.

Os sintomas iniciais costumam lembrar um quadro gripal, com febre, dor muscular, mal-estar, cefaleia e, às vezes, náuseas. Em alguns pacientes, a doença evolui para formas graves, como a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, caracterizada por falta de ar intensa, queda de pressão e comprometimento do coração e dos pulmões. A evolução pode ser rápida, exigindo atendimento médico imediato e suporte intensivo. Por isso, ambientes fechados, pouco ventilados e com possível infestação de roedores são considerados de atenção especial por equipes de vigilância.

Quais outras doenças que ratos transmitem e preocupam especialistas?

Além do hantavírus, roedores associam-se a outras infecções relevantes, como leptospirose, peste e salmonelose. Cada uma apresenta particularidades de transmissão, sintomas e gravidade, mas todas compartilham um ponto central. Ou seja, a necessidade de contato, direto ou indireto, com excretas ou secreções de animais infectados, ou com alimentos e água contaminados.

  • Leptospirose: causada por bactérias do gênero Leptospira, é frequentemente associada à exposição à água ou lama contaminadas com urina de ratos. Enchentes em áreas urbanas, esgoto a céu aberto e depósitos com presença de roedores são situações comuns de risco. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dor muscular intensa, principalmente nas panturrilhas, olhos avermelhados e, em casos mais graves, insuficiência renal e hemorragias.
  • Peste: ainda que hoje seja menos comum em muitas regiões, a peste, causada pela bactéria Yersinia pestis, permanece sob vigilância em áreas endêmicas. A transmissão geralmente envolve pulgas de roedores infectados, que picam humanos. As formas mais conhecidas são a peste bubônica, com aumento doloroso de gânglios linfáticos, e a peste pneumônica, que afeta os pulmões e tem maior potencial de transmissão entre pessoas.
  • Salmonelose: provocada por bactérias do gênero Salmonella, pode ser adquirida pela ingestão de alimentos ou água contaminados com fezes de animais infectados, inclusive roedores. Os principais sinais são diarreia, dor abdominal, febre e vômitos, podendo ser mais severos em crianças pequenas, idosos e pessoas com imunidade reduzida.

Nesses quadros, a presença de ratos em depósitos de alimentos, cozinhas industriais, navios de cruzeiro, silos, mercados e residências amplia o risco de contaminação, já que pequenos vestígios de fezes ou urina podem não ser facilmente percebidos, mas ainda assim carregar microrganismos capazes de causar doença.

Por que ambientes com roedores representam risco em navios, cidades e áreas rurais?

Ambientes fechados com grande estoque de suprimentos, como navios, armazéns, restaurantes e transportes de carga, oferecem abrigo, água e alimento para roedores. Assim, quando o controle de pragas e a armazenagem não seguem padrões rigorosos, esses animais podem circular livremente por depósitos, cozinhas e áreas técnicas, contaminando superfícies, embalagens e utensílios. Em viagens longas, como cruzeiros, essa situação ganha relevância adicional, já que muitas pessoas compartilham o mesmo espaço por dias ou semanas.

Em áreas urbanas, lixões irregulares, entulho acumulado, esgoto exposto e descarte inadequado de resíduos favorecem a proliferação de roedores. Já em zonas rurais, galpões de grãos, currais, celeiros e abrigos de animais também se tornam focos potenciais. Em todos esses cenários, a combinação de ventilação limitada, umidade, presença de alimentos e falta de barreiras físicas adequadas cria um ambiente propício não só para a permanência dos ratos, mas também para a disseminação de vírus e bactérias.

Especialistas em saúde pública destacam que, muitas vezes, o risco é subestimado porque os animais nem sempre são vistos. Marcas de roedura em embalagens, trilhas de fezes, odor característico ou sons noturnos são sinais de alerta que costumam aparecer antes da percepção direta da infestação. Ignorar esses indícios pode atrasar intervenções simples e permitir a manutenção de cadeias de transmissão.

Enchentes em áreas urbanas, esgoto a céu aberto e depósitos com presença de roedores são situações comuns de risco para leptospirose – depositphotos.com / Chai2523

Como reduzir o risco de doenças transmitidas por roedores?

Medidas preventivas recomendadas por infectologistas e sanitaristas envolvem uma combinação de controle de pragas, higiene adequada e educação em saúde. A orientação é priorizar ações que dificultem o acesso dos ratos a abrigo, água e comida, tanto em zonas urbanas quanto em contextos rurais e marítimos, como navios e plataformas.

  1. Controle de pragas estruturado: adoção de barreiras físicas (telas, vedação de ralos e frestas), uso criterioso de armadilhas e, quando necessário, aplicação de raticidas por equipes especializadas. Em navios e grandes edificações, protocolos de inspeção periódica são considerados fundamentais.
  2. Armazenamento seguro de alimentos: manter grãos, rações e produtos industrializados em recipientes fechados, secos e fora do alcance de roedores. Em cozinhas domésticas e coletivas, recomenda-se evitar embalagens mal fechadas e acúmulo de restos de comida.
  3. Higiene de ambientes: limpeza regular de pisos, prateleiras, porões e depósitos, com atenção para retirada de lixo e entulho. Em locais com poeira antiga e suspeita de roedores, especialistas sugerem umedecer previamente o ambiente para reduzir a dispersão de partículas potencialmente contaminadas, em especial em áreas sob risco de hantavírus.
  4. Cuidados pessoais: uso de luvas e, quando indicado, máscaras na limpeza de locais fechados com presença anterior de ratos, evitando contato direto com urina e fezes. Em caso de ferimentos na pele, recomenda-se evitar exposição a água ou lama potencialmente contaminadas.
  5. Vigilância sanitária e notificação: serviços de saúde orientam a notificar surtos, óbitos suspeitos e aumento de casos de doenças relacionadas a roedores. Isso permite que equipes de vigilância adotem medidas rápidas, como investigação de navios, estabelecimentos comerciais ou áreas residenciais.

Em ambientes de viagem, como cruzeiros e navios de transporte, autoridades sugerem atenção redobrada à manutenção preventiva, à inspeção de cargas e ao monitoramento contínuo da presença de roedores. Protocolos claros de limpeza, controle de pragas e treinamento de tripulações ajudam a diminuir riscos para passageiros e trabalhadores.

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Especialistas ressaltam ainda o papel da informação. Quando a população reconhece sinais de infestação, entende as formas de transmissão de doenças como hantavirose, leptospirose, peste e salmonelose e sabe quando buscar atendimento médico, a chance de detecção precoce aumenta. Assim, o episódio investigado pela OMS em Cabo Verde funciona como lembrete de que a prevenção integrada, baseada em vigilância, infraestrutura adequada e educação em saúde, é uma das principais ferramentas para reduzir o impacto das doenças transmitidas por roedores na vida cotidiana, seja em terra firme ou em alto-mar.

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