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Artemis II em órbita lunar: o ensaio que prepara a humanidade para Marte

Depois de mais de cinquenta anos sem que seres humanos viajassem até a vizinhança da Lua, a Missão Artemis II marca um novo capítulo na exploração espacial. Saiba detalhes dessa expedição histórica.

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Depois de mais de cinquenta anos sem que seres humanos viajassem até a vizinhança da Lua, a Missão Artemis II marca um novo capítulo na exploração espacial. Programada pela NASA em parceria com agências do Canadá e de outros países, essa etapa não tem como objetivo pousar na superfície lunar, mas dar uma volta ao redor dela e retornar em segurança à Terra. Em termos simples, é como um grande test drive em órbita lunar, feito com pessoas a bordo, para garantir que tudo funcione antes de um futuro pouso definitivo.

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Artemis II é a primeira vez, desde a missão Apollo 17 em 1972, que uma tripulação humana viaja tão longe de casa. A bordo da cápsula Orion, impulsionada pelo foguete gigante SLS (Space Launch System) no dia 1º de abril de 2026, quatro astronautas passarão cerca de dez dias no espaço, testando cada detalhe do sistema, do lançamento à reentrada. A viagem combina alta tecnologia, cooperação internacional e um simbolismo forte. Afinal, é um ensaio geral para uma presença humana mais duradoura na Lua e, no futuro, para a jornada rumo a Marte.

A tripulação da Artemis II representa uma nova fase da exploração espacial – Reprodução/NASA

Quem são os astronautas da Artemis II e por que essa tripulação é histórica?

A tripulação da Artemis II representa uma nova fase da exploração espacial. O comandante é Reid Wiseman, astronauta da NASA e ex-piloto da Marinha dos Estados Unidos, com experiência em voos na Estação Espacial Internacional. Ao lado dele está Victor Glover, piloto da missão e também astronauta da NASA. Glover é o primeiro homem negro a viajar na direção da Lua, um marco simbólico em um programa que busca ser mais diverso do que o da era Apollo.

Completam a equipe a especialista de missão Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen. Christina é a primeira mulher a participar de uma viagem até a órbita lunar, depois de já ter registrado um dos voos espaciais de longa duração mais extensos que uma mulher já realizou na Estação Espacial Internacional. Jeremy, que a Agência Espacial Canadense selecionou, é o primeiro astronauta de seu país a ir tão longe da Terra. Portanto, essa composição reflete uma mudança importante: o retorno à Lua deixou de ser uma aventura restrita a um perfil único de astronauta e passa a sinalizar uma exploração mais inclusiva.

Como é o roteiro da viagem da Artemis II em direção à órbita lunar?

A jornada começou na plataforma de lançamento, com o foguete SLS decolando do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, no dia 1º de abril de 2026. Esse foguete é atualmente um dos mais potentes do mundo. Para se ter uma ideia da força necessária, é como tentar lançar um prédio de vários andares para fora da atmosfera em poucos minutos. Assim que os motores foram acionados, o conjunto SLS + Orion subiu em alta velocidade, atravessando as camadas da atmosfera e atingindo o espaço em cerca de oito minutos.

Depois da separação dos estágios do foguete, a cápsula Orion seguiu viagem sozinha. A nave entrou primeiro em órbita da Terra para checagens iniciais de sistemas. Em seguida, acionou seu motor principal para uma grande manobra que a envia rumo à Lua. A distância até lá é de aproximadamente 384 mil quilômetros, algo como ir de São Paulo a Lisboa quase cinquenta vezes seguidas. Ademais, a Orion fará uma trajetória em formato de grande arco, passando por trás ou ao redor da Lua e retornando à vizinhança terrestre.

Durante essa travessia, a tripulação realizará testes constantes: comunicação com a Terra, funcionamento de computadores, consumo de energia, controle térmico e conforto dentro da cabine. Ademais, a velocidade da nave pode ultrapassar os 30 mil km/h, comparável a dar quase uma volta completa na Terra em pouco mais de uma hora. Quando a viagem de retorno se aproximar do fim, a Orion mergulhará de volta na atmosfera. O escudo de calor será essencial para resistir a temperaturas que podem ultrapassar os 2.700 ºC, o equivalente ao brilho alaranjado de metal incandescente em uma forja.

Quais são os principais objetivos da Artemis II para o futuro da Lua e de Marte?

A função central da Artemis II é testar, com pessoas a bordo, todo o sistema que se pretende usar em futuras missões de pouso lunar. Na prática, isso significa verificar se os sistemas de sobrevivência da Orion como reciclagem de ar, remoção de gás carbônico, controle de pressão, temperatura e umidade conseguem manter a tripulação segura e funcional durante vários dias. Assim, é como testar uma casa antes de alguém se mudar definitivamente: checar se há água, luz, ventilação e se todas as instalações respondem corretamente a situações de emergência.

Entre os objetivos da NASA estão:

  • Validar o desempenho do SLS com a cápsula totalmente equipada e tripulada.
  • Avaliar o sistema de suporte à vida da Orion ao longo de vários dias de voo.
  • Testar comunicações e navegação em distâncias lunares, onde o atraso no sinal se torna mais evidente.
  • Coletar dados sobre a experiência humana em um ambiente profundo de espaço, fora da órbita baixa da Terra.

Esses testes são fundamentais para a próxima etapa, a Artemis III, que pretende levar astronautas ao polo sul lunar. Essa região interessa à comunidade científica porque pode abrigar gelo de água em crateras permanentemente sombreadas. Afinal, água significa não apenas hidratação, mas potencial fonte de oxigênio e combustível, peças centrais para uma futura infraestrutura espacial que sustente missões mais longas rumo a Marte.

A missão não é apenas um retorno à vizinhança da Lua, mas a abertura de uma nova maneira de pensar a exploração humana do espaço – depositphotos.com / Vadim4eg

Por que a Artemis II é vista como um divisor de águas na exploração espacial?

A missão não é apenas um retorno à vizinhança da Lua, mas a abertura de uma nova maneira de pensar a exploração humana do espaço. Ao contrário do programa Apollo, que teve foco em viagens rápidas e curtas, o programa Artemis pretende estabelecer uma presença mais contínua na região lunar. Ou seja, com estações em órbita, módulos na superfície e parcerias com empresas privadas e outros países. Em linguagem simples, é a diferença entre fazer uma visita breve e começar a montar uma espécie de bairro científico em torno da Lua.

Ver novamente um foguete tripulado deixar a órbita terrestre rumo ao espaço profundo tem um impacto que vai além dos dados técnicos. Imagens ao vivo, a perspectiva da Terra encolhendo pela janela da Orion e a visão da Lua se aproximando tendem a reforçar a sensação de que a humanidade está entrando em uma nova fase de exploração coletiva. Para muitas pessoas que nasceram depois da era Apollo, é a primeira oportunidade de acompanhar, em tempo real, humanos viajando tão longe outra vez.

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Ao conectar avanços de engenharia, cooperação internacional e diversidade de perfis na tripulação, a Artemis II funciona como uma ponte entre o passado das missões Apollo e o futuro que mira Marte. Afinal, os dados dessa viagem irão orientar decisões sobre naves, trajes espaciais, proteção contra radiação e rotinas de trabalho em longa duração. Por isso, cada parâmetro medido e cada sistema validado aproximam um pouco mais do dia em que uma nave humana deixe a órbita terrestre não apenas para orbitar a Lua, mas para seguir adiante em direção ao planeta vermelho.

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