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Por que fechamos os olhos ao espirrar? O reflexo que protege nosso corpo

Ao espirrar, quase todo mundo percebe a mesma situação: as pálpebras se fecham automaticamente, mesmo quando a pessoa tenta mantê-las abertas. Entenda por que isso acontece.

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Ao espirrar, quase todo mundo percebe a mesma situação: as pálpebras se fecham automaticamente, mesmo quando a pessoa tenta mantê-las abertas. Esse comportamento não é questão de costume ou falta de esforço, mas resultado de um reflexo involuntário que envolve diferentes estruturas do sistema nervoso e dos músculos da face. Esse mecanismo associa-se à forma como o corpo reage a estímulos irritantes no nariz e tem papel importante na proteção dos olhos.

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O espirro em si é uma resposta automática do organismo para expulsar partículas, microrganismos ou substâncias irritantes das vias aéreas. Assim, quando algo incomoda a mucosa nasal, uma cadeia de eventos é acionada quase instantaneamente, coordenada pelo cérebro e por nervos específicos da face. Entre eles, o nervo trigêmeo se destaca como uma das peças centrais desse processo. Isso tanto para disparar o espirro quanto para ativar o fechamento das pálpebras.

O espirro em si é uma resposta automática do organismo para expulsar partículas, microrganismos ou substâncias irritantes das vias aéreas – depositphotos.com / AndrewLozovyi

Como o nervo trigêmeo participa do espirro?

O nervo trigêmeo é um dos principais nervos cranianos e é responsável pela sensibilidade de grande parte da face, incluindo nariz, olhos e testa. Dessa forma, quando partículas de poeira, pólen ou outras substâncias entram no nariz, receptores sensoriais na mucosa enviam sinais ao cérebro por meio desse nervo. A partir daí, o tronco encefálico organiza uma resposta em cadeia para gerar o espirro.

Essa resposta envolve várias etapas coordenadas: inspiração profunda, fechamento parcial da glote, aumento da pressão no tórax e liberação explosiva de ar. Ao mesmo tempo, impulsos nervosos que se relacionam a esse reflexo alcançam regiões envolvidas no controle dos músculos das pálpebras. Por essa razão, o mesmo circuito que percebe a irritação no nariz também acaba desencadeando o fechamento dos olhos, integrando o espirro ao chamado reflexo palpebral.

O que é o reflexo palpebral do espirro?

O reflexo palpebral é o mecanismo que faz as pálpebras se fecharem automaticamente diante de determinados estímulos. Entre eles, quando um objeto se aproximando rapidamente do rosto, um som muito intenso ou um sopro de ar nos olhos. No espirro, esse reflexo é ativado em sincronia com a expulsão de ar e secreções pelo nariz e, às vezes, pela boca. Portanto, trata-se de uma resposta coordenada para reduzir a exposição do globo ocular a gotículas, partículas e mudanças bruscas de pressão.

Do ponto de vista fisiológico, centros nervosos no tronco encefálico recebem informações sensoriais do nervo trigêmeo e enviam comandos para o músculo orbicular dos olhos, responsável por fechar as pálpebras. Isso acontece em frações de segundo, sem participação consciente. Por ser um reflexo, não depende da vontade da pessoa, o que explica por que manter os olhos totalmente abertos durante um espirro é tão difícil, mesmo com tentativa deliberada.

Por que o corpo prefere fechar os olhos ao espirrar?

O fechamento involuntário dos olhos durante o espirro funciona como uma forma de proteção natural. Ao espirrar, expele-se o ar em alta velocidade, carregando gotículas de muco, micro-organismos e pequenas partículas. Manter as pálpebras cerradas reduz o risco de que essas substâncias atinjam diretamente a superfície ocular, que é sensível e vulnerável a irritações e infecções.

  • Redução do contato com secreções expelidas;
  • Proteção contra partículas em suspensão;
  • Estabilização do globo ocular frente à variação de pressão interna;
  • Diminuição da chance de ressecamento momentâneo da superfície do olho.

Esse reflexo também compõe parte de um conjunto de defesas da face, que inclui o lacrimejamento, o piscar automático e até o ato de virar a cabeça ligeiramente durante o espirro. Em conjunto, essas reações visam preservar estruturas delicadas, entre elas a córnea e a conjuntiva.

É verdade que o olho pode sair do lugar ao espirrar com ele aberto?

Um dos mitos prevalentes sobre o ato de espirrar é a ideia de que, ao tentar manter os olhos abertos, os globos oculares poderiam sair do lugar ou deslocar-se. Do ponto de vista médico, esse cenário não encontra suporte em evidências científicas. O que mantém os olhos na órbita são músculos, ligamentos, tecidos conjuntivos e o próprio nervo óptico. Ou seja, isso garante estabilidade mesmo em situações de aumento momentâneo de pressão, como o espirro.

Embora o espirro gere um aumento de pressão dentro da cavidade nasal e do tórax, esse valor não é suficiente para provocar a saída do globo ocular em indivíduos saudáveis. Casos de deslocamento do olho relacionam-se a condições específicas, como traumatismos graves, doenças que alteram a anatomia orbitária ou alterações importantes dos tecidos de suporte, e não ao simples ato de espirrar com os olhos abertos.

  1. O reflexo palpebral reduz a chance de o olhar permanecer totalmente aberto.
  2. A musculatura e os tecidos ao redor dos olhos fornecem forte sustentação.
  3. Não há registros científicos comuns de olhos saltando apenas por causa de espirros.

Quais curiosidades científicas existem sobre o espirro e os olhos?

Estudos sobre o espirro mostram que essa reação pode ser desencadeada por diferentes fatores, e nem todos ligam-se à irritação clássica do nariz. Há, por exemplo, pessoas que espirram diante da exposição à luz forte, um fenômeno conhecido como reflexo fótico do espirro. Nesses casos, a estimulação luminosa do nervo óptico pode interagir com o nervo trigêmeo, também contribuindo para a sequência de eventos que leva ao espirro e ao fechamento das pálpebras.

Outra curiosidade é que algumas pessoas relatam sentir dificuldade em segurar o espirro ou em controlar o momento em que ele acontece. Tentar bloquear completamente o espirro, prendendo o ar e tampando nariz e boca, pode gerar aumento acentuado de pressão interna, o que não é uma prática recomendada em termos de saúde. Deixar o espirro acontecer, com uso de lenço e higiene adequada, respeita o reflexo natural e reduz riscos desnecessários.

Estudos sobre o espirro mostram que essa reação pode ser desencadeada por diferentes fatores, e nem todos ligam-se à irritação clássica do nariz – depositphotos.com / AllaSerebrina

Como entender esse reflexo no dia a dia?

Compreender que o fechamento dos olhos durante o espirro é um reflexo automático ajuda a encarar o fenômeno como parte normal do funcionamento do corpo. O nervo trigêmeo, o reflexo palpebral e os mecanismos de proteção da face atuam em conjunto para preservar tanto as vias aéreas quanto os olhos, evitando que substâncias irritantes permaneçam em contato com essas estruturas sensíveis.

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Quando esse processo é visto como um sistema integrado de defesa, a ideia de que os olhos poderiam sair do lugar ao espirrar deixa de fazer sentido. O que ocorre, na prática, é um ajuste fisiológico rápido, preciso e repetitivo, que acompanha cada espirro ao longo da vida sem causar dano, desde que não haja doenças associadas. Assim, a dificuldade em espirrar com os olhos abertos deixa de ser motivo de preocupação e passa a ser entendida como parte natural da proteção ocular.

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