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Saiba qual o tumor cerebral mais agressivo e os desafios da ciência

O glioblastoma representa o tumor cerebral maligno mais agressivo em adultos. Trata-se de um tipo de câncer que se desenvolve a partir de células da glia, especialmente os astrócitos.

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O glioblastoma representa o tumor cerebral maligno mais agressivo em adultos. Trata-se de um tipo de câncer que se desenvolve a partir de células da glia, especialmente os astrócitos. Essas células dão suporte, proteção e nutrição aos neurônios. Quando sofrem alterações no DNA e começam a se multiplicar de forma desordenada, podem originar o glioblastoma. Esse tumor invade rapidamente o tecido cerebral ao redor e interfere em funções vitais do sistema nervoso central.

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Esse tipo de tumor não costuma formar limites bem definidos. Em vez disso, infiltra-se nos neurônios e nas redes de comunicação do cérebro, o que dificulta a remoção completa. Além disso, por crescer em uma região limitada e rígida, como a caixa craniana, o glioblastoma aumenta a pressão intracraniana. Desse modo, comprime estruturas cerebrais importantes. Esse processo leva ao aparecimento de sintomas neurológicos, que variam conforme a área afetada. Assim, o tumor impacta diretamente a rotina e a autonomia da pessoa.

Saiba qual o tumor cerebral mais agressivo e os desafios da ciência

Os especialistas classificam o glioblastoma, também chamado de glioblastoma multiforme, como um astrocitoma grau IV pela Organização Mundial da Saúde. Em geral, ele se desenvolve nos hemisférios cerebrais, com predileção pelos lobos frontal e temporal. Essas regiões se relacionam a funções como linguagem, comportamento, raciocínio e memória. O tumor também pode surgir em outras partes do cérebro. No entanto, aparece com menor frequência no cerebelo e no tronco encefálico em adultos.

Os sintomas mais comuns incluem dor de cabeça persistente, frequentemente mais intensa pela manhã, e crises convulsivas. Além disso, o paciente pode apresentar alterações de linguagem, fraqueza em um lado do corpo, perda de equilíbrio, mudanças de personalidade e declínio cognitivo. Em alguns casos, surgem visão turva, náuseas e vômitos, geralmente relacionados ao aumento da pressão intracraniana. Esses sinais costumam se instalar de forma relativamente rápida, em semanas ou poucos meses. Por isso, muitas pessoas acabam procurando investigação com exames de imagem.

Créditos: depositphotos.com / vampy1

O glioblastoma é uma doença rara ou comum?

Na população geral, o glioblastoma representa um tumor pouco frequente quando se compara com outros tipos de câncer, como os de mama, pulmão ou próstata. No entanto, entre os tumores cerebrais malignos em adultos, ele figura entre os mais comuns. Estimativas internacionais indicam uma incidência aproximada de 3 a 5 casos por 100 mil habitantes ao ano. Observa-se maior ocorrência entre 55 e 75 anos, com discreto predomínio no sexo masculino.

A taxa de mortalidade associada ao glioblastoma permanece elevada, mesmo com os avanços da medicina até 2026. Em geral, a mediana de sobrevida, após diagnóstico e tratamento padrão, situa-se em torno de 14 a 18 meses. Uma parcela menor de pacientes ultrapassa cinco anos de vida após o diagnóstico. Esses números variam conforme fatores como idade, estado geral de saúde, localização do tumor e possibilidade de cirurgia mais ampla. Além disso, características genéticas da lesão, como a metilação do gene MGMT e mutações específicas, exercem forte influência nesses desfechos.

Apesar do comportamento agressivo, alguns subgrupos de pacientes apresentam evolução um pouco mais lenta. Em linhas gerais, quanto mais jovem o indivíduo e melhor o estado funcional no momento do diagnóstico, maior tende a ser a expectativa de vida. Do mesmo modo, marcadores moleculares mais favoráveis costumam associar-se a sobrevida prolongada. Ainda assim, o glioblastoma permanece entre os tumores sólidos com pior prognóstico na oncologia moderna. Isso reforça a necessidade de pesquisas contínuas em terapias inovadoras e protocolos combinados.

Quais são as causas, fatores de risco e mecanismos do glioblastoma?

Ainda não existe definição completa da causa exata do glioblastoma. Estudos indicam tratar-se de uma doença multifatorial, que resulta da combinação de predisposição genética e exposição a determinados fatores ambientais. Na maioria dos casos, ninguém identifica um agente único responsável. O que se observa são alterações em genes que regulam o ciclo celular, a reparação do DNA e a morte programada das células. Assim, essas mudanças favorecem o crescimento descontrolado da glia.

Entre os possíveis fatores de risco, destacam-se:

  • Idade mais avançada, especialmente acima dos 60 anos;
  • Histórico prévio de radioterapia craniana, geralmente por outros tumores;
  • Síndromes genéticas raras associadas a predisposição ao câncer, como neurofibromatose tipo 1 e síndrome de Li-Fraumeni;
  • Maior incidência em indivíduos do sexo masculino;
  • Algumas alterações moleculares específicas, herdadas ou adquiridas ao longo da vida.

Diversos estudos populacionais discutem outros fatores, como uso prolongado de celulares, exposição a campos eletromagnéticos e certos agentes químicos. Contudo, até o momento, ninguém comprovou de forma definitiva a relação desses fatores com o surgimento de glioblastoma. Em boa parte dos diagnósticos, os médicos classificam o tumor como esporádico, sem gatilho claramente identificado. Portanto, a prevenção primária se torna um desafio adicional para a saúde pública.

Como é feito o diagnóstico e quais são os tratamentos disponíveis?

O diagnóstico de glioblastoma geralmente começa com exames de imagem. A ressonância magnética cerebral representa o método principal, pois detalha melhor as estruturas do cérebro, o edema ao redor da lesão e o padrão de realce pelo contraste. Nesse tipo de tumor, o realce costuma surgir de forma heterogênea. A tomografia computadorizada também auxilia, principalmente em situações de urgência, para identificar massas intracranianas e sinais de aumento da pressão no crânio.

Para confirmação definitiva, o médico solicita análise histopatológica por meio de biópsia ou remoção cirúrgica parcial ou total da lesão. O patologista avalia as características microscópicas e realiza testes imunohistoquímicos e moleculares. Esses testes ajudam a classificar o tumor, definir o grau e orientar o tratamento. Além disso, exames complementares, como avaliação neurocognitiva e testes laboratoriais, contribuem para definir a melhor estratégia terapêutica.

O tratamento padrão do glioblastoma envolve três pilares principais:

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  1. Cirurgia: o neurocirurgião busca remover o máximo possível do tumor, sem provocar déficits neurológicos graves. Uma ressecção ampla se associa a melhor sobrevida. Contudo, muitas vezes, a infiltração em áreas críticas, como regiões responsáveis por fala, movimento e visão, limita essa abordagem.
  2. Radioterapia: após a cirurgia, a equipe utiliza radioterapia conformacional ou por intensidade modulada para atingir células tumorais remanescentes. Assim, tenta reduzir o risco de progressão. O planejamento procura poupar, na medida do possível, o tecido cerebral saudável.
  3. Quimioterapia: o medicamento mais utilizado, a temozolomida, costuma ser administrado em conjunto com a radioterapia e, posteriormente, em ciclos de manutenção. A resposta ao fármaco varia de acordo com características genéticas do tumor, principalmente o status de metilação do MGMT.

Nos últimos anos, pesquisadores vêm testando terapias-alvo, imunoterapias, vacinas personalizadas e dispositivos de campos elétricos alternados. Esses recursos mostram resultados promissores em alguns grupos. No entanto, ainda enfrentam limitações de acesso, custo e evidências a longo prazo. Entre os grandes desafios no combate ao glioblastoma destacam-se a alta capacidade de invasão das células tumorais e a resistência a medicamentos. Além disso, a barreira hematoencefálica dificulta a penetração de drogas e a doença apresenta forte tendência à recidiva, mesmo após tratamento agressivo.

Quimioterapia_depositphotos.com / imagepointfr

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