Saúde

Esta semente de planta brasileira pode ser a solução para remover microplásticos da água

Descubra por que a semente da moringa purifica água e remove microplásticos, oferecendo solução sustentável e acessível no Brasil

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A semente de moringa, presente em diferentes regiões do Brasil, vem sendo estudada como uma alternativa simples para o tratamento de água. Em vez de recorrer apenas a produtos químicos industriais, pesquisadores analisam como compostos naturais dessa planta podem interagir com partículas poluentes. Entre esses poluentes estão os microplásticos, hoje considerados um dos principais desafios ambientais para rios, lagos e sistemas de abastecimento.

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Microplásticos são fragmentos extremamente pequenos, muitas vezes invisíveis a olho nu, que se desprendem de embalagens, fibras têxteis e diversos produtos do dia a dia. Por causa do tamanho reduzido, passam com facilidade pelos sistemas convencionais de filtragem. Nesse cenário, a semente de moringa oleifera se destaca como objeto de estudo por reunir três características importantes: baixo custo, fácil obtenção e presença de substâncias com alta capacidade de interação com partículas suspensas na água.

O que torna a semente de moringa interessante para remoção de microplásticos?

A principal razão para o interesse científico na semente de moringa está em suas proteínas catiônicas, ou seja, moléculas com carga positiva. Muitos microplásticos e impurezas na água apresentam carga superficial negativa. Quando o extrato da semente é adicionado à água, essas proteínas podem se ligar às partículas, favorecendo a formação de flocos maiores. Esse processo, conhecido como floculação, facilita a sedimentação ou a remoção por filtração simples.

Além das proteínas, a semente contém fibras e outros compostos orgânicos que contribuem para a formação de agregados. Em testes laboratoriais, observou-se que a moringa atua de forma semelhante a coagulantes químicos usados em estações de tratamento, porém com origem vegetal. A diferença é que, em vez de adicionar sais metálicos, utiliza-se um pó ou extrato obtido de uma planta amplamente cultivada em solos brasileiros, sobretudo em áreas semiáridas.

Proteínas carregadas positivamente das sementes da moringa atraem partículas plásticas, formando flocos que podem ser removidos com filtração simples, oferecendo alternativa verde aos químicos industriais – depositphotos.com / bdspn74

Como a semente de moringa age na água com microplásticos?

Quando processada adequadamente, a semente de moringa pode ser transformada em pó ou em solução aquosa. Esse material é misturado à água contaminada e submetido a uma agitação controlada. Nesse momento, as proteínas presentes na semente aproximam-se dos microplásticos, aderindo às suas superfícies. A partir daí, pequenas partículas começam a se juntar, formando blocos maiores, o que reduz a turbidez e facilita a separação física.

De forma simplificada, o processo pode ser descrito em etapas:

  • Contato inicial: o extrato de moringa é adicionado à água com microplásticos.
  • Adsorção: proteínas carregadas positivamente aderem às partículas plásticas carregadas negativamente.
  • Formação de flocos: as partículas unidas formam agregados maiores e mais pesados.
  • Remoção: os flocos podem ser separados por decantação, filtração ou flotação.

Esse mecanismo físico-químico explica por que a moringa vem sendo apontada como um coagulante natural promissor. Estudos recentes investigam, inclusive, a combinação da semente com outras técnicas de tratamento, como filtros de areia ou membranas, para potencializar a retirada de microplásticos em diferentes tamanhos e formatos.

A semente de moringa pode substituir totalmente os tratamentos convencionais?

Os resultados iniciais sobre o uso da semente de moringa para remoção de microplásticos indicam um potencial relevante, mas ainda não definitivo. Em condições laboratoriais, alguns trabalhos relatam reduções significativas de partículas, principalmente quando as concentrações de moringa e o tempo de contato são ajustados com precisão. No entanto, a transposição desses dados para sistemas de grande escala exige avaliações adicionais.

Entre os pontos que ainda estão em análise, destacam-se:

  1. Eficiência em diferentes tipos de água: rios, esgotos industriais e água do mar apresentam composições muito distintas.
  2. Tamanho e tipo de microplásticos: fibras, fragmentos e microesferas podem responder de maneira diferente ao tratamento.
  3. Controle de dosagem: excesso de extrato de moringa pode deixar resíduos orgânicos que também precisam ser removidos.
  4. Estabilidade e armazenamento: o pó de semente deve manter suas propriedades ao longo do tempo para uso seguro e previsível.

Pesquisadores também avaliam questões regulatórias, impactos na qualidade sensorial da água e possíveis subprodutos do processo. A expectativa é que a moringa atue como complemento aos sistemas já existentes, reduzindo a carga de microplásticos e, em alguns casos, diminuindo a dependência exclusiva de coagulantes sintéticos.

No Brasil, a moringa combina origem renovável e fácil cultivo com potencial científico, reforçando soluções locais para água mais limpa e sustentável – depositphotos.com / bdspn74

Quais são as vantagens e cuidados no uso da moringa no Brasil?

No contexto brasileiro, a moringa apresenta algumas vantagens estratégicas. Trata-se de uma planta adaptada a climas quentes, com crescimento rápido e capacidade de produzir grande quantidade de sementes por ano. Isso abre espaço para iniciativas locais de produção, principalmente em comunidades rurais e regiões com menor acesso a tecnologias avançadas de tratamento de água.

Entre os benefícios frequentemente citados estão:

  • Baixo custo de produção das sementes em comparação a insumos importados.
  • Origem renovável, alinhada a práticas de uso sustentável de recursos naturais.
  • Facilidade de manuseio, já que o processamento básico pode ser realizado com equipamentos simples.

Ao mesmo tempo, o uso da semente de moringa para remoção de microplásticos exige protocolos claros de preparo, dosagem e descarte dos flocos formados. Também é necessário monitorar a qualidade microbiológica da água tratada, pois a presença de matéria orgânica adicional pode favorecer o crescimento de microrganismos se o manejo não for adequado.

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Com o avanço das pesquisas até 2026, a tendência é que novas metodologias combinem a moringa com outras soluções naturais e tecnologias consolidadas. Assim, a planta deixa de ser apenas um recurso tradicional e passa a integrar estratégias modernas de enfrentamento à poluição por microplásticos, especialmente em países com ampla disponibilidade dessa espécie, como o Brasil.

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