Roer unhas: o hábito chamado onicofagia que pode revelar ansiedade e afetar corpo e mente
Onicofagia: entenda por que roer unhas alivia a ansiedade, quais os riscos físicos e emocionais e como esse hábito pode virar um ciclo difícil
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O hábito de roer unhas, conhecido como onicofagia, é comum em diferentes faixas etárias e costuma surgir de forma quase automática no dia a dia. Do ponto de vista médico, trata-se de um comportamento repetitivo que pode causar prejuízos à saúde das unhas, da pele ao redor e até da boca. Já na psicologia, a onicofagia é entendida como uma estratégia de enfrentamento emocional, muitas vezes associada a ansiedade, tensão e dificuldades em lidar com determinadas situações.
Especialistas em saúde mental apontam que a onicofagia costuma estar relacionada a estados de ansiedade, estresse contínuo e momentos de tédio prolongado. Em períodos de pressão, seja no trabalho, na escola ou em problemas pessoais, a pessoa tende a levar as unhas à boca sem perceber, como uma forma rápida de descarregar a tensão acumulada. Em outros casos, o comportamento aparece para preencher a sensação de vazio e inquietação, funcionando como uma ocupação constante das mãos e da mente.
Onicofagia: por que roer unhas parece aliviar a tensão?
De acordo com profissionais da psicologia, roer unhas pode operar como um tipo de válvula de escape emocional. O ato repetitivo gera uma sensação imediata de alívio, ainda que discreta, diante de sentimentos como nervosismo, preocupação ou impaciência. Esse mecanismo costuma ocorrer sem planejamento consciente: em meio a uma conversa difícil, diante de uma prova ou na espera por uma notícia importante, a onicofagia surge como resposta automática. Com o tempo, o organismo passa a associar o gesto ao alívio da angústia, reforçando o hábito.
Quais são os riscos físicos e emocionais da onicofagia?
Embora muitas pessoas encarem o ato de roer unhas como algo corriqueiro, os impactos físicos podem ser significativos. O contato constante dos dentes com as unhas e cutículas provoca desgaste, deformações e enfraquecimento da lâmina ungueal. Pequenas feridas ao redor dos dedos podem servir de porta de entrada para bactérias e fungos, aumentando o risco de infecções locais. Além disso, há relatos de problemas dentários, como microfraturas, desalinhamentos e dores na articulação da mandíbula, quando o comportamento é muito intenso ou prolongado.
No campo emocional e social, a onicofagia também chama atenção. Muitas pessoas relatam vergonha da aparência das mãos, evitando mostrá-las em público, gesticular em reuniões ou tirar fotos. Essa insatisfação pode afetar a autoestima e interferir na forma como o indivíduo se apresenta em entrevistas de emprego, encontros sociais ou situações em que a imagem pessoal ganha destaque. Em alguns casos, o constrangimento gera ainda mais ansiedade, o que favorece a continuidade do hábito.
Como o hábito de roer unhas se transforma em um ciclo difícil de romper?
A formação do ciclo da onicofagia costuma seguir um padrão: surge a tensão emocional, a pessoa recorre ao ato de roer unhas, sente alívio temporário e, depois, volta a enfrentar a mesma ansiedade. Esse alívio de curta duração funciona como um reforço para o comportamento, tornando-o cada vez mais automático. Com o tempo, o gesto passa a acontecer em diferentes contextos, mesmo sem um gatilho muito claro, e se transforma em um hábito consolidado, de difícil interrupção sem apoio ou mudança de rotina.
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Profissionais de saúde destacam que a onicofagia nem sempre está ligada a um transtorno psiquiátrico grave, mas pode sinalizar questões emocionais relevantes que merecem atenção. Quando o ato de roer unhas se torna frequente, causa danos físicos ou gera sofrimento psicológico, a orientação é buscar avaliação especializada. Estratégias como técnicas de manejo de ansiedade, acompanhamento psicológico e cuidados básicos com as unhas podem ajudar a reduzir o comportamento. Assim, observar esse hábito de perto permite identificar se ele está apenas ligado ao dia a dia agitado ou se indica a necessidade de cuidado maior com a saúde mental.