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Nem vilã nem milagre: o que saber sobre os possíveis riscos da air fryer

A popularização da air fryer mudou o jeito de preparar alimentos em muitos lares brasileiros.

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A popularização da air fryer mudou o jeito de preparar alimentos em muitos lares brasileiros. As pessoas veem o aparelho, com frequência, como alternativa para reduzir o consumo de óleo e facilitar o dia a dia na cozinha. Ao mesmo tempo, pesquisas de órgãos de saúde e segurança do consumidor alertam para riscos menos evidentes. Esses riscos se ligam principalmente à formação de compostos químicos durante o preparo e ao desgaste de materiais internos do equipamento.

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Em vez de tratar a fritadeira elétrica como inimiga ou salvadora da alimentação, especialistas reforçam a importância do uso consciente. Isso envolve entender o que acontece com alguns alimentos sob altas temperaturas. Além disso, exige conhecer os limites de segurança dos revestimentos antiaderentes e manter cuidados simples de limpeza e ventilação. Com essas informações, o consumidor usa o aparelho de forma mais segura e mais alinhada à proteção da saúde.

O que é acrilamida e por que a air fryer pode favorecer sua formação?

acrilamida é uma substância química que surge em alimentos ricos em amido, como batata, pão, massas e alguns salgadinhos, quando expõem esses alimentos a altas temperaturas, geralmente acima de 120°C. Esse processo não depende especificamente da air fryer. Ele também ocorre em fornos, frituras por imersão e até em alguns tipos de assados. De acordo com entidades como a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), a acrilamida se classifica como provável agente carcinogênico para humanos, quando o consumo ocorre em níveis elevados e por longos períodos.

Na prática, esse composto aparece com mais frequência em alimentos muito escurecidos, crocantes ou queimados, principalmente quando ricos em carboidratos. Portanto, quanto maior a combinação de temperatura alta e tempo prolongado, maior a tendência de formação da acrilamida. Em air fryers, o risco aumenta quando o usuário escolhe temperaturas máximas por longos períodos para deixar os alimentos bem dourados. Nessas situações, o ganho de crocância pode vir acompanhado de mais acrilamida.

Como reduzir a acrilamida ao usar a air fryer na rotina?

Órgãos de saúde pública e agências regulatórias em diferentes países recomendam estratégias simples para diminuir a formação de acrilamida, sem abandonar o uso da air fryer. As orientações enfatizam o ajuste cuidadoso de tempo e temperatura. Além disso, sugerem priorizar um dourado suave em vez de um escurecimento intenso do alimento.

  • Preferir o dourado claro: Alimentos muito escuros ou queimados concentram mais acrilamida. Portanto, use a aparência como sinal visual para interromper o preparo no momento certo.
  • Controlar a temperatura: Para batatas e outros alimentos ricos em amido, muitas recomendações sugerem temperaturas em torno de 160°C a 180°C, em vez do máximo do aparelho.
  • Reduzir o tempo total: Fracione o preparo e verifique o ponto no meio do processo. Desse modo, você evita que o alimento passe do ponto.
  • Hidratar batatas antes do preparo: Estudos indicam que deixar batatas de molho em água por alguns minutos, e depois secar bem, pode diminuir a formação de acrilamida.
  • Evitar reaquecimentos repetidos: Quando você reaquece várias vezes os mesmos alimentos, intensifica o escurecimento e aumenta o risco de maior formação de acrilamida.

Essas medidas não eliminam completamente a acrilamida. No entanto, reduzem a exposição, em linha com as orientações de quanto menos, melhor que autoridades sanitárias adotam. Assim, a air fryer, quando você usa com moderação e controla bem a temperatura, se encaixa em uma rotina de preparo mais equilibrada.

air fryer_depositphotos.com / halocraft

Revestimentos antiaderentes: PTFE, PFOA e cuidados com o desgaste

Outra preocupação recorrente em estudos de segurança do consumidor envolve os revestimentos antiaderentes que cobrem cestos e gavetas de air fryers. Muitos modelos usam materiais como PTFE (politetrafluoretileno), popularmente conhecido por marcas comerciais de teflon. Já o PFOA (ácido perfluorooctanoico) sofreu forte restrição ou banimento em diversos países, por razões ambientais e de saúde.

A maioria dos fabricantes declara seguir limites de segurança para a produção desses revestimentos. Ainda assim, o uso intenso, os riscos na superfície ou o superaquecimento podem desgastar o material e liberar pequenas partículas. Para reduzir esse tipo de risco, órgãos de defesa do consumidor e agências regulatórias sugerem algumas práticas.

  • Evitar o uso de utensílios metálicos diretamente no cesto e, em vez disso, preferir espátulas e pegadores de silicone, nylon ou madeira.
  • Descartar ou substituir cestos com descascamento visível ou com partes internas soltas, pois esse dano aumenta o contato com partículas.
  • Respeitar a temperatura máxima indicada pelo fabricante e evitar ultrapassar o limite de segurança do revestimento.
  • Desconfiar de acessórios de procedência duvidosa, sem certificação ou sem especificação clara de materiais, principalmente quando o preço parece muito baixo.

No caso específico do PFOA, grande parte das marcas informa que não utiliza mais esse composto no revestimento, em resposta a acordos internacionais e diretrizes ambientais. Mesmo assim, especialistas recomendam atenção aos rótulos, manuais e certificações. Essa atenção se torna ainda mais importante em produtos antigos ou de origem pouco conhecida.

Ventilação, vapores de gordura e acessórios mais seguros

Além da questão dos revestimentos, outro aspecto exige cuidado: a inalação de vapores de gordura superaquecida. Quando você prepara alimentos com alto teor de gordura em temperaturas elevadas, o sistema de exaustão da air fryer libera partículas e vapores. Pesquisas sobre poluentes em ambientes internos mostram que cozinhas mal ventiladas acumulam fumaça e aerossóis de gordura. Por isso, várias entidades de saúde reforçam a importância da ventilação adequada.

Alguns cuidados simples aparecem com frequência em materiais educativos de órgãos de saúde e defesa do consumidor:

  1. Posicionamento adequado do aparelho: Mantenha a air fryer em superfície estável, longe de paredes e de cortinas, para facilitar a circulação de ar ao redor.
  2. Ambiente ventilado: Utilize o aparelho próximo a janelas abertas ou com exaustor ligado, principalmente em preparos que soltam mais fumaça.
  3. Uso de acessórios corretos: Cestos perfurados, grelhas internas e formas compatíveis com o aparelho auxiliam o escoamento da gordura e reduzem o acúmulo no fundo da gaveta.
  4. Evitar excesso de gordura adicionada: Em muitos casos, você não precisa colocar óleo extra. Se for usar, pequenas quantidades costumam bastar para obter boa textura.

Essas práticas favorecem um ambiente mais limpo e reduzem a exposição a partículas inaláveis. Essas partículas surgem em qualquer tipo de preparo de alimentos quentes, seja em fogões, fornos ou fritadeiras elétricas. Portanto, a ventilação adequada protege a saúde em diferentes formas de cozimento.

Higienização e manutenção: passos para um uso mais seguro e duradouro

A limpeza adequada da air fryer impacta diretamente a segurança e a durabilidade do aparelho. Restos de alimentos e gordura acumulados queimam a cada novo preparo e aumentam a fumaça, o cheiro forte e até o risco de superaquecimento localizado. Guias de consumo responsável listam alguns passos básicos para manter o equipamento em melhores condições.

  • Aguardar o resfriamento: Antes de lavar o cesto ou a gaveta, espere o aparelho esfriar para evitar choques térmicos que danificam o revestimento.
  • Usar detergente neutro e esponja macia: Produtos abrasivos e esponjas de aço riscam a superfície antiaderente e aceleram o desgaste.
  • Remover resíduos visíveis: A limpeza regular impede que alimentos carbonizados entrem novamente em contato com novos preparos.
  • Verificar o cabo e a tomada: Sinais de desgaste, aquecimento excessivo ou cheiro de queimado exigem contato com assistência técnica autorizada.

Quando você combina esse cuidado diário com atenção às orientações do manual do fabricante, a air fryer mantém sua performance por mais tempo. Além disso, você reduz problemas ligados ao desgaste do material ou ao acúmulo de sujeira interna, que também pode comprometer a segurança.

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Diante das evidências disponíveis até 2026, o uso da air fryer pode integrar uma rotina alimentar equilibrada, desde que o consumidor enxergue a tecnologia como ferramenta e não como solução isolada. Ajustes de tempo e temperatura, observação atenta do ponto dos alimentos, inspeção periódica do estado do revestimento e ventilação adequada da cozinha formam um conjunto de atitudes que reduz riscos invisíveis. Informado sobre esses aspectos, o consumidor ganha mais recursos para usar o aparelho de forma consciente e aproveitar seus benefícios práticos sem descuidar da própria saúde.

air fryer_depositphotos.com / Bubbers

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