Saúde

Cinetose: como evitar náuseas e tonturas em navios

O chamado enjoo em navios, ou mal do mar, ainda surpreende muita gente, inclusive quem nunca sentiu desconforto em carros ou aviões Veja detalhes sobre a cinetose, assim como a forma de evitar náuseas e tonturas em navios.

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Em um cruzeiro lotado no litoral brasileiro, enquanto uns aproveitam a piscina e o pôr do sol, outros passam horas no camarote tentando controlar a náusea. O chamado enjoo em navios, ou mal do mar, ainda surpreende muita gente, inclusive quem nunca sentiu desconforto em carros ou aviões. A sensação de que o chão balança sem parar pode transformar uma viagem planejada por meses em um desafio físico.

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Esse desconforto não é raro. Estudos em medicina de transporte indicam que uma parcela considerável da população é suscetível à cinetose, especialmente em travessias com mar agitado ou em navios menores, como barcos de passeio. A boa notícia é que o fenômeno é bem conhecido pela ciência, e hoje existem medicamentos, estratégias naturais e mudanças simples de comportamento que ajudam a diminuir o problema e, em muitos casos, evitá-lo.

O mal do mar é uma forma de cinetose, um distúrbio ligado ao movimento que provoca náusea, tontura, mal-estar geral e, em casos mais intensos, vômitos – depositphotos.com / dexteris

O que é o enjoo em navios e por que ele acontece?

O mal do mar é uma forma de cinetose, um distúrbio ligado ao movimento que provoca náusea, tontura, mal-estar geral e, em casos mais intensos, vômitos. Ele acontece principalmente quando há um conflito de informações entre o que o corpo sente e o que os olhos veem. Em um navio, o corpo está em constante balanço, mas, dentro da cabine ou de áreas fechadas, os olhos podem registrar um ambiente aparentemente parado, como paredes, mesas e teto.

Nessas condições, o cérebro recebe sinais desencontrados: o ouvido interno indica movimento, enquanto a visão sugere estabilidade. Essa confusão é interpretada pelo sistema nervoso como algo anormal, e uma das respostas possíveis é a ativação de regiões ligadas à náusea e ao vômito. Não se trata de fraqueza ou falta de costume, mas de uma reação física que varia bastante de pessoa para pessoa.

Como o ouvido interno, os olhos e o cérebro entram em conflito no mal do mar?

No enjoo em navios, três sistemas do corpo atuam em conjunto: o ouvido interno, a visão e o cérebro. Dentro do ouvido, estruturas chamadas canais semicirculares e otólitos funcionam como sensores de movimento. Eles detectam acelerações, inclinações e mudanças de posição. Ao mesmo tempo, os olhos acompanham o ambiente e ajudam a manter a orientação espacial.

Quando a pessoa está em alto-mar, o ouvido interno percebe o sobe e desce constante das ondas. Se ela permanece em um local onde não enxerga o horizonte, os olhos enviam um recado diferente, de que tudo está parado. O cérebro precisa conciliar essas duas informações e, diante da divergência, ativa áreas relacionadas ao equilíbrio e ao sistema digestivo. Isso explica por que alguns sintomas se combinam: tontura, sensação de cabeça leve, sudorese fria, náusea intensa e, em muitos casos, dificuldade de se concentrar em tarefas simples.

Curiosamente, a mesma pessoa pode não sentir nada se ficar em um ponto do navio onde consiga ver o horizonte. Nesse cenário, visão e ouvido interno passam a contar a mesma história: há movimento, mas o entorno confirma esse deslocamento. Com menos conflito sensorial, o cérebro tende a reduzir o disparo de sinais que levam ao mal-estar.

Quais remédios ajudam a prevenir o enjoo em navios?

O tratamento medicamentoso do mal do mar costuma envolver principalmente antihistamínicos e escopolamina. Os antihistamínicos de primeira geração, como dimenidrinato, meclizina e outros produtos de farmácia amplamente conhecidos, agem bloqueando substâncias ligadas à náusea no sistema nervoso central. Geralmente são tomados algumas horas antes do embarque e podem causar sonolência, boca seca e leve redução de reflexos.

Já os adesivos de escopolamina são aplicados atrás da orelha e liberam o medicamento de forma contínua por vários dias. Eles interferem em vias nervosas ligadas ao equilíbrio e ao controle da náusea, sendo usados, em geral, em viagens mais longas, como cruzeiros oceânicos. Entre os efeitos possíveis estão visão embaçada, boca seca e, em raros casos, alterações de humor. Por atuarem diretamente no sistema nervoso, esses remédios exigem prescrição e avaliação médica, especialmente para pessoas com doenças crônicas, gestantes, idosos ou quem já usa outros medicamentos.

Em alguns casos específicos, profissionais de saúde podem indicar outros fármacos antieméticos, usados também em situações como náuseas de pós-operatório ou quimioterapia. No contexto da cinetose marítima, contudo, antihistamínicos e escopolamina continuam entre as opções mais utilizadas, desde que planejados com antecedência e acompanhados de orientações adequadas.

Alternativas naturais e hábitos que ajudam a reduzir o mal do mar

Além dos remédios, diversos recursos não farmacológicos podem aliviar o enjoo em navios. O gengibre é um dos mais citados em pesquisas: cápsulas, balas ou chás da raiz são associados à redução de náuseas leves a moderadas em diferentes contextos. Embora não substitua medicamentos em quadros intensos, costuma ser uma opção utilizada antes de recorrer a fármacos mais potentes.

Outro método bastante falado é o uso de pulseiras de acupressão, que fazem pressão em pontos específicos do punho ligados, na medicina tradicional oriental, ao controle da náusea. Há estudos com resultados variados, mas muitas pessoas relatam algum alívio, principalmente quando a estratégia é combinada a outras medidas, como alimentação leve e hidratação adequada.

Alguns hábitos simples também fazem diferença:

  • Escolher cabines mais centrais e nos andares inferiores, onde o balanço é menor.
  • Passar mais tempo em áreas abertas, olhando para o horizonte.
  • Evitar leituras prolongadas e uso intenso de telas enquanto o navio balança.
  • Fazer refeições leves, com pouca gordura e pouco álcool, antes e durante a navegação.
  • Manter pequenos goles de água ao longo do dia, evitando grandes quantidades de líquido de uma vez.
Além dos remédios, diversos recursos não farmacológicos podem aliviar o enjoo em navios – depositphotos.com / sergio_pulp

Como se preparar para uma viagem de navio e minimizar a cinetose?

Quem já sabe que tem tendência ao mal do mar pode se organizar com antecedência. Uma forma prática é montar um pequeno plano pessoal de prevenção, combinando medidas comportamentais e, se necessário, recursos farmacológicos. Um roteiro possível inclui:

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  1. Consultar um profissional de saúde antes da viagem para discutir histórico de enjoo e possíveis medicamentos.
  2. Reservar, se possível, cabines em regiões do navio com menor balanço.
  3. Separar itens como gengibre, pulseiras de acupressão e lanches leves para os primeiros dias.
  4. Programar o horário de uso de antihistamínicos ou adesivos, quando indicados, para que atuem antes do início do balanço.
  5. Combinar com acompanhantes uma forma de ajuda, caso seja necessário buscar apoio médico a bordo.

Essas medidas não eliminam totalmente o risco de mal do mar, mas costumam reduzir a intensidade dos sintomas e aumentar as chances de que a experiência em alto-mar seja mais confortável. Com informação, preparo e acompanhamento adequado, a cinetose deixa de ser um mistério e passa a ser um fator previsível, que pode ser administrado com mais tranquilidade durante viagens de navio, sejam elas curtas travessias ou cruzeiros de longa duração.

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