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Do bullying ao protagonismo: histórias que mostram o poder dos projetos sociais

Impacto de projetos sociais no Brasil: como ONGs e a De Peito Aberto transformam crianças e adolescentes pelo esporte e pela educação

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Projetos sociais ganham espaço no Brasil ao alterar a rotina e as perspectivas de crianças e adolescentes em diferentes regiões. Em comunidades marcadas por desigualdades, essas iniciativas oferecem acesso ao esporte, à cultura e à educação. Dessa forma, criam novas referências de futuro e contribuem para a redução de vulnerabilidades.

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Ao longo das últimas décadas, esse tipo de ação se consolidou como uma política complementar às iniciativas do poder público. ONGs e organizações sociais se aproximam de famílias, escolas e bairros inteiros. Elas articulam redes locais, atraem investimentos privados e constroem ambientes de cuidado e formação cidadã para a juventude.

O impacto de projetos sociais na juventude?

Projetos sociais consistem em ações planejadas para enfrentar problemas específicos, como evasão escolar, violência, desigualdade de gênero ou falta de acesso ao esporte. Essas iniciativas trabalham com metas claras, público definido e acompanhamento constante. No caso de crianças e adolescentes, elas normalmente combinam atividades esportivas, reforço escolar, atendimento psicossocial e ações culturais.

O impacto mais visível aparece na rotina. Meninos e meninas passam a frequentar espaços seguros no contraturno escolar, constroem vínculos com educadores e colegas e desenvolvem senso de pertencimento. Além disso, projetos esportivos ajudam na saúde física, na disciplina e no controle da ansiedade, enquanto oficinas culturais e de leitura ampliam o repertório e estimulam o pensamento crítico.

Estudos de universidades e institutos de pesquisa indicam alguns efeitos recorrentes dessas iniciativas: queda nos índices de evasão escolar, melhora no rendimento nas aulas, diminuição de situações de conflito e fortalecimento de vínculos familiares. Em muitos casos, adolescentes relatam mudança de planos de vida, com maior interesse por cursos técnicos, vestibulares e inserção qualificada no mercado de trabalho.

ONG, organização social e instituição social: qual é a diferença?

A expressão organização não governamental, ou ONG, se tornou popular no Brasil a partir dos anos 1990. Em termos jurídicos, trata-se de uma associação ou fundação privada, sem fins lucrativos, que atua em causas de interesse público. Ela não pertence ao Estado nem a empresas, mas pode firmar parcerias com ambos. Já o termo organização social costuma se relacionar a entidades qualificadas por leis específicas para prestar serviços públicos, embora o uso no dia a dia seja mais amplo.

Instituições sociais, por sua vez, englobam todo tipo de entidade sem fins lucrativos que desenvolve ações sociais estruturadas. Na prática, uma mesma organização pode se apresentar como instituição social, ONG ou organização social, dependendo do contexto. O que muda é o enquadramento jurídico, a forma de parceria com o poder público e o tipo de contrato usado em cada projeto.

  • ONG: termo amplo, associado à defesa de direitos e à atuação independente do Estado.
  • Organização social (OS): categoria jurídica usada em alguns estados e municípios para gerir serviços em saúde, cultura ou esporte.
  • Instituição social: expressão genérica para entidades que realizam projetos sociais contínuos.

Apesar das diferenças formais, o foco central permanece o mesmo: executar iniciativas que gerem impacto social mensurável, com transparência, metodologia clara e acompanhamento das pessoas atendidas.

Como projetos sociais transformam perspectivas de crianças e adolescentes?

O impacto de um projeto social na vida de um jovem aparece em várias dimensões. Em primeiro lugar, o acesso regular a atividades esportivas ou culturais oferece uma nova rotina. Essa mudança reduz o tempo ocioso em ambientes de risco e aproxima crianças de referências positivas, como professores, técnicos e monitores.

  1. Criação de vínculos de confiança com equipes pedagógicas.
  2. Desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como empatia e resiliência.
  3. Fortalecimento da autoestima por meio de conquistas individuais e coletivas.
  4. Ampliação da visão sobre carreira, estudo e futuro profissional.

Outro ponto importante envolve o diálogo com a escola. Muitos projetos acompanham a frequência e o desempenho dos alunos e conversam com famílias e professores. Esse monitoramento favorece intervenções rápidas diante de dificuldades. Assim, o esporte ou a arte deixam de ocupar um lugar isolado e passam a integrar uma rede de proteção social mais ampla.

A mudança de perspectiva também se reflete nas relações familiares. Em vários relatos, pais e responsáveis notam maior responsabilidade com horários, respeito às regras e cuidado com os estudos. A criança passa a se enxergar como protagonista do próprio processo de crescimento, o que reduz a exposição a situações de violência e aumenta o sentimento de propósito.

De Peito Aberto: 20 anos de impacto social pelo esporte

A instituição social De Peito Aberto completou 20 anos em março de 2026. Criada por atletas e entusiastas do esporte, a organização concentra esforços em projetos para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Ela atua em parceria com empresas e gestores públicos, especialmente por meio da Lei Federal de Incentivo ao Esporte.

Nessas duas décadas, a De Peito Aberto alcançou milhares de jovens em diferentes estados. As iniciativas combinam aulas esportivas, acompanhamento pedagógico e ações de promoção de saúde e cultura. A instituição mantém projetos como Esporte na Cidade, Oportunidade Através do Esporte, Educa Fut e outras frentes voltadas ao desenvolvimento integral da juventude.

O trabalho se apoia em três pilares principais: formação cidadã, qualidade pedagógica e monitoramento de resultados. As equipes acompanham indicadores como permanência na escola, participação nas atividades e evolução comportamental. Com isso, conseguem adaptar metodologias, fortalecer vínculos e garantir que cada núcleo mantenha foco no impacto social de longo prazo.

Histórias de Guilherme, Tarley e Paulo Henrique: o esporte como virada de chave

A trajetória de Guilherme, em Lauro de Freitas, na Bahia, ilustra o papel do esporte contra o bullying e a baixa autoestima. Ao ingressar nas aulas de judô oferecidas pela De Peito Aberto, o adolescente encontrou um espaço de acolhimento e disciplina. Com treinos constantes, ele desenvolveu confiança, melhorou a relação com o próprio corpo e passou a enfrentar situações de preconceito com mais segurança.

Eu assisti às lutas da Bia com o meu pai pela televisão e gostei muito. Minha mãe me incentivou a fazer o judô, comecei a fazer, me encantei e quis continuar. Já pensei em desistir, mas muitas pessoas me incentivaram a continuar. Agora eu tento retribuir também, conta.  

Hoje faixa cinza, ele afirma que o judô o ajudou não apenas na ansiedade, mas também no desempenho escolar. Já a sua mãe, Adil, aponta a melhora na comunicação de Guilherme com colegas e familiares.

Uma amiga me indicou a De Peito Aberto e hoje ele faz esporte a semana toda. Segunda e quarta à tarde faz judô, além de futebol e jiu-jitsu. Ele ama esporte. Sempre foi muito tímido e ansioso, e o esporte tem o ajudado a lidar bem com as frustrações”, revela a matriarca da família.

Guilherme, aluno da De Peito Aberto – Divulgação

Em Sete Lagoas, Minas Gerais, Tarley, de 17 anos, encontrou no judô uma ferramenta de enfrentamento do luto pela perda do pai. Os treinos se transformaram em momento de foco e equilíbrio emocional. A rotina com a equipe da instituição ajudou o jovem a reorganizar a vida cotidiana, manter a escola em dia e construir planos de futuro ancorados na disciplina aprendida no tatame.

Não foi fácil. Perder o meu pai foi a coisa mais difícil que já me aconteceu. O mais difícil foi continuar a rotina como se nada tivesse acontecido. O treino virou um momento em que consigo aliviar a mente e focar em algo positivo, afirma o jovem.

No Pará, Paulo Henrique, de 15 anos, viveu outra forma de transformação. Atleta de futsal em um dos projetos da De Peito Aberto, ele participou de campeonatos, ganhou visibilidade na comunidade e desenvolveu senso de responsabilidade. O contato com a modalidade e com técnicos experientes estimulou a maturidade, reforçou hábitos de estudo e fortaleceu o respeito às regras em casa e nas quadras.

A primeira vez que disputei um campeonato foi com a De Peito Aberto. Comecei a ser reconhecido pelo pessoal na rua. O mais legal é que toda semana posso fazer um esporte diferente, conta o jovem. 

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  • Guilherme fortaleceu a autoestima e o desempenho escolar.
  • Tarley encontrou suporte emocional em um ambiente de disciplina.
  • Paulo Henrique amadureceu com o futsal e ampliou horizontes.

As histórias dos três sintetizam o efeito de muitos projetos sociais voltados ao esporte no Brasil. Ao oferecer estrutura, acompanhamento e oportunidades, instituições e organizações contribuem, dessa maneira, para a formação de cidadãos, reduzem desigualdades e constroem novas perspectivas para crianças e adolescentes em contextos marcados por vulnerabilidade.

Paulo Henrique – Divulgação

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