Como o Jainismo, religião milenar da Índia, reúne milhões de fiéis e defende a não violência em todo o mundo moderno hoje
Jainismo: antiga religião indiana baseada na não violência (ahimsa), com origem em Mahavira e cerca de 4 a 5 milhões de praticantes no mundo
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O jainismo é uma religião originária da Índia que se destaca por colocar a não violência no centro de todas as ações. Trata-se de uma tradição muito antiga, que sobreviveu a mudanças políticas, culturais e religiosas ao longo de milênios, mantendo práticas rigorosas relacionadas à ética, ao autocontrole e ao respeito por todos os seres vivos. Embora pouco conhecida fora de círculos especializados, essa religião ainda influencia hábitos, costumes e escolhas de milhões de pessoas.
Conhecido pelo forte compromisso com a ahimsa, o jainismo orienta os fiéis a evitar causar dano, seja físico, verbal ou mental. Essa postura se reflete na alimentação, na forma de se locomover e até nas profissões escolhidas, sempre com o objetivo de reduzir ao máximo qualquer tipo de agressão. Mesmo presente em número relativamente pequeno no cenário mundial, a religião tem impacto visível em regiões da Índia e em comunidades espalhadas pelo mundo.
O que é o jainismo e qual a importância de Mahavira?
O jainismo é frequentemente descrito como uma religião de renúncia e disciplina, voltada para a libertação da alma do ciclo de renascimentos. A tradição jain afirma que não teve um único fundador, mas uma sucessão de mestres espirituais, chamados tirthankaras. Entre eles, o mais conhecido é Mahavira, considerado o 24º e último grande mestre dessa linhagem, que teria vivido no norte da Índia por volta do século VI a.C., em um período próximo ao de Buda.
Mahavira é associado à forma atual do jainismo, pois teria organizado ensinamentos já existentes, reforçando princípios éticos e práticas ascéticas. A partir de seus discursos, preservados pela tradição, consolidaram-se regras rígidas de conduta para monges, monjas e leigos. Ele enfatizou a necessidade de controlar desejos, evitar a mentira, recusar o roubo, renunciar a posses excessivas e adotar um modo de vida pautado pela responsabilidade em relação a todos os seres.
A influência de Mahavira é tão central que muitas descrições do jainismo apresentam a religião como ensinada por Mahavira, ainda que os próprios fiéis insistam em sua origem muito mais antiga. Em diversas cidades indianas, estátuas e templos dedicados a ele funcionam como pontos de peregrinação e reforçam sua posição como referência espiritual e moral para a comunidade jain.
Ahimsa: por que a não violência é o eixo do jainismo?
No jainismo, esse conceito vai além da ideia de evitar agressões físicas. Ele abrange pensamentos, palavras e atos, orientando o fiel a reduzir qualquer tipo de sofrimento provocado a humanos, animais e até formas de vida consideradas microscópicas.
Na prática, isso se expressa em vários aspectos do cotidiano jain. Entre os exemplos mais comuns estão:
- Adoção de dieta estritamente vegetariana, muitas vezes evitando também raízes e tubérculos, para reduzir a morte de pequenos organismos no solo.
- Cuidado ao caminhar, em especial entre monges e monjas, que tradicionalmente observam o chão para não pisar em insetos.
- Uso de panos sobre a boca em certas comunidades ascéticas, a fim de evitar a inalação involuntária de pequenos seres vivos.
- Preferência por profissões que não impliquem exploração direta de animais ou destruição intensa do ambiente.
Além da ahimsa, outros princípios éticos importantes incluem a verdade (não mentir), o não roubo, o controle dos desejos e a não possessividade, que busca limitar o apego a bens materiais. Juntos, esses valores compõem um código de conduta que procura orientar não apenas religiosos consagrados, mas também famílias leigas que participam das comunidades jain.
Onde o jainismo é praticado hoje em dia?
O jainismo segue concentrado majoritariamente na Índia, onde se formou e se desenvolveu ao longo de séculos. Estimativas recentes indicam que, em 2026, o número total de praticantes no mundo gira em torno de 4 a 5 milhões de pessoas. Em termos globais, isso representa uma parcela muito pequena da população mundial, o que ajuda a explicar por que a religião ainda é pouco conhecida fora de alguns países.
Dentro da Índia, comunidades jain se distribuem por diversos estados, com maior presença em regiões como Gujarat, Rajastão, Maharashtra e partes de Karnataka. Nessas áreas, é comum encontrar templos elaborados, associações culturais e redes de apoio entre famílias jain, que preservam tradições ligadas à educação, ao comércio e à filantropia.
Com a migração indiana ao longo do século XX e início do século XXI, o jainismo também passou a ter presença mais visível em países como Estados Unidos, Reino Unido e Canadá. Nesses lugares, surgiram templos, centros culturais e organizações comunitárias que buscam oferecer espaço de culto e ensino religioso para as novas gerações nascidas fora da Índia. Essas instituições costumam promover:
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- Aulas de língua e história religiosa para crianças e jovens jain.
- Encontros comunitários em datas festivas, como o período que marca o nascimento e a iluminação de Mahavira.
- Atividades de caridade e campanhas de conscientização sobre vegetarianismo e não violência.
Apesar da dispersão geográfica, o jainismo mantém um perfil de minoria religiosa em praticamente todos os países onde está presente. Mesmo assim, seu foco na ahimsa, na disciplina e na responsabilidade ética continua chamando a atenção em debates sobre direitos dos animais, sustentabilidade e modos de vida que buscam reduzir o impacto sobre o planeta. Dessa forma, uma tradição nascida na Índia antiga segue encontrando espaço em contextos urbanos e globais do século XXI.