A capivara da Hersheys e o poder do cgi: quando o futebol vira cenário de surrealismo digital
A campanha da Capivara da Hersheys transformou uma simples ação de marketing em um fenômeno cultural dentro e fora dos estádios de futebol.
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A campanha da Capivara da Hersheys transformou uma simples ação de marketing em um fenômeno cultural dentro e fora dos estádios de futebol. Desde o início, a marca combinou tecnologia de FOOH (Fake Out-of-Home) e CGI para criar a ilusão de uma capivara gigante. Em alguns momentos, o público enxergou um inflável. Em outros, o animal pareceu feito de chocolate. A capivara interagia com torcedores, câmeras e estruturas dos estádios de forma divertida. Como resultado, a ação gerou um dos exemplos mais comentados de publicidade esportiva recente. A campanha borrava de propósito o limite entre realidade e ficção para estimular conversa, compartilhamento e curiosidade.
O contexto favoreceu a repercussão. O futebol brasileiro vive uma fase em que gramados, telões e arquibancadas se tornaram grandes vitrines para marcas. Nesse cenário saturado, a presença inesperada de uma capivara gigante e aparentemente real chamou atenção no meio da transmissão. Além disso, o público consumiu os vídeos nas redes sociais com enorme interesse. As pessoas se depararam com cenas que pareciam registros ao vivo. No entanto, a equipe de produção criou tudo em pós-produção digital cuidadosamente planejada. Assim, a marca gerou surpresa e um estranhamento controlado.
A Capivara da Hersheys e o poder do CGI no futebol
A peça central da ação utilizou CGI (Computer-Generated Imagery) para inserir a capivara em imagens de estádios de futebol de forma verossímil. A animação digital dialogou com as estruturas físicas, como arquibancadas, placas de publicidade e gramado. A equipe simulou sombra, luz e movimento coerentes com o ambiente real. Esse cuidado visual levou muitos espectadores a acreditar em uma ativação física. Para muitos, a cena lembrava um grande boneco inflável montado ao lado do campo.
Nesse ponto, o FOOH ganhou protagonismo. Em vez de instalar um objeto gigantesco no estádio, a marca decidiu criar uma ilusão de mídia externa que só existia nas telas. Ainda assim, o público recebeu o material como se alguém tivesse registrado tudo ali, diante da torcida. O conteúdo circulou como flagrante de torcedores ou como imagens da transmissão esportiva. Dessa forma, a ação ampliou a sensação de espontaneidade. Essa mistura de real e virtual representa uma marca forte das ações de FOOH mais recentes. Elas buscam criar momentos fotografáveis sem ocupar fisicamente o espaço urbano.
Por que a capivara virou símbolo perfeito para a campanha?
A equipe não escolheu a capivara como protagonista por acaso. O animal é nativo de várias regiões do Brasil e já ocupa o imaginário popular. As pessoas associam a capivara à tranquilidade e à convivência pacífica com ambientes urbanos e naturais. Além disso, o animal já aparece com frequência em memes e conteúdos de humor nas redes sociais. Ao adotar a capivara como personagem, a Hersheys se conectou a um símbolo reconhecido e afetivo para o público brasileiro. Assim, a marca reforçou a percepção de proximidade cultural.
No futebol, essa identificação ganhou ainda mais força. Torcedores de diferentes clubes costumam ver referências regionais, mascotes e personagens folclóricos nas arquibancadas. Portanto, a aparição de uma capivara gigante, que parecia passear pelo estádio ou interagir com as câmeras, dialogou com esse imaginário coletivo. O público passou a enxergar o animal como um tipo de mascote extraoficial. A capivara não defendia um time específico. Em vez disso, o personagem representava um jeito brasileiro de enxergar o esporte. Esse jeito valoriza leveza, bom humor e abertura para piadas internas.
- Animal típico: reforça a identidade nacional.
- Figura já popular em memes: facilita o compartilhamento espontâneo.
- Visual amigável: permite campanhas para diferentes faixas etárias.
- Associação com o lazer: combina com chocolate e momentos de torcida.
Como o surrealismo digital aumentou o alcance nas redes sociais?
A estratégia de surrealismo digital usada na campanha da capivara da Hersheys se apoia em uma lógica simples. Em um feed dominado por anúncios convencionais, uma imagem que parece real, mas tem algo claramente fora da escala, quebra o padrão e desperta curiosidade imediata. Assim, o público interrompe o scroll, assiste de novo, compartilha e comenta. Muitos tentam entender se é de verdade ou montagem.
Esse tipo de estranhamento programado gera:
- Alto potencial de viralização, pois o conteúdo incentiva a discussão sobre como a equipe produziu o vídeo.
- Alcance orgânico ampliado, já que o compartilhamento parte de torcedores, criadores de conteúdo e páginas de humor.
- Reaproveitamento em diferentes formatos, como cortes curtos, gifs, stickers e memes estáticos.
Além disso, o uso de um cenário de futebol reforça um ambiente naturalmente propício a emoções coletivas. Quando a capivara gigante parece reagir a um gol, olhar para a câmera ou interagir com a torcida, o conteúdo se encaixa perfeitamente no clima de jogo. Desse modo, a peça se torna parte da narrativa daquele dia. O resultado mostra um tipo de propaganda que se disfarça de registro espontâneo. Portanto, a campanha escapa da rejeição típica a anúncios invasivos.
Humor, regionalismo e transformação em meme cultural
Do ponto de vista criativo, a campanha da capivara da Hersheys combinou humor e regionalismo como motores de engajamento. O humor aparece na própria ideia de um animal gigante tomando conta do estádio. As cenas exibem situações improváveis, mas tratadas com naturalidade. Já o regionalismo surge na escolha da capivara como ícone brasileiro e na ambientação nos estádios. O jeito como torcedores narraram e comentaram o conteúdo nas redes reforçou esse aspecto local.
Essa combinação ajudou a transformar o vídeo publicitário em um meme cultural. Rapidamente, fãs começaram a editar a capivara em outros contextos. O personagem recebeu apelidos, ganhou artes de fãs e apareceu em montagens com clubes e lances históricos. Em vez de limitar a comunicação a um slogan, a marca entregou um personagem e um universo visual completo. As equipes de marketing agora podem reaproveitar esse universo em novas campanhas, produtos licenciados e ativações em dias de jogos. Assim, a marca mantém o interesse do público por mais tempo.
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- Ação FOOH com aparência de registro real no estádio.
- Uso intensivo de CGI para dar credibilidade ao surrealismo.
- Escolha de um animal-símbolo brasileiro como protagonista.
- Exploração do futebol como palco emocional e coletivo.
- Conversão em meme, com participação ativa dos torcedores na narrativa.
Ao reunir tecnologia, criatividade e compreensão do imaginário popular em torno do futebol, a campanha da capivara da Hersheys mostrou como o CGI e o FOOH podem ir além da exibição de produto. A marca explorou o potencial do surrealismo digital para criar um momento cultural compartilhado. Nesse processo, a propaganda se mistura à experiência do torcedor, às conversas nas redes e à construção de um personagem memorável. Assim, a capivara permanece na memória muito depois do apito final.