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O que o umbigo realmente é: ciência, origem e curiosidades de uma cicatriz universal

O umbigo humano desperta curiosidade em muitas pessoas, justamente por parecer um detalhe pequeno, mas carregado de história biológica. Ciência, origem e curiosidades de uma cicatriz universal.

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O umbigo humano desperta curiosidade em muitas pessoas, justamente por parecer um detalhe pequeno, mas carregado de história biológica. Esse ponto no centro do abdômen é um vestígio direto da gestação, um sinal físico de que, durante meses, houve uma ligação intensa entre o corpo do bebê, a placenta e o organismo materno. Assim, entender como o umbigo se forma e por que permanece ao longo da vida ajuda a esclarecer parte do funcionamento da gravidez e do desenvolvimento embrionário.

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Ao contrário de outras estruturas do corpo, o umbigo não tem uma função ativa depois do nascimento. Mesmo assim, torna-se um marco permanente da passagem pela vida intrauterina. Afinal, em torno dele surgem costumes, crenças, cuidados de higiene específicos e, em alguns casos, até preocupações estéticas. A partir de uma pequena cicatriz, é possível resgatar a história do cordão umbilical, da circulação fetal e da forma como o feto recebe oxigênio e nutrientes dentro do útero.

Ao contrário de outras estruturas do corpo, o umbigo não tem uma função ativa depois do nascimento – depositphotos.com / vitorta

O que é o umbigo e qual sua origem biológica?

O umbigo é, em termos médicos, uma cicatriz umbilical. Ele se forma a partir do ponto exato em que o cordão umbilical estava ligado ao abdômen do feto. Durante a gestação, esse cordão é a via principal de troca entre o feto e a placenta. Após o parto, o cordão deixa de ser necessário, é clampeado e cortado, e o pequeno segmento que permanece ligado ao recém-nascido seca e cai em poucos dias. Assim, a área cicatrizada dá origem ao umbigo definitivo.

Do ponto de vista anatômico, o cordão umbilical contém duas artérias e uma veia envoltas por um tecido gelatinoso chamado geléia de Wharton. Essa estrutura protege os vasos sanguíneos que conduzem sangue entre o feto e a placenta. Porém, quando o cordão deixa de transportar sangue, os vasos se fecham, perdem função e se transformam em ligamentos internos. Dessa forma, o que permanece visível por fora é apenas o sinal dessa antiga conexão: o umbigo.

Como o cordão umbilical e a placenta sustentam a vida fetal?

A palavra-chave para compreender o umbigo é cordão umbilical, porque ele é o eixo de comunicação entre o feto e a placenta. Por sua vez, a placenta é um órgão temporário que se forma a partir de tecidos maternos e fetais, fixando-se à parede do útero. Sua função principal é permitir a troca de substâncias essenciais entre o sangue da gestante e o sangue fetal, sem que esses dois sistemas se misturem diretamente.

Dentro da placenta, o sangue fetal, que chega pelo cordão umbilical, passa por estruturas microscópicas cheias de vilosidades. Nelas, ocorre um intenso intercâmbio: o feto recebe oxigênio e nutrientes e elimina gás carbônico e resíduos metabólicos. Todo esse processo é viabilizado por diferenças de concentração e por mecanismos específicos de transporte, sem contato direto entre o sangue materno e o do bebê. Graças a essa dinâmica, o feto pode crescer mesmo sem respirar ar pelos pulmões ou se alimentar pela boca.

Enquanto isso, o cordão umbilical funciona como uma espécie de tubo flexível suspenso no líquido amniótico. Ele acompanha os movimentos fetais, não costuma ser comprimido facilmente e se adapta às mudanças de posição dentro do útero. Assim, é por meio dessa estrutura que, do início ao fim da gestação, o organismo em formação recebe tudo o que precisa para seu desenvolvimento. Ou seja, glicose, aminoácidos, gorduras, vitaminas, hormônios e anticorpos.

Por que o umbigo permanece se ele não tem função depois do nascimento?

Depois do parto, a função do cordão umbilical deixa de existir. O recém-nascido passa a respirar pelos pulmões, a se alimentar pelo sistema digestivo e a eliminar resíduos pelos rins e intestinos. Ainda assim, o corpo não apaga o ponto onde o cordão estava inserido. Esse local cicatriza e se transforma em uma marca permanente. Do ponto de vista biológico, o umbigo é, portanto, uma cicatriz estável, sem papel fisiológico relevante na vida adulta.

A permanência dessa marca se explica pela forma como o corpo humano cicatriza. O tecido que se forma no lugar do cordão é firme, resistente e não necessita de renovação constante. Como não há dano contínuo ou necessidade de remodelação intensa, a área se mantém praticamente a mesma ao longo dos anos. Em muitos indivíduos, o umbigo funciona como referência anatômica, ajudando profissionais de saúde a localizar estruturas internas e pontos de exame.

Além disso, o aspecto do umbigo mais para dentro (umbigo umbilicado) ou para fora (protuso) depende de fatores como tipo de cicatrização, espessura de pele, quantidade de gordura abdominal e, em alguns casos, presença ou ausência de hérnias. Não existe um padrão único; trata-se de variação individual resultante do processo de fechamento da parede abdominal na fase fetal e da cicatrização no período neonatal.

Quais curiosidades anatômicas e culturais envolvem o umbigo?

O umbigo ocupa lugar de destaque em diferentes culturas e períodos históricos. Em algumas tradições, o cordão umbilical e a placenta são guardados, enterrados ou usados em rituais de proteção, simbolizando o vínculo entre o recém-nascido, a família e a terra. Em outros contextos, o umbigo é associado ao centro do corpo e, simbolicamente, ao ponto de origem da vida, sendo representado em esculturas, pinturas e práticas religiosas.

Do ponto de vista anatômico, pesquisas já identificaram uma grande diversidade de microrganismos vivendo na região umbilical. A área tende a acumular suor, restos de pele e secreções, o que, sem higiene adequada, pode favorecer o mau cheiro ou inflamações. Por esse motivo, cuidados simples de limpeza com água e sabão são recomendados ao longo da vida, e orientações específicas são oferecidas aos responsáveis durante os primeiros dias de vida do bebê, enquanto o coto umbilical ainda está presente.

  • O formato do umbigo não indica, de forma direta, como o cordão foi cortado, mas sim como a cicatrização ocorreu.
  • Hérnias umbilicais podem se manifestar como uma saliência próxima ao umbigo, resultado de abertura na musculatura abdominal.
  • Em procedimentos cirúrgicos, o umbigo pode servir de ponto de acesso discreto, especialmente em cirurgias por videolaparoscopia.
Depois do parto, a função do cordão umbilical deixa de existir. O recém-nascido passa a respirar pelos pulmões, a se alimentar pelo sistema digestivo e a eliminar resíduos pelos rins e intestinos – depositphotos.com / Nasimi

Como o desenvolvimento embrionário molda a região do umbigo?

Durante as primeiras semanas de gestação, a parede abdominal do embrião ainda está se fechando. O local onde o cordão umbilical se conecta coincide com uma área de passagem de estruturas intestinais temporárias, o que explica por que algumas alterações anatômicas podem surgir ali, como onfaloceles e outras malformações raras. Com o avanço da gestação, a maior parte dessas estruturas retorna para a cavidade abdominal, e a região se organiza de forma definitiva.

Na etapa final da gravidez, o cordão já está plenamente formado e funcional, e o ponto de inserção no abdômen fica bem delimitado. Quando o bebê nasce e o cordão é seccionado, esse lugar passa por mudanças rápidas: primeiro, ocorre a isquemia (interrupção do fluxo sanguíneo), depois a necrose e, por fim, a queda do coto. A cicatriz resultante acompanha a pessoa por toda a vida, lembrando, em silêncio, a fase em que sua sobrevivência dependia da placenta e do cordão umbilical para tudo, do oxigênio ao último nutriente que ajudou a formar seus órgãos.

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  1. Formação da placenta e do cordão umbilical nas primeiras semanas gestacionais.
  2. Troca contínua de oxigênio e nutrientes entre mãe e feto por meio da circulação umbilical.
  3. Corte do cordão logo após o nascimento e início da respiração pulmonar.
  4. Queda do coto umbilical e cicatrização da região, formando o umbigo.

Ao observar o próprio umbigo ou o de outra pessoa, o que se vê é apenas a superfície de uma história que começou muito antes do nascimento. Por trás dessa pequena cicatriz estão processos complexos de desenvolvimento embrionário, adaptação fetal e transformação do corpo logo após o parto, reunindo ciência, biologia e uma série de significados culturais construídos ao longo do tempo.

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