Desenhar na infância pode fortalecer memória e aprendizado, apontam estudos científicos
pesquisas em educação e neurociência indicam que rabiscos, figuras simples e histórias em quadrinhos que crianças criam podem ter papel importante na memória e no aprendizado. Veja como desenhar na infância pode ser benefício, segundo estudos.
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Há alguns anos, o desenho infantil era visto principalmente como passatempo. No entanto, atualmente pesquisas em educação e neurociência indicam que rabiscos, figuras simples e histórias em quadrinhos que crianças criam podem ter papel importante na memória e no aprendizado. Estudos recentes apontam que o ato de desenhar ativa diferentes áreas do cérebro ao mesmo tempo. Ou seja, favorecem a retenção de conteúdo e o desenvolvimento de habilidades cognitivas centrais para a vida escolar.
Em escolas públicas e particulares, projetos que incorporam o desenho ao estudo de ciências, história e língua portuguesa vêm ganhando espaço. Professores relatam que alunos que transformam conteúdos em mapas visuais, esquemas ilustrados ou pequenas histórias desenhadas tendem a recordar melhor o que foi visto em sala. Pesquisadores destacam que esse efeito não está ligado ao talento artístico, mas ao processo de pensar com imagens e palavras de forma articulada.
Como o desenho contribui para o desenvolvimento cognitivo?
Pesquisas em psicologia cognitiva indicam que o hábito de desenhar na infância está associado a melhorias em atenção, memória de trabalho e capacidade de planejamento. Ao transformar uma ideia abstrata em imagem, a criança precisa selecionar informações relevantes, organizar sequências e estruturar mentalmente o que pretende registrar no papel. Esse esforço de organização mental fortalece funções executivas, importantes para estudar, resolver problemas e lidar com tarefas complexas.
Estudos publicados em periódicos internacionais mostram que crianças que utilizam desenho para resumir histórias ou conteúdos escolares lembram, em média, mais detalhes do que aquelas que apenas escutam ou leem o material. O desenho funciona como uma espécie de ensaio mental: enquanto decide o que colocar na folha, a criança revisita o conteúdo, faz conexões e reforça as informações mais importantes. Isso contribui para a consolidação da memória e para a compreensão mais profunda de conceitos.
Além disso, o desenho favorece a criatividade ao permitir que a criança explore diferentes formas de representar uma mesma ideia. Ao imaginar cenários, personagens e símbolos, o estudante experimenta caminhos variados para resolver problemas, o que se relaciona a um pensamento mais flexível. Essa combinação de memória mais forte e criatividade ampliada cria um terreno favorável para o aprendizado em diversas áreas do conhecimento.
Desenho e memória: o que dizem os estudos sobre dupla codificação?
Um dos mecanismos mais citados em pesquisas sobre desenho e aprendizado é a chamada dupla codificação. A teoria, bastante difundida na psicologia cognitiva, sugere que o cérebro processa informações por meio de dois sistemas complementares: um verbal, ligado a palavras e linguagem; e outro não verbal, associado a imagens e representações visuais. Quando a criança desenha um conteúdo estudado, ativa esses dois sistemas ao mesmo tempo.
Nessa perspectiva, desenhar um conceito, como o ciclo da água ou a estrutura de uma célula, significa registrar a informação em dois códigos: o verbal, aprendido pela explicação do professor ou pela leitura, e o visual, criado pela própria criança. Pesquisas apontam que essa duplicidade aumenta as chances de recuperação futura do conteúdo, porque o cérebro passa a ter mais caminhos para acessar a mesma informação.
Estudos com exames de neuroimagem sugerem que atividades de desenho acionam áreas relacionadas a visão, movimento e memória, além de regiões ligadas ao planejamento e à linguagem. Esse padrão de ativação ampla indica que o desenho não é apenas um registro estático, mas um processo que envolve coordenação entre diferentes sistemas cerebrais. Para a educação, isso significa que o desenho pode atuar como ferramenta estratégica para reforçar o que é aprendido em sala de aula.
Quais são os benefícios do desenho para o aprendizado escolar?
Quando o desenho é incorporado às atividades escolares de forma planejada, diversos aspectos do desenvolvimento infantil podem ser favorecidos. Entre os benefícios apontados em estudos e relatórios educacionais, destacam-se:
- Desenvolvimento cognitivo: melhora na capacidade de atenção, no raciocínio lógico e na organização de ideias.
- Memória e retenção:
- Criatividade e imaginação:
- Coordenação motora fina:
- Organização do pensamento:
Na prática, professores utilizam o desenho em diferentes etapas da aprendizagem. Alguns exemplos observados em escolas brasileiras incluem:
- Desenhar cenas de um conto ou crônica para ajudar na compreensão de textos.
- Criar mapas conceituais ilustrados em disciplinas como geografia e ciências.
- Representar visualmente problemas de matemática, facilitando a compreensão das etapas.
- Produzir histórias em quadrinhos sobre temas da atualidade trabalhados em sala.
Essas estratégias não substituem a leitura, a escrita ou os exercícios tradicionais, mas funcionam como complemento que torna o conteúdo mais tangível para as crianças. Pesquisadores ressaltam que o desenho favorece, sobretudo, alunos que aprendem melhor com apoio visual, ampliando as formas de participação em sala de aula.
O papel do desenho na coordenação motora e na organização das ideias
Além dos ganhos ligados à memória e à criatividade, o desenho infantil contribui para a coordenação motora fina. O controle de traços, curvas, formas geométricas e detalhes exige precisão de movimentos, o que ajuda na preparação para a escrita manual. Em muitas turmas de educação infantil, atividades com lápis de cor, giz e pincel são utilizadas justamente para fortalecer musculatura e controle dos dedos.
No campo da organização do pensamento, o desenho atua como uma espécie de espelho das ideias da criança. Ao representar uma sequência de acontecimentos ou um conteúdo escolar, ela precisa decidir início, meio e fim, quais elementos são centrais e quais podem ficar em segundo plano. Esse processo favorece a construção de narrativas coerentes e a capacidade de explicar o que foi aprendido com mais clareza.
Especialistas em educação destacam que o desenho, porém, deve ser entendido como recurso complementar no processo de ensino. Ele enriquece a aprendizagem quando integrado a outras práticas, como leitura, debates, experimentos e produção de textos. Em vez de substituir atividades tradicionais, o desenho amplia as possibilidades de expressão e compreensão, contribuindo para que diferentes perfis de estudantes encontrem caminhos mais adequados para aprender.
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Dessa forma, o hábito de desenhar na infância deixa de ser apenas uma atividade recreativa e passa a ser reconhecido como aliado importante da memória, do aprendizado e do desenvolvimento global. Ao considerar pesquisas científicas e experiências em sala de aula, instituições de ensino tendem a incorporar o desenho de forma mais consciente, buscando equilibrar recursos visuais e verbais em benefício do percurso escolar das crianças.