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Ozempic vs. Mounjaro: qual é a diferença no controle de açúcar e peso?

Ozempic e Mounjaro se tornaram destaque nos últimos anos no tratamento do diabetes tipo 2 e na perda de peso. Veja a diferença entre eles no controle de açúcar e peso.

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Ozempic e Mounjaro se tornaram destaque nos últimos anos no tratamento do diabetes tipo 2 e na perda de peso. Ambos pertencem à classe dos medicamentos chamados agonistas de incretina, atuando em hormônios que regulam a glicose e o apetite. Apesar de muitas vezes aparecerem no mesmo grupo, apresentam diferenças importantes no mecanismo de ação, nos resultados que os estudos clínicos observam e também no perfil de efeitos adversos.

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Essas diferenças ajudam a entender por que determinados pacientes respondem melhor a um ou a outro remédio, e por que o uso deve ter acompanhamento por profissionais de saúde. Há relatos em vários países sobre automedicação com esses fármacos, especialmente para emagrecimento estético, o que aumenta o risco de complicações e uso inadequado de doses.

Na prática clínica, a escolha entre um agonista de GLP-1 isolado e um agonista dual GLP-1/GIP leva em conta condição de saúde geral, metas de controle da glicemia, histórico de doenças cardiovasculares, presença de obesidade e tolerância a efeitos colaterais gastrointestinais – depositphotos.com / Micromoh77

Ozempic e Mounjaro: qual é a palavra-chave nessa discussão?

A expressão central nesse debate é medicações para diabetes e emagrecimento baseadas em incretinas, em especial Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida). O Ozempic é um agonista de GLP-1, enquanto o Mounjaro age de forma dual, como agonista de GLP-1 e GIP. Ambos são medicamentos injetáveis, de uso semanal, com aprovação para o controle glicêmico no diabetes tipo 2, com impacto relevante na redução de peso como efeito adicional, ainda que versões específicas existam para obesidade.

Na prática clínica, a escolha entre um agonista de GLP-1 isolado e um agonista dual GLP-1/GIP leva em conta condição de saúde geral, metas de controle da glicemia, histórico de doenças cardiovasculares, presença de obesidade e tolerância a efeitos colaterais gastrointestinais. Além disso, diretrizes internacionais e evidências provenientes de estudos de fase 3 orientam esse processo.

Como funciona o Ozempic como agonista de GLP-1?

O Ozempic contém semaglutida, um agonista do receptor de GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1). Esse hormônio intestinal é liberado após as refeições e ajuda a regular a glicose ao estimular a secreção de insulina dependente da glicose, reduzir a liberação de glucagon e retardar o esvaziamento gástrico. Ao imitar o GLP-1, o Ozempic contribui para manter a glicemia mais estável e diminuir a sensação de fome.

Ensaios clínicos, como o programa SUSTAIN, mostraram que a semaglutida é eficaz na redução da hemoglobina glicada (HbA1c) e do peso corporal em pessoas com diabetes tipo 2. Em muitos casos, a queda da HbA1c supera 1%, e a perda de peso pode variar entre 5% e 10% do peso inicial, dependendo da dose e do tempo de uso. Além disso, alguns estudos apontam benefício cardiovascular em pacientes de alto risco, com redução de eventos como infarto e AVC.

Do ponto de vista metabólico, o Ozempic atua principalmente em três eixos: melhora da secreção de insulina, redução da produção de glicose pelo fígado e modulação do apetite no sistema nervoso central. Esses efeitos combinados explicam tanto o melhor controle glicêmico quanto a diminuição progressiva do peso em boa parte dos pacientes.

O que torna o Mounjaro um agonista dual de GLP-1 e GIP?

O Mounjaro, que contém tirzepatida, é classificado como um agonista duplo de incretinas, pois estimula receptores de GLP-1 e de GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose). O GIP é outro hormônio intestinal envolvido na resposta à ingestão de alimentos, influenciando secreção de insulina, armazenamento de gordura e metabolismo energético. A combinação dessas duas vias em um único fármaco está relacionada ao potencial de efeito mais intenso na glicemia e no peso.

Estudos clínicos grandes, como a série SURPASS, compararam a tirzepatida a agonistas de GLP-1 e à insulina basal em pacientes com diabetes tipo 2. Em várias análises, o Mounjaro apresentou maiores reduções de HbA1c, frequentemente acima de 2% em doses mais altas, e perdas de peso que, em alguns cenários, ultrapassaram 15% do peso corporal. Esses resultados colocaram o medicamento como uma das opções mais potentes na categoria de incretinas até o momento.

A atuação somada em GLP-1 e GIP parece ampliar a resposta insulinotrópica, modular de forma mais intensa o apetite e potencialmente influenciar o gasto energético. No entanto, essa potência também exige monitoramento cuidadoso, principalmente na associação com outros antidiabéticos que possam causar hipoglicemia.

Quais são as principais diferenças em eficácia e perda de peso?

Quando se compara Ozempic e Mounjaro em termos de eficácia, a literatura científica recente indica que ambos promovem melhora significativa do controle glicêmico e do peso, mas a tirzepatida tende a apresentar números mais expressivos em muitos estudos de confronto indireto ou direto. Isso não significa que um substitua automaticamente o outro; a interpretação depende do perfil de cada paciente.

  • Controle glicêmico: Ozempic geralmente reduz a HbA1c em torno de 1% a 1,5%, enquanto o Mounjaro pode alcançar reduções próximas ou superiores a 2%, de acordo com a dose.
  • Perda de peso: com semaglutida em doses usadas para diabetes, a queda de peso costuma ficar entre 5% e 10%; com tirzepatida em doses mais altas, estudos relatam perdas que podem ultrapassar 15% do peso inicial.
  • Risco de hipoglicemia: em monoterapia ou combinados com metformina, o risco é relativamente baixo em ambos; ele aumenta quando associados a insulina ou sulfonilureias.

Esses dados derivam de ensaios randomizados com acompanhamento geralmente entre 40 e 72 semanas. Resultados a mais longo prazo ainda estão sendo acumulados, o que reforça a necessidade de atualização constante dos protocolos de tratamento.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns e os riscos a longo prazo?

Tanto o agonista de GLP-1 quanto o agonista dual GLP-1/GIP compartilham um perfil semelhante de efeitos adversos, principalmente gastrointestinais. Esses sintomas são mais frequentes no início do tratamento ou ao aumentar a dose, e em muitos casos tendem a diminuir com o tempo.

  • Efeitos colaterais comuns de Ozempic e Mounjaro:
    • náuseas, vômitos e diarreia;
    • dor abdominal e sensação de estômago cheio;
    • constipação em alguns pacientes;
    • perda de apetite acentuada;
    • mal-estar geral e cefaleia em menor frequência.

Entre os possíveis riscos a longo prazo, estudos e alertas regulatórios destacam:

  1. Risco de pancreatite: ainda em avaliação, mas casos já foram descritos; dor abdominal intensa e persistente precisa de avaliação imediata.
  2. Possível associação com doença da vesícula biliar, como cálculos e inflamação, sobretudo em pacientes que apresentam perda de peso rápida.
  3. Preocupações sobre função tireoidiana, incluindo risco de tumores em modelos animais com alguns agonistas de GLP-1; em humanos, a evidência ainda é monitorada com cautela.
  4. Impacto de perda de massa magra quando a redução de peso é muito acentuada sem orientação nutricional adequada.

Esses pontos fazem com que o acompanhamento médico periódico seja parte essencial do uso dessas medicações, com avaliação de sintomas, exames laboratoriais e ajuste de dose quando necessário.

O Ozempic contém semaglutida, um agonista do receptor de GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1) – depositphotos.com / MillaFedotova

Por que o acompanhamento médico é indispensável e a automedicação é arriscada?

O uso de Ozempic e Mounjaro ganhou espaço fora do contexto de diabetes, sobretudo para emagrecimento. Muitos relatos envolvem uso sem prescrição, compra irregular ou adaptações de dose baseadas em experiências de terceiros. Essa prática aumenta o risco de efeitos adversos graves, uso em pessoas com contraindicações e abandono de estratégias fundamentais, como alimentação equilibrada e atividade física.

O acompanhamento profissional é necessário para:

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  • definir se o paciente tem indicação clínica real para agonistas de incretina;
  • avaliar histórico de doenças pré-existentes, como pancreatite, problemas de vesícula, insuficiência renal ou hepática;
  • ajustar doses de outros medicamentos para diabetes, reduzindo o risco de hipoglicemia;
  • monitorar respostas ao tratamento, incluindo variações de peso, pressão arterial e exames laboratoriais;
  • planejar a duração do uso e estratégias caso haja necessidade de suspensão ou troca.

Em um cenário em que Ozempic e Mounjaro são frequentemente associados apenas à estética, as evidências científicas lembram que se trata de terapias para doenças crônicas, com benefícios e riscos que precisam ser ponderados caso a caso. Informação de qualidade, acesso a acompanhamento médico e recusa à automedicação são elementos centrais para que essas tecnologias sejam usadas de forma segura e responsável.

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