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Carne na brasa e o corpo: os impactos do churrasco no fígado, no colesterol e no sistema cardiovascular

O churrasco faz parte da rotina de muitas famílias e aparece em encontros sociais em diferentes regiões do país.

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O churrasco faz parte da rotina de muitas famílias e aparece em encontros sociais em diferentes regiões do país. No entanto, a frequência desse hábito desperta atenção de profissionais de saúde por causa dos possíveis efeitos no fígado, no colesterol e em todo o sistema cardiovascular. Estudos recentes indicam que o problema não envolve apenas a carne vermelha em si, mas também a forma de preparo e a quantidade consumida ao longo do tempo.

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Especialistas em nutrição e cardiologia analisam como o consumo de carne assada em altas temperaturas contribui para alterações metabólicas importantes. Entre os principais pontos de alerta aparecem as gorduras saturadas, os compostos químicos formados na grelha muito quente e a presença de carne processada, como linguiças e salsichões. Esses fatores, quando se combinam, ampliam riscos de doenças hepáticas e cardiovasculares, sobretudo quando a pessoa faz churrasco com frequência e equilibra pouco a refeição com outros alimentos.

Como as gorduras saturadas do churrasco afetam o fígado e o colesterol?

A carne de churrasco, principalmente cortes gordurosos de boi, porco e algumas linguiças, concentra muita gordura saturada. Esse tipo de gordura tende a aumentar os níveis de colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim. Além disso, em muitos casos, reduz o colesterol HDL, que ajuda a remover gordura da circulação. Com o tempo, esse desequilíbrio favorece o depósito de placas de gordura nas artérias. Esse processo se associa a infarto, AVC e outras doenças do sistema cardiovascular.

No fígado, o excesso de gordura saturada estimula o acúmulo de gordura nas células hepáticas. Assim, a pessoa aumenta o risco de desenvolver esteatose hepática, popularmente chamada de gordura no fígado. Pesquisas relacionam dietas muito ricas em carne vermelha e gordurosa a maior prevalência dessa condição. Esse risco cresce ainda mais quando o indivíduo mantém sedentarismo e consome bebida alcoólica, algo bastante comum em churrascos de fim de semana.

Além disso, refeições muito pesadas em carnes gordas aumentam a carga metabólica sobre o fígado. O órgão precisa atuar de forma intensa na digestão de lipídeos, na produção de bile e no processamento de substâncias presentes nas carnes e nos temperos. Em pessoas com predisposição genética ou doenças pré-existentes, esse esforço adicional acelera a progressão de quadros hepáticos silenciosos.

Colesterol alto aumenta risco de doenças cardíacas -depositphotos.com / johnkwan

O que acontece com a carne quando vai para a brasa?

O preparo de carne em temperaturas muito elevadas, como na brasa ou na grelha, leva à formação de compostos químicos que a ciência investiga de forma crescente. Entre eles, destacam-se as aminas heterocíclicas (AHs) e os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs). Esses compostos surgem quando a gordura pinga na brasa, gera fumaça e essa fumaça entra em contato direto com o alimento. Estudos associam o consumo frequente dessas substâncias a maior risco de alterações celulares, inflamação crônica e doenças cardiovasculares.

Quando a carne fica muito escurecida, especialmente com a superfície queimada, a concentração desses compostos aumenta ainda mais. A exposição prolongada a AHs e HPAs contribui para danos no endotélio, a camada interna dos vasos sanguíneos. Esse dano favorece a formação de placas e o endurecimento das artérias. Esse cenário, por sua vez, compromete a circulação e eleva as probabilidades de pressão alta, angina e outros problemas cardíacos ao longo dos anos.

No fígado, esses compostos seguem para metabolização e eliminação. Esse processo envolve sistemas enzimáticos hepáticos que enfrentam sobrecarga quando o contato acontece com muita frequência. Pesquisas indicam que dietas com alta presença de carnes churrascadas intensificam o estresse oxidativo no fígado. Essa situação facilita a progressão de doenças hepáticas em indivíduos suscetíveis. Além disso, o aumento de inflamação sistêmica influencia o controle do colesterol e da pressão arterial.

Quais são os riscos do consumo excessivo de carne vermelha e processada?

As principais diretrizes internacionais de saúde, como as da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de sociedades de cardiologia, apontam que o consumo elevado de carne vermelha e, sobretudo, de carnes processadas aumenta o risco de doenças cardiovasculares e de mortalidade por causas ligadas ao coração e à circulação. Linguiças, salsichões, cortes defumados e embutidos usados em churrascos concentram altos teores de sal, gorduras saturadas e aditivos químicos, como nitritos e nitratos.

O excesso de sal contribui diretamente para a hipertensão arterial, um dos principais fatores de risco para infartos e AVCs. Já os nitritos e nitratos, quando expostos a altas temperaturas, formam compostos como as nitrosaminas. Pesquisadores investigam essas substâncias por sua ação potencialmente tóxica e pela relação com processos inflamatórios. Em conjunto, esses elementos criam um ambiente muito desfavorável à saúde cardiovascular e ao equilíbrio hepático.

Além do impacto direto no coração e no fígado, a ingestão elevada de carne vermelha e processada costuma vir acompanhada de baixa ingestão de fibras, vegetais e frutas. Essa combinação desequilibra a dieta diária. A falta de fibras prejudica o controle do colesterol e do açúcar no sangue, além de afetar a flora intestinal. Esses fatores influenciam tanto a saúde cardiovascular quanto o funcionamento adequado do fígado. Por consequência, a pessoa aumenta o risco de síndrome metabólica, obesidade e diabetes tipo 2.

É possível manter o churrasco reduzindo os impactos na saúde?

Profissionais de saúde sugerem ajustes simples para diminuir os riscos associados ao churrasco frequente, sem eliminar totalmente o hábito. Uma das estratégias principais consiste em priorizar cortes com menos gordura visível e alternar carne vermelha com frango e peixes. Esses alimentos geralmente possuem menor teor de gorduras saturadas e, no caso de alguns peixes, fornecem ômega 3, que protege o coração. Além disso, a inclusão de saladas, legumes grelhados e frutas na mesma refeição equilibra o prato e aumenta a ingestão de fibras e antioxidantes.

Outra orientação recorrente envolve evitar que a carne fique queimada ou muito escurecida. Nesse sentido, algumas medidas sugeridas por nutricionistas e pesquisadores incluem:

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  • Controlar a distância entre a carne e o fogo para reduzir o contato direto com chamas;
  • Virar os pedaços com frequência, impedindo a formação de crostas carbonizadas;
  • Retirar partes queimadas antes do consumo;
  • Usar marinadas com ervas, alho, limão e azeite, que reduzem a formação de certos compostos durante o cozimento;
  • Limitar a presença de linguiças, salsichões e outros embutidos na grelha.

Também se recomenda observar com atenção a frequência com que o churrasco aparece na rotina. Quando essa prática se torna semanal ou ainda mais frequente, o impacto acumulado no fígado, no colesterol e no sistema cardiovascular cresce de forma relevante. Em contrapartida, a combinação de alimentação variada, prática regular de atividade física e acompanhamento médico periódico oferece suporte importante para manter exames de função hepática e perfil lipídico dentro de faixas seguras. Além disso, reduzir o consumo de álcool durante o churrasco contribui para proteger o fígado e o coração a longo prazo.

fígado – depositphotos.com / Tharakorn

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