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A trajetória de Oxana Malaya, a menina criada por cachorros na Ucrânia

O caso de Oxana Malaya, que ganhou menção como a menina criada por cachorros na Ucrânia, é um dos episódios mais mencionados quando se fala em crianças que cresceram em condições de extrema negligência. Saiba mais sobre essa história.

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O caso de Oxana Malaya, que ganhou menção como a menina criada por cachorros na Ucrânia, é um dos episódios mais mencionados quando se fala em crianças que cresceram em condições de extrema negligência. A história ganhou repercussão internacional a partir dos anos 2000 e segue como exemplo dos impactos profundos que a falta de cuidado e de interação humana pode causar no desenvolvimento infantil.

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A menina nasceu em 1983, na região rural de Nova Blagoveshchenska, próxima à cidade de Kherson, no sul da Ucrânia, e viveu a primeira infância em um ambiente marcado por pobreza e alcoolismo dos pais. Em meio a esse cenário, a criança acabou afastada do convívio humano básico e passou a dividir o espaço com cães do quintal da casa. Assim, segundo relatos de profissionais que a atenderam, o fato moldou de forma decisiva seu comportamento nos primeiros anos de vida.

A expressão menina criada por cachorros surgiu porque, quando equipes de saúde e assistência social a encontraram, aos 7 ou 8 anos, apresentava hábitos e posturas semelhantes às dos animais com os quais conviveu – Reprodução

Quem foi Oxana Malaya e por que ficou conhecida como menina criada por cachorros?

Oxana Malaya tornou-se conhecida mundialmente depois que sua história veio a público como um exemplo extremo de negligência infantil. A expressão menina criada por cachorros surgiu porque, quando equipes de saúde e assistência social a encontraram, aos 7 ou 8 anos, apresentava hábitos e posturas semelhantes às dos animais com os quais conviveu. Entre esses comportamentos estavam andar de quatro, latir, rosnar e responder a estímulos de forma mais próxima aos cães do que às pessoas.

Relatos de profissionais ucranianos indicam que a menina foi deixada no canil da família ainda muito pequena, em meio ao consumo excessivo de álcool pelos pais, que não garantiam alimentação, higiene e supervisão adequadas. Assim, os cães a teriam aquecido durante o frio, dividido comida e fornecido algum tipo de grupo social, ainda que animal. Portanto, esse convívio intenso teria levado a criança a imitar sons, gestos e reações dos animais, em um processo de aprendizado baseado na observação e na sobrevivência.

Como ocorreu o isolamento e o convívio com cachorros na infância de Oxana Malaya?

A palavra-chave central desse caso é negligência infantil. Especialistas que analisaram a história apontam que não houve um abandono na floresta, como em lendas, mas um processo de descuido contínuo dentro da própria casa. Pais alcoólatras, ausência de supervisão e falta de estímulos humanos com consistência criaram um ambiente em que a criança encontrou nos cães mais respostas às suas necessidades imediatas do que nos adultos responsáveis.

De acordo com reportagens e entrevistas divulgadas ao longo dos anos, Oxana passava longos períodos no quintal, dormindo no canil e dividindo restos de comida com os animais. Nesse contexto, a socialização típica da infância que se baseia em fala, brincadeiras, afeto e regras foi substituída por interações com o grupo de cães. Dessa forma, sem receber linguagem estruturada e contato humano regular, ela desenvolveu um repertório comportamental marcado por:

  • Deslocamento preferencial em quatro apoios, como os animais;
  • Uso de latidos e sons guturais em vez de palavras compreensíveis;
  • Reações rápidas a estímulos de ameaça, semelhantes à de cães de guarda;
  • Dificuldade de manter contato visual e de interpretar expressões humanas.

Esses elementos levaram pesquisadores a classificarem o caso de Oxana como um exemplo de criança feral ou criança selvagem. Porém, o termo é alvo de discussão, já que houve sempre alguma presença humana, ainda que insuficiente.

Como foi o resgate de Oxana e o início da reabilitação?

O resgate ocorreu no início da década de 1990, quando vizinhos e autoridades locais acionaram serviços sociais ao perceberem a situação incomum da menina. Ao entrar na propriedade, equipes de assistência encontraram a criança no canil, em meio aos cães, reagindo com estranhamento à aproximação humana. A retirada do local foi difícil, porque Oxana demonstrava apego ao grupo de animais e resistência ao contato com estranhos.

Após o resgate, ela foi encaminhada para uma instituição especializada em cuidados infantis. Posteriormente, foi para um hospital psiquiátrico infantil na Ucrânia. Nesse ambiente, passou a receber atendimento multiprofissional, envolvendo:

  1. Terapia de linguagem: foco na construção de vocabulário, na articulação de palavras e na compreensão da fala alheia;
  2. Acompanhamento psicológico: avaliação de traços emocionais, traumas e formas de adaptação ao convívio humano;
  3. Treino de habilidades sociais: uso de talheres, higiene pessoal, interação em grupo e respeito a rotinas;
  4. Suporte médico: avaliação física geral, já que o período de negligência impactou também nutrição e saúde.

Profissionais envolvidos informaram que, com o tempo, Oxana passou a falar frases simples, a andar ereta com mais frequência e a participar de tarefas do cotidiano da instituição. Apesar do avanço, especialistas destacaram que o período prolongado de negligência na primeira infância deixou marcas permanentes em suas capacidades cognitivas e socioemocionais.

O caso ilustra a importância de políticas públicas de proteção à infância e de identificação precoce de maus-tratos – depositphotos.com / gjohnstonphoto

Quais foram as consequências para o desenvolvimento e qual é a situação atual de Oxana Malaya?

Os efeitos do isolamento precoce aparecem em diversas áreas do desenvolvimento. Relatos médicos mencionam limitações intelectuais moderadas, dificuldades na construção de pensamento abstrato e na compreensão de normas sociais mais complexas. Ademais, em entrevistas concedidas já adulta, Oxana demonstra capacidade de comunicação básica, entendimento de perguntas diretas e lembranças fragmentadas da infância com os cães.

O caso também entrou em debates sobre os períodos críticos do desenvolvimento infantil fases em que o cérebro é especialmente sensível à presença ou ausência de estímulos, como linguagem e afeto. A história de Oxana é frequentemente citada em estudos e reportagens para ilustrar:

  • Como a ausência de interação humana consistente compromete a aprendizagem da fala;
  • De que forma a negligência severa pode levar a padrões comportamentais atípicos;
  • A importância de políticas públicas de proteção à infância e de identificação precoce de maus-tratos.

Segundo reportagens internacionais e ucranianas divulgadas até meados da década de 2010 e atualizadas por veículos locais, Oxana Malaya, na idade adulta, passou a viver em uma instituição rural ligada a um hospital, onde auxilia em tarefas como o cuidado de animais e atividades simples de rotina. Informações mais recentes indicam que ela permanece sob supervisão, em regime protegido, com algum grau de autonomia para tarefas básicas, mas ainda com necessidade de acompanhamento profissional.

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O caso de Oxana segue sendo lembrado em 2026 como um marco nas discussões sobre proteção à criança e responsabilidade familiar. A história evidencia como a negligência prolongada, especialmente em contextos de vulnerabilidade social e abuso de álcool, pode alterar profundamente o curso da vida de uma pessoa. Também reforça a importância de redes de apoio, de vizinhança e de serviços públicos atentos a sinais de abandono, para que situações semelhantes sejam identificadas e interrompidas o mais cedo possível.

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