Segurança

Olhos no mar: riscos e cuidados ao nadar sem óculos

Nadar em mar aberto costuma ser associado à sensação de liberdade. No entanto, a exposição direta dos olhos à água salgada levanta dúvidas sobre segurança. Veja riscos e cuidados ao nadar sem óculos.

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Nadar em mar aberto costuma ser associado à sensação de liberdade. No entanto, a exposição direta dos olhos à água salgada levanta dúvidas sobre segurança. Muitas pessoas entram no mar e abrem os olhos embaixo dágua para se orientar, encontrar amigos ou simplesmente por curiosidade. Porém, a questão central é entender se esse hábito pode ser prejudicial à visão e em quais condições o risco aumenta.

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De forma geral, o contato dos olhos com a água do mar provoca uma reação imediata da superfície ocular, que é sensível ao sal, à areia em suspensão e a possíveis resíduos químicos. Dependendo do tempo de exposição, da qualidade da água e da tendência individual a irritações, nadar com os olhos abertos pode gerar apenas um desconforto passageiro ou desencadear quadros que exigem avaliação médica.

Em situações de maior exposição, como treinos longos, práticas de natação em águas abertas ou mergulhos repetidos, o risco de problemas aumenta – depositphotos.com / YuliyaKirayonakBO

É prejudicial nadar em mar aberto com os olhos abertos?

A palavra-chave neste tema é olhos e mar aberto. Manter os olhos abertos na água salgada não costuma causar danos permanentes em pessoas saudáveis quando ocorre de forma esporádica e por pouco tempo. Porém, o sal e as partículas presentes no mar agridem a camada de lágrima que recobre a córnea, podendo provocar ardência, sensação de areia nos olhos e visão turva temporária.

Em situações de maior exposição, como treinos longos, práticas de natação em águas abertas ou mergulhos repetidos, o risco de problemas aumenta. A superfície ocular pode ficar mais ressecada e irritada, favorecendo pequenas lesões microscópicas. Essas microfissuras funcionam como porta de entrada para germes, o que eleva a chance de conjuntivite e outras infecções oculares.

Quais são os principais riscos para os olhos no mar?

Entre os efeitos mais relatados após nadar em mar aberto com os olhos abertos estão:

  • Irritação e ardência: o alto teor de sal desestabiliza o filme lacrimal e irrita a córnea.
  • Vermelhidão: os vasos da conjuntiva se dilatam em resposta à agressão química e mecânica.
  • Sensibilidade à luz: após a exposição, algumas pessoas sentem dificuldade em encarar ambientes claros.
  • Conjuntivite infecciosa: bactérias e vírus presentes na água podem causar secreção, coceira e inchaço das pálpebras.
  • Ceratite (inflamação da córnea): em casos mais graves, associada a germes agressivos, pode provocar dor intensa e piora da visão.

O risco tende a ser maior em indivíduos com histórico de olho seco, alergias oculares, uso de lente de contato ou cirurgias oculares prévias. Nessas situações, a superfície do olho já é mais vulnerável, e o contato prolongado com água de mar aumenta a chance de complicações.

Que fatores do mar influenciam a segurança dos olhos?

Não é apenas o sal que interfere na segurança de nadar com os olhos abertos. Outros elementos do ambiente marinho também pesam nessa avaliação:

  • Concentração de sal: regiões com salinidade mais alta geram ardência mais rápida e intensa.
  • Ondas e correnteza: quanto mais forte o movimento da água, maior o atrito de areia, algas e pequenos resíduos com a superfície ocular.
  • Poluição: esgoto, óleo, lixo e micro-organismos aumentam o risco de infecções, mesmo em exposições curtas.
  • Temperatura da água: água muito fria pode reduzir a frequência de piscar, prolongando o contato da superfície ocular com agentes irritantes.
  • Presença de microalgas: em alguns períodos, florações de algas liberam substâncias irritantes para pele e mucosas, incluindo os olhos.

Além disso, áreas urbanas e praias muito movimentadas tendem a apresentar maior carga de poluentes. Em locais com bandeiras de alerta, relatos de contaminação ou chuva intensa recente, a recomendação de evitar abrir os olhos debaixo dágua torna-se ainda mais relevante.

Quanto tempo é relativamente seguro nadar sem óculos?

Não existe um tempo exato e universalmente seguro, mas é possível estabelecer algumas referências práticas. Em uma pessoa sem doenças oculares, nadar em mar aberto e abrir os olhos por períodos curtos, de poucos segundos a alguns minutos intermitentes, geralmente provoca apenas irritação leve e passageira. Longos períodos, acima de 20 a 30 minutos de exposição repetida com os olhos constantemente abertos, elevam o risco de desconforto intenso e de infecções, especialmente em águas mais poluídas.

De forma geral, quanto mais prolongada for a atividade em mar aberto, mais indicado é o uso de óculos de natação. Em travessias, treinos de natação em águas abertas e atividades que ultrapassam 15 a 20 minutos, manter os olhos protegidos diminui a agressão contínua da água salgada. Em crianças, esse cuidado costuma ser ainda mais importante, já que tendem a esfregar os olhos com as mãos sujas de areia e água.

Algumas atitudes simples reduzem bastante os impactos de nadar em mar aberto com os olhos expostos – depositphotos.com / AllaSerebrina

Quais medidas ajudam a proteger os olhos no mar?

Algumas atitudes simples reduzem bastante os impactos de nadar em mar aberto com os olhos expostos:

  1. Usar óculos de natação: é a forma mais eficaz de proteção, criando uma barreira física contra sal, areia e micro-organismos.
  2. Evitar lentes de contato na água: a lente funciona como esponja para germes e aumenta o risco de ceratite.
  3. Enxaguar os olhos com água limpa: após sair do mar, uma lavagem suave com água filtrada ou soro fisiológico ajuda a remover sal e resíduos.
  4. Não esfregar os olhos: o atrito pode provocar pequenas lesões na córnea, especialmente se houver areia ou partículas.
  5. Observar sinais de alerta: dor intensa, sensibilidade forte à luz, secreção amarelada ou visão embaçada persistente são motivos para buscar atendimento oftalmológico.

O uso de lágrimas artificiais lubrificantes após o banho de mar também pode contribuir para restaurar o conforto ocular, principalmente em pessoas mais sensíveis. A combinação de proteção mecânica com óculos, exposição moderada e higienização adequada tende a reduzir de forma importante os impactos de abrir os olhos em mar aberto.

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Assim, nadar em mar aberto com os olhos abertos não é, por si só, um gesto que obrigatoriamente cause dano permanente, mas envolve riscos que variam conforme a condição da água, o tempo de exposição e a saúde ocular de cada pessoa. Adotar medidas preventivas, limitar a exposição e estar atento aos sinais dos olhos permite aproveitar o mar com maior segurança para a visão.

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