Diogo Venturieri, ex-Malhação, comenta novas formas de masculinidade, crítica pressão estética e adota o termo retrossexual
Diogo Venturieri, ex-Malhação, se define como retrossexual e comenta novos padrões estéticos masculinos.O ator Diogo Venturieri, conhecido pelo público desde Malhação, voltou ao debate sobre comportamento masculino
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Diogo Venturieri, conhecido do público desde a época de Malhação, voltou ao debate público de forma inesperada. Aos 43 anos, o ator comentou em uma entrevista recente como enxerga as mudanças no comportamento masculino contemporâneo. Ele afirmou que não se vê representado pelos modelos atuais de masculinidade, sobretudo no que diz respeito à estética e às formas de expressão pessoal.
Durante a conversa, Venturieri comentou que observa um cenário masculino mais diverso, mas não se sente parte desse movimento. Segundo ele, muitos homens hoje valorizam cuidados que envolvem aparência, moda e exposição nas redes sociais. Ele, porém, prefere outro caminho e, por isso, passou a se definir com um termo próprio: retrossexual.
O que Diogo Venturieri quer dizer com retrossexual?
O ator usa a palavra retrossexual para indicar um estilo mais ligado a hábitos considerados tradicionais. Ele associa essa autodefinição a um comportamento masculino menos voltado para tendências de moda e para a busca constante de atualização visual. Em vez disso, prioriza rotinas simples, com pouca interferência estética e menor exposição da intimidade.
Ao adotar esse rótulo, Venturieri deixa claro que fala de uma escolha pessoal. Ele não propõe um modelo para outros homens nem aponta um padrão ideal. O termo surge, portanto, como uma forma de organizar a própria identidade. Dessa maneira, o ator encontra um jeito de nomear a sensação de desajuste em relação ao que enxerga como masculinidade dominante hoje.
Retrossexual é um conceito científico ou cultural?
O próprio Venturieri trata o retrossexual como uma construção cultural, e não como um conceito científico. A palavra aparece em contextos informais, em entrevistas e conversas públicas, sem respaldo em pesquisas acadêmicas consolidadas. Assim, o termo entra no vocabulário cotidiano mais como etiqueta simbólica do que como categoria sociológica.
Em termos práticos, expressões como essa costumam surgir para dar nome a percepções difusas. Homens que não se identificam com certos hábitos contemporâneos encontram, nessas palavras, uma forma de se posicionar. Ainda assim, especialistas em gênero e comportamento destacam que essas classificações possuem limites. Elas simplificam realidades complexas e não abrangem toda a diversidade de experiências masculinas.
Como o retrossexual se relaciona com metrosexualidade e novas masculinidades?
O debate em torno do retrossexual ganha força porque dialoga com outras expressões já conhecidas. A mais famosa delas, nos anos 2000, foi a metrosexualidade. Esse termo ficou associado a homens que investiam tempo e dinheiro em cuidados com a pele, cabelo, roupas e aparência em geral. Celebridades, jogadores de futebol e influenciadores ajudaram a popularizar essa imagem.
Com o tempo, surgiram novas formas de entender o que significa ser homem. Hoje, conversas sobre paternidade ativa, saúde mental e liberdade emocional ocupam mais espaço. Muitos homens passaram a questionar cobranças antigas, como o incentivo ao silêncio sobre sentimentos ou a exigência de força constante. Paralelamente, mudanças na moda e na cultura pop ampliaram o leque de referências de masculinidade.
Nesse cenário, o retrossexual de Venturieri aparece como reação pessoal a esse conjunto de transformações. Ele se distancia de práticas ligadas a um visual altamente produzido e a uma presença intensa nas redes. Em vez disso, reforça um jeito mais discreto, que ele associa ao que considera de antes. O termo, assim, se encaixa em uma conversa mais ampla sobre conflitos geracionais e expectativas sociais.
Quais aspectos da masculinidade contemporânea entram em debate?
A fala de Diogo Venturieri toca em temas que muitas pessoas já discutem em casa, no trabalho e na internet. Entre esses pontos, ganham destaque:
- A pressão por uma aparência sempre atualizada.
- O aumento do consumo de cosméticos, roupas e procedimentos por homens.
- A exposição constante da vida pessoal em redes sociais.
- A flexibilização de códigos de vestimenta e comportamento.
- A revisão de papéis de gênero em família e no trabalho.
Essas mudanças não afetam todos da mesma forma. Alguns homens se sentem mais à vontade com a variedade de estilos e expressões. Outros, porém, relatam estranhamento ou desconforto diante de tantas possibilidades. Venturieri se coloca nesse segundo grupo e, por isso, utiliza o rótulo retrossexual para marcar posição.
Opinião pessoal ou retrato da sociedade?
Apesar de dialogar com debates atuais, a fala do ator mantém caráter pessoal. Ele descreve a própria experiência, suas preferências e limites. Em nenhum momento apresenta estudos ou dados para generalizar suas percepções. Dessa forma, o relato funciona como um recorte específico dentro de um quadro social muito mais amplo.
Para pesquisadores e analistas, casos como esse ajudam a observar como as pessoas lidam com transformações culturais. As palavras que surgem, desaparecem ou mudam de sentido revelam tensões e ajustes em curso. Termos como metrosexual, novo homem e, agora, retrossexual indicam negociações constantes sobre o que a sociedade entende como masculinidade aceitável.
O que essas novas expressões revelam sobre a cultura atual?
A criação e circulação de rótulos para descrever homens refletem uma sociedade em permanente mudança. À medida que surgem novos estilos de vida, também aparecem novas formas de nomeá-los. As pessoas utilizam essas etiquetas para se localizar em meio a expectativas diversas e, muitas vezes, contraditórias.
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No caso de Diogo Venturieri, o retrossexual explicita um esforço para afirmar identidade em um ambiente de rápidas transformações. O termo indica resistência a certas tendências, mas também revela atenção a esse cenário em movimento. Em última análise, o debate mostra que linguagem e comportamento caminham juntos. Quando os modos de ser homem mudam, as palavras que descrevem essa condição também se transformam, acompanhando um processo mais amplo de revisão de papéis e valores na sociedade contemporânea.