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GBU72: a arma secreta que pode perfurar bunkers e reescrever conflitos

A bomba GBU72 Advanced 5K Penetrator é uma munição guiada de penetração profunda que os Estados Unidos desenvolveram para atacar alvos fortificados no subsolo. Saiba sobre o artefato utilizado no Estreito de Ormuz.

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A bomba GBU72 Advanced 5K Penetrator é uma munição guiada de penetração profunda que os Estados Unidos desenvolveram para atacar alvos fortificados no subsolo. Entre eles, abrigos de comando, depósitos de armas e instalações de mísseis. Com projeção para atuar contra estruturas reforçadas com concreto, rocha e aço, ela faz parte de um esforço mais amplo das Forças Armadas norteamericanas para manter capacidade de atingir bunkers em cenários de guerra de alta intensidade. Em 17 de março de 2026, veículos de imprensa internacionais noticiaram que esse tipo de armamento foi empregado por forças dos EUA contra instalações de mísseis iranianas ao longo do Estreito de Ormuz. O ataque aconteceu no contexto das tensões militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

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A sigla GBU significa Guided Bomb Unit, ou unidade de bomba guiada, e indica que se trata de uma arma tradicional transformada em munição de precisão por meio de kits de guiagem. No caso da GBU72, a proposta é oferecer uma solução intermediária entre bombas antibunker mais antigas, como a GBU28, e sistemas de grande porte, como a GBU57. Assim, o foco está em combinar alta capacidade de penetração, peso ainda compatível com caças modernos e um nível de precisão suficiente para neutralizar objetivos enterrados a grande profundidade com menor número de ataques.

Em 17 de março de 2026, veículos de imprensa internacionais noticiaram que esse tipo de armamento foi empregado por forças dos EUA contra instalações de mísseis iranianas ao longo do Estreito de Ormuz – Specialist Noah Martin/Wikimedia Commons

O que é exatamente a GBU72 Advanced 5K Penetrator?

A palavrachave central nesse contexto é GBU72 Advanced 5K Penetrator, denominação que resume as principais características dessa bomba. Por sua vez, 5K remete à classe de peso de aproximadamente 5.000 libras, o que corresponde a cerca de 2.270 quilos. Desse total, uma fração é ocupada pela ogiva penetradora, que tem construção com aço de alta resistência. Já outra parte destina-se ao explosivo interno, formulado para detonar após atravessar várias camadas de proteção. Ademais, o desenho do corpo é alongado, com ogiva afilada, maximizando a energia cinética no impacto e favorecendo a penetração.

Relatos de testes indicam que a GBU72 foi planejada para superar o desempenho de munições de 2.000 libras em termos de profundidade alcançada. Embora dados exatos de penetração permaneçam em grande parte classificados, fontes especializadas descrevem que a bomba pode atravessar diversos metros de concreto armado ou camadas significativas de solo compactado antes de explodir. O acionamento costuma envolver espoletas programáveis, que permitem definir se a detonação ocorrerá após determinada profundidade ou com um pequeno atraso após o impacto, otimizando o efeito destrutivo dentro do bunker.

Quais são o peso, a guiagem e a função militar da GBU72?

O peso aproximado de 5.000 libras coloca a GBU72 na faixa intermediária entre as bombas de penetração mais leves e as superpesadas. Essa massa elevada garante uma energia de impacto significativa, sobretudo quando a arma é lançada de grandes altitudes ou em perfis de ataque planejados para aumentar a velocidade no momento da colisão. A estrutura reforçada da ogiva, aliada ao peso total, explica a capacidade de penetração em alvos enterrados e protegidos contra ataques convencionais de superfície.

Quanto ao tipo de guiagem, a GBU72 emprega um sistema de navegação por GPS combinado com unidade de medição inercial, conceito derivado da família JDAM. Em algumas configurações, pode incorporar também guiagem a laser, quando se deseja aumentar a precisão na fase final do voo contra alvos móveis ou parcialmente ocultos. Esse conjunto de sensores permite que a bomba seja lançada a grande distância do objetivo e ainda assim atinja coordenadas préprogramadas com margem de erro reduzida em relação a bombas não guiadas.

Do ponto de vista da função militar, a GBU72 Advanced 5K Penetrator é destinada a missões de supressão e destruição de alvos fortificados, especialmente:

  • Instalações de mísseis em silos ou túneis;
  • Centros de comando e controle subterrâneos;
  • Depósitos de munição e combustível protegidos;
  • Infraestruturas militares críticas abrigadas sob montanhas ou rochas.

Nessas operações, a munição é usada para degradar a capacidade de resposta do adversário, atingir polos de decisão e interromper cadeias de comando. O episódio relatado em 17 de março, envolvendo alvos iranianos próximos ao Estreito de Ormuz, se encaixa nesse perfil de emprego, com foco específico em instalações de mísseis consideradas estratégicas.

Noticiário sobre a bomba antibunker apareceu no contexto dos conflitos entre forças americanas e israelenses contra o Irã – depositphotos.com / OnePixelStudio

GBU72, GBU57 e GBU28: quais são as diferenças?

A GBU72 se insere em uma linha de evolução das bombas antibunker norteamericanas. A GBU28, cujo desenvolvimento ocorreu ainda na Guerra do Golfo nos anos 1990, pesa cerca de 5.000 libras. Ademais, ela notabilizou-se por aproveitar tubos de artilharia modificados como corpo da ogiva. Era uma resposta rápida à necessidade de romper abrigos subterrâneos iraquianos, com guiagem inicialmente a laser. Ao longo do tempo, houve a introdução de versões com navegação GPS, mas seu projeto reflete as limitações tecnológicas da época.

Já a GBU57 Massive Ordnance Penetrator (MOP) é uma bomba de categoria superior, com cerca de 30.000 libras (mais de 13 toneladas). A sua criação deu-se para atacar alvos extremamente profundos, como instalações nucleares enterradas e complexos subterrâneos que tem muita proteção. Devido ao tamanho e ao peso, só pode haver transporte por bombardeiros estratégicos, como o B2 Spirit. Assim, a função é semelhante à da GBU72, porém em uma escala muito maior, com foco em alvos de altíssimo valor estratégico.

Nesse cenário, a GBU72 Advanced 5K Penetrator ocupa um espaço intermediário. Em síntese:

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  1. Peso e plataforma: mais pesada e moderna que muitas bombas de 2.000 libras, mas bem menor que a GBU57, permitindo emprego por uma gama mais ampla de aeronaves de combate.
  2. Capacidade de penetração: planejada para superar a GBU28, aliando nova engenharia de materiais e melhor desenho da ogiva, sem chegar ao nível extremo da MOP.
  3. Guiagem: integração com sistemas avançados de navegação inercial e por satélite, com possibilidade de integração a sensores de designação de alvos de última geração.

Ao comparar a GBU72 com a GBU28 e a GBU57, fica evidente uma tendência de diversificação do arsenal antibunker dos Estados Unidos. Afinal, o desenvolvimento dessa bomba reforça a capacidade de atacar bunkers em diferentes profundidades e cenários, dando às forças aéreas maior flexibilidade tática em conflitos que envolvem instalações subterrâneas avançadas, como as citadas no noticiário relativo ao Estreito de Ormuz em março de 2026.

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