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Por que a obesidade pode reduzir a eficácia das vacinas e o que as células dos pulmões têm a ver com isso

Nos últimos anos, diversos estudos científicos mostram que a obesidade não afeta apenas o risco de doenças crônicas.

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Nos últimos anos, diversos estudos científicos mostram que a obesidade não afeta apenas o risco de doenças crônicas. Ela também interfere na forma como o organismo responde às vacinas. Pesquisas em humanos e em modelos animais indicam que pessoas com excesso de peso produzem menos anticorpos após a vacinação. Como resultado, a proteção contra infecções costuma ficar abaixo do esperado. Além disso, desde as campanhas de vacinação em massa contra a gripe e a covid-19, cientistas analisam essa relação entre obesidade e imunização com muito mais cuidado.

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Os cientistas observam que, mesmo quando indivíduos com obesidade completam o esquema vacinal, o sistema imunológico responde de maneira diferente. Em comparação com pessoas com peso dentro da faixa considerada saudável, essa resposta tende a ser menos robusta. Em vários casos, os níveis de anticorpos caem mais rapidamente ao longo do tempo. Por isso, muitos especialistas defendem atenção maior à necessidade de reforços vacinais. Ao mesmo tempo, pesquisas recentes sugerem que outras células de defesa tentam compensar parte dessa deficiência. Em especial, as células que atuam nos pulmões podem assumir um papel relevante para limitar a gravidade das infecções.

Por que a obesidade pode reduzir a eficácia das vacinas?

A palavra-chave para entender esse fenômeno é inflamação crônica. Na obesidade, o tecido adiposo não serve apenas como reserva de energia. Ele se transforma em um órgão metabolicamente ativo e libera diversas substâncias inflamatórias na circulação. Dessa forma, o organismo entra em um estado inflamatório constante. Esse cenário desorganiza o sistema imunológico e reduz sua eficiência. Assim, ele responde de forma menos rápida e específica a um estímulo, como a aplicação de uma vacina.

Diversos estudos indicam que esse ambiente inflamatório altera o funcionamento de linfócitos B e T. Essas células desempenham papel fundamental na produção de anticorpos e na memória imunológica. Além disso, problemas associados à obesidade também interferem na imunidade. Entre eles, podemos citar a resistência à insulina, as alterações hormonais e o acúmulo de gordura no fígado. Esses fatores prejudicam a comunicação entre as células de defesa e desregulam várias etapas da resposta imune. Com isso, o organismo até reconhece a vacina, mas gera uma resposta mais fraca ou menos duradoura. Em alguns casos, esse conjunto de alterações ainda favorece infecções mais graves e recuperação mais lenta.

pulmão – depositphotos.com / HayDmitriy

Como a obesidade afeta a produção de anticorpos após a vacinação?

Em geral, pesquisadores medem a eficácia de uma vacina por vários parâmetros. Entre eles, destacam-se a quantidade e a qualidade dos anticorpos produzidos após a aplicação. Em pessoas com obesidade, vários trabalhos científicos descrevem:

  • Resposta inicial de anticorpos mais baixa em comparação a indivíduos sem obesidade;
  • Queda mais rápida dos níveis de anticorpos ao longo dos meses;
  • Produção de anticorpos com menor capacidade de neutralizar vírus ou bactérias.

Pesquisadores já documentaram esse comportamento em estudos com vacinas contra influenza, hepatite B e, mais recentemente, contra o coronavírus. Em parte, esse efeito decorre de alterações nas estruturas que afinam e aprimoram os anticorpos. Essas estruturas se chamam centros germinativos e se localizam nos linfonodos e no baço. Na obesidade, esses locais funcionam de forma menos organizada. Assim, várias etapas importantes do processo de maturação das células B sofrem prejuízo.

Outro ponto importante envolve a formação da memória imunológica. Mesmo quando a resposta inicial parece razoável, alguns estudos sugerem redução na qualidade da memória imune. Em pessoas com excesso de gordura corporal, as células de memória podem surgir em menor quantidade. Além disso, elas podem atuar de forma menos eficiente em contatos futuros com o mesmo microrganismo. Essa limitação ajuda a explicar por que reforços vacinais assumem importância especial nessa população. Dessa forma, doses adicionais podem prolongar a proteção e reduzir o risco de formas graves de doenças infecciosas.

Qual é o papel das células imunológicas nos pulmões nesse processo?

Apesar das falhas na produção de anticorpos, a resposta imune de pessoas com obesidade não se limita a esse componente. A imunidade também envolve células que atuam diretamente nos tecidos. Entre esses locais, os pulmões se destacam, pois representam a principal porta de entrada de vírus respiratórios. Estudos em animais e análises de amostras humanas mostram um aspecto interessante. Em algumas situações, células como linfócitos T residentes em tecidos e macrófagos pulmonares tentam compensar a menor quantidade de anticorpos circulantes.

Essas células permanecem estrategicamente posicionadas nas vias aéreas e no parênquima pulmonar. Elas se mantêm prontas para reconhecer agentes infecciosos com rapidez. Mesmo quando o sangue apresenta títulos de anticorpos reduzidos, um contingente maior ou mais ativo de células de defesa nos pulmões pode limitar a gravidade de infecções. Assim, o organismo ainda consegue controlar parte da replicação viral e reduzir complicações respiratórias. Pesquisadores investigam se a obesidade provoca ajustes na composição dessas células locais. Dessa maneira, o organismo realizaria uma espécie de reorganização da defesa imunológica para lidar com o estado inflamatório crônico.

  • Macrófagos pulmonares: removem partículas virais, restos celulares e coordenam a ativação de outras células de defesa;
  • Linfócitos T residentes: reconhecem rapidamente o patógeno, liberam substâncias que controlam a infecção e auxiliam outras células imunes;
  • Células dendríticas: capturam antígenos nos pulmões e fazem a ponte entre o que ocorre nos tecidos e a ativação mais ampla do sistema imune.

Mesmo assim, os especialistas destacam que essa compensação local não substitui completamente a proteção conferida por níveis adequados de anticorpos. Portanto, a combinação entre resposta humoral, que envolve os anticorpos, e resposta celular nos pulmões se mostra fundamental. Essa integração aumenta as chances de uma proteção mais sólida contra infecções respiratórias e reduz hospitalizações.

O que os estudos indicam para a prática em saúde pública?

Com a crescente prevalência de obesidade no Brasil e no mundo, compreender como ela modifica a resposta às vacinas assume papel central em saúde pública. Diversos pesquisadores discutem estratégias para enfrentar esse desafio. Entre elas, surgem propostas como ajustes de dose, esquemas de reforço mais frequentes e até formulações específicas para grupos com maior risco de resposta imune reduzida. No entanto, até o momento, as autoridades de saúde mantêm uma orientação principal. Elas recomendam que pessoas com obesidade mantenham a vacinação em dia, sem atrasos ou omissões. Isso ocorre porque esse grupo enfrenta maior risco de formas graves de várias infecções.

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Profissionais de saúde também intensificam o acompanhamento da cobertura vacinal nessa população. Sempre que possível, eles estimulam a adesão a doses adicionais em campanhas específicas. Além disso, serviços de saúde buscam integrar ações de vacinação com acompanhamento clínico regular. Nesse contexto, medidas voltadas ao controle de peso entram como parte essencial da estratégia. A combinação entre imunização adequada, controle de doenças associadas e mudanças no estilo de vida pode reduzir os impactos da obesidade sobre a imunidade. Enquanto novas pesquisas procuram entender com mais precisão o papel das células pulmonares e de outros componentes do sistema imunológico, o foco permanece claro. As equipes de saúde trabalham para ampliar o acesso às vacinas e adaptar as estratégias de proteção às diferentes realidades de cada grupo populacional.

Perda de peso -depositphotos.com / DmitriyAnaniev

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