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Posturas de Poder: como a posição do corpo pode influenciar sua confiança, emoções e desempenho em momentos de pressão hoje

Posturas de poder: descubra como a postura física influencia confiança, emoções e performance, segundo a psicologia comportamental moderna

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Em um corredor silencioso antes de uma entrevista de emprego, uma candidata respira fundo, abre os ombros, afasta os pés e mantém o olhar firme por alguns instantes. A cena, comum em ambientes de alta pressão, ilustra o interesse crescente pelas chamadas posturas de poder a ideia de que a forma como o corpo é posicionado pode influenciar tanto a autopercepção de confiança quanto a forma como outras pessoas interpretam essa presença.

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Esse fenômeno ganhou grande visibilidade a partir de 2010, quando a psicóloga social Amy Cuddy e colegas apresentaram um estudo sugerindo que posturas corporais abertas e expansivas poderiam alterar, ainda que temporariamente, níveis hormonais relacionados a poder e estresse. Desde então, o conceito foi incorporado a treinamentos corporativos, palestras motivacionais e rotinas pessoais de preparação para entrevistas, reuniões decisivas e apresentações em público.

O que diz a teoria das posturas de poder?

A proposta central da teoria das posturas de poder é relativamente simples: manter o corpo em posições expansivas como peito aberto, queixo erguido e braços ocupando mais espaço enviaria ao cérebro sinais associados a domínio, segurança e controle. No estudo original, participantes que adotaram essas poses por cerca de dois minutos relataram sentir-se mais poderosos e dispostos a correr riscos em tarefas subsequentes.

Além do efeito subjetivo de autoconfiança, o grupo de pesquisa relatou mudanças hormonais: aumento de testosterona (associada a comportamentos de dominância) e redução de cortisol (relacionado ao estresse). A partir desses resultados, difundiu-se a ideia de que bastariam poucos minutos em uma pose expansiva para ajustar o estado interno e favorecer o desempenho em situações desafiadoras.

Peito aberto, pés firmes: pequenos ajustes que influenciam a presença em momentos de pressão – depositphotos.com / TarasMalyarevich

Posturas de poder realmente mudam hormônios?

Com o avanço das pesquisas em psicologia social e neurociência, a ciência passou a questionar até que ponto esses efeitos fisiológicos são consistentes. Estudos posteriores, conduzidos por grupos independentes, tentaram replicar os achados hormonais e chegaram a resultados divergentes. Muitos trabalhos não encontraram alterações significativas e estáveis em testosterona e cortisol após curtos períodos de poses expansivas.

Esse debate sobre replicabilidade levou a uma revisão mais cautelosa: embora a hipótese hormonal tenha perdido força em parte da literatura, diversos estudos continuaram a apontar benefícios psicológicos e comportamentais mais robustos, como aumento momentâneo de sensação de segurança, redução de autocrítica imediata e maior disposição para se colocar em situações socialmente desafiadoras.

Hoje, parte da comunidade científica considera que o impacto principal das posturas de poder parece estar menos em possíveis mudanças biológicas profundas e mais em ajustes de percepção: como a pessoa se enxerga, como interpreta o próprio corpo e como isso altera seu foco de atenção em interações sociais. Trata-se de um efeito ligado a crenças, expectativas e ao chamado mindset de competência, mais do que a uma transformação hormonal mensurável e duradoura.

Como a postura física influencia confiança e estado mental?

Do ponto de vista da psicologia comportamental moderna, o corpo funciona como uma via de mão dupla: postura, expressão facial e gestos influenciam o cérebro, enquanto pensamentos e emoções moldam a forma de se posicionar. Uma postura retraída ombros caídos, olhar baixo, braços cruzados junto ao tronco tende a ser associada a insegurança ou submissão, tanto por observadores quanto pela própria pessoa.

Em contraste, posições corporais mais abertas podem facilitar:

  • Foco externo maior na tarefa, e não apenas em medos ou autocrítica.
  • Sensação de estabilidade, ao distribuir melhor o peso do corpo.
  • Respiração mais profunda, que contribui para regular o ritmo cardíaco.
  • Comunicação não verbal coerente com mensagens de competência e preparo.

Esses fatores, combinados, ajudam a entender por que muitas pessoas relatam sentir-se mais firmes e organizadas mentalmente após alguns minutos em posturas expansivas, mesmo sem comprovação de uma grande alteração hormonal.

Quais posturas de poder podem ser usadas antes de situações de pressão?

Em contextos como entrevistas de emprego, apresentações em público, negociações ou provas orais, algumas posturas de poder são frequentemente sugeridas por profissionais de comportamento e comunicação. Elas não garantem desempenho, mas podem integrar uma rotina prévia de preparação.

  1. Postura em pé com base firme
    • Pés afastados na largura dos ombros.
    • Joelhos levemente destravados.
    • Coluna ereta, ombros suavemente para trás.
    • Respiração lenta e regular, com atenção ao ar entrando e saindo.
  2. Pose com mãos na cintura
    • Pernas firmes, tronco alinhado.
    • Mãos apoiadas na cintura, cotovelos apontando para fora.
    • Olhar horizontal, evitando inclinar demais a cabeça para baixo.
  3. Postura sentada expansiva
    • Quadris bem apoiados no assento, pés totalmente no chão.
    • Costas afastadas do encosto, promovendo ativação do tronco.
    • Ombros abertos, braços apoiados confortavelmente na mesa ou nos apoios de braço.

Essas posturas podem ser praticadas em ambientes reservados, alguns minutos antes de entrar em cena. Recomenda-se que sejam combinadas com preparação de conteúdo, treino de fala e estratégias de manejo da ansiedade, mantendo a prática em um contexto amplo de desenvolvimento de habilidades, e não como solução isolada.

Mais do que pose, é um jeito de preparar o corpo para enfrentar desafios – depositphotos.com / baranq

Qual é o papel da ética e da evidência nesse fenômeno?

O interesse popular pelas posturas de poder levou parte do mercado de treinamentos a apresentar o tema com promessas amplas, por vezes sem deixar claras as limitações científicas. A literatura recente aponta a necessidade de comunicar a ideia com transparência: os ganhos parecem reais em termos de sensação de autoconfiança e presença, mas não há consenso robusto sobre transformações hormonais significativas e duradouras em poucos minutos de prática.

Nesse cenário, profissionais e instituições que trabalham com desenvolvimento humano têm buscado integrar posturas de poder a abordagens mais amplas, que incluem treino de habilidades sociais, técnicas de respiração, ensaio de falas e reestruturação de pensamentos autodepreciativos. A ênfase desloca-se de promessas biológicas para o fortalecimento do comportamento e da percepção de competência.

O que essa discussão revela sobre a conexão mente-corpo?

O debate em torno das posturas de poder ilustra um ponto central da psicologia contemporânea: mente e corpo formam um sistema integrado. Mesmo quando os efeitos hormonais são menores do que se imaginou inicialmente, pequenos ajustes na forma de se posicionar podem funcionar como gatilhos para estados mentais mais organizados, desde que acompanhados de práticas consistentes de preparação e aprendizado.

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Para quem se prepara para entrevistas, apresentações ou decisões importantes, a adoção consciente de uma postura estável, aberta e alinhada pode atuar como um lembrete físico de competências já desenvolvidas ao longo do tempo. A mensagem implícita enviada ao próprio cérebro não é de superioridade sobre os outros, mas de disposição para enfrentar o desafio com clareza e responsabilidade. Nesse sentido, o corpo torna-se um aliado na tarefa de alinhar percepção interna, comportamento visível e objetivos concretos.

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