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Obesidade em homens e mulheres: como o corpo reage de forma diferente e quais são os riscos à saúde

Obesidade afeta homens e mulheres de forma distinta: entenda os riscos à saúde, hormônios, coração e prevenção personalizada para viver mais

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A obesidade afeta homens e mulheres de forma diferente. No entanto, esses contrastes nem sempre aparecem em conversas do dia a dia. Estudos recentes mostram que o tipo de gordura acumulado no corpo, bem como o local onde ele se deposita, altera o risco de doenças para cada gênero. Dessa forma, entender essas particularidades ajuda a planejar ações mais eficientes de prevenção e cuidado.

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Médicos e pesquisadores descrevem um cenário complexo, mas possível de explicar em linguagem simples. Em geral, homens acumulam mais gordura na região abdominal. Já muitas mulheres concentram o excesso em quadris, coxas e glúteos, sobretudo antes da menopausa. Essa diferença de padrão não se resume à estética. Pelo contrário, ela interfere diretamente em hormônios, circulação e metabolismo ao longo da vida.

Obesidade – depositphotos.com / AndrewLozovyi

Como a distribuição de gordura interfere nos riscos para cada gênero?

Especialistas falam em dois tipos principais de gordura: gordura visceral e gordura subcutânea. A gordura visceral envolve órgãos internos, como fígado, pâncreas e intestino. Já a gordura subcutânea fica logo abaixo da pele. Em exames de imagem, essa distinção aparece com clareza. Em consultórios, porém, a medida da circunferência abdominal já oferece pistas importantes.

Homens tendem a acumular mais gordura visceral. Assim, apresentam mais frequentemente o chamado formato maçã, com abdômen proeminente. Mulheres, principalmente em idade reprodutiva, exibem com maior frequência o formato pera, com concentração de gordura subcutânea em quadris e coxas. Esse padrão protege parcialmente o coração feminino até a menopausa, embora não elimine riscos. Após essa fase, o corpo da mulher passa por mudanças hormonais e o acúmulo de gordura abdominal se torna mais comum.

A gordura visceral libera substâncias inflamatórias em grande quantidade. Por isso, esse tipo de acúmulo aumenta a resistência à insulina, altera o colesterol e favorece a pressão alta. A gordura subcutânea, por outro lado, apresenta comportamento metabólico menos agressivo. Ainda assim, o excesso também sobrecarrega articulações, pulmões e fígado. O quadro varia de pessoa para pessoa, mas os padrões por gênero já se encontram bem descritos na literatura científica.

Obesidade – depositphotos.com / Javidestock

Obesidade, coração e hormônios: quem corre mais risco?

No campo cardiovascular, homens com obesidade enfrentam maior incidência de infarto em idades mais precoces. A combinação de gordura visceral, pressão alta e alterações de colesterol explica parte desse cenário. Além disso, a queda de testosterona aparece com frequência nesses pacientes. Esse hormônio participa do controle da massa muscular, da distribuição de gordura e da sensibilidade à insulina. Com a obesidade, os níveis de testosterona diminuem, e esse desequilíbrio favorece ainda mais o acúmulo de gordura abdominal, formando um ciclo difícil de romper.

Entre mulheres, a obesidade se relaciona com problemas cardiovasculares, porém em ritmo diferente. Até a menopausa, o estrogênio oferece certa proteção às artérias. Contudo, o excesso de peso reduz essa vantagem. A pressão sobe, o colesterol se desorganiza e o risco de trombose aumenta. Após a menopausa, o perfil de risco da mulher se aproxima do masculino, sobretudo quando a gordura se concentra no abdômen. Assim, o monitoramento da circunferência abdominal ganha relevância também para o público feminino mais velho.

No campo hormonal, as diferenças se tornam ainda mais evidentes. Mulheres com obesidade apresentam maior probabilidade de desenvolver síndrome do ovário policístico (SOP). Essa condição envolve ciclos menstruais irregulares, aumento de hormônios androgênicos e dificuldade para engravidar em muitos casos. A obesidade agrava a resistência à insulina, o que intensifica os sintomas da SOP. Dessa forma, endocrinologistas costumam incluir a redução de peso como parte importante do tratamento.

Metabolismo masculino e feminino reage de forma diferente às doenças crônicas?

O metabolismo masculino responde de modo peculiar à obesidade. Em muitos homens, a perda de massa muscular ocorre de forma acelerada. Com menos músculo, o corpo gasta menos energia em repouso. Essa redução favorece novos ganhos de peso mesmo com pequenas variações na alimentação. Ao mesmo tempo, a resistência à insulina cresce e o risco de diabetes tipo 2 aumenta. Assim, a obesidade se associa a um conjunto de alterações que envolvem glicose, gordura no fígado e inflamação sistêmica.

Nas mulheres, o metabolismo interage com ciclos hormonais ao longo da vida. Na fase reprodutiva, o corpo tende a estocar energia para eventuais gestações. A obesidade, nesse contexto, amplifica o risco de diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e complicações no parto. Mais tarde, com a chegada da menopausa, a queda do estrogênio modifica a forma como o organismo distribui e queima gordura. Muitas mulheres relatam ganho de peso abdominal nesse período, o que aproxima o perfil de risco cardiovascular daquele observado em homens.

Doenças crônicas como diabetes tipo 2, hipertensão e apneia do sono aparecem tanto em homens quanto em mulheres com obesidade. Entretanto, a evolução e as complicações podem seguir trajetórias diferentes. Homens apresentam maior prevalência de esteatose hepática grave, por exemplo. Mulheres, por sua vez, enfrentam maior incidência de alguns tipos de câncer relacionados a hormônios, como o câncer de endométrio, em associação com o excesso de peso. Em ambos os casos, a obesidade atua como fator de pressão contínua sobre o organismo.

Como personalizar a prevenção da obesidade em homens e mulheres?

Profissionais de saúde reforçam a necessidade de estratégias personalizadas de prevenção. Em homens, o foco recai com frequência na redução da gordura visceral e na recuperação da massa muscular. Assim, programas de atividade física com treino de força, aliados a ajustes na alimentação, ganham destaque. Além disso, o acompanhamento de testosterona, pressão arterial e perfil lipídico ajuda a detectar desequilíbrios ainda em fase inicial.

Para mulheres, a prevenção considera fases específicas da vida. Na adolescência, o objetivo envolve controlar o ganho de peso para reduzir o risco de síndrome do ovário policístico e de irregularidades menstruais. Durante a idade fértil, o acompanhamento do peso contribui para gestações mais seguras. Já na transição para a menopausa, o cuidado com a circunferência abdominal e com a saúde óssea passa a integrar a rotina de consultas. Em todas essas etapas, o diálogo sem estigmas favorece a adesão ao tratamento.

Apesar das diferenças, alguns pilares se mantêm para ambos os gêneros. Entre eles, especialistas destacam:

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  • Alimentação equilibrada, com prioridade para alimentos in natura e redução de ultraprocessados;
  • Atividade física regular, combinando exercícios aeróbicos e de força;
  • Sono de qualidade, com horários regulares e ambiente adequado;
  • Acompanhamento médico periódico, com exames laboratoriais e avaliação de riscos;
  • Apoio psicológico, quando necessário, para lidar com hábitos e emoções ligados à alimentação.

Ao observar a obesidade sob o prisma das diferenças entre homens e mulheres, a discussão se afasta de rótulos e aproxima-se da ciência. Essa abordagem permite que cada pessoa receba orientações compatíveis com seu corpo, sua fase de vida e seu contexto social. Dessa maneira, a prevenção personalizada se torna um caminho concreto para ampliar a longevidade com mais autonomia e saúde.

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