História

Rede de túneis de 1.600 anos é descoberta sob a Hagia Sophia, na Turquia

A recente revelação de uma rede de túneis subterrâneos sob a Hagia Sophia, em Istambul, reacendeu o interesse mundial por um dos edifícios mais emblemáticos da história. Saiba os detalhes!

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A recente revelação de uma rede de túneis subterrâneos sob a Hagia Sophia, em Istambul, reacendeu o interesse mundial por um dos edifícios mais emblemáticos da história. A descoberta ocorreu durante obras de restauração, quando equipes técnicas e arqueológicas identificaram acessos, galerias e passagens até então desconhecidos, com estimativa de terem cerca de 1.600 anos. Assim, a constatação levanta perguntas sobre o uso original dessas estruturas, a complexidade da engenharia bizantina e o papel estratégico do monumento ao longo dos séculos.

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Para compreender o alcance dessa descoberta, é necessário lembrar que a Hagia Sophia foi construída entre 532 e 537 d.C., durante o reinado do imperador bizantino Justiniano I. Ademais, erguida sobre fundações de templos anteriores e após a destruição de uma igreja anterior durante a Revolta de Nika, a nova basílica foi concebida como símbolo máximo do poder imperial e da fé cristã em Constantinopla. A pressa na construção, a escala monumental e o uso de técnicas avançadas para a época indicam um planejamento complexo, no qual estruturas subterrâneas possivelmente desempenharam papel essencial.

A principal hipótese entre estudiosos é que a projeção da rede de túneis subterrâneos sob a Hagia Sophia teve múltiplas finalidades – depositphotos.com / Givaga

O que se sabe sobre a estrutura subterrânea recém-identificada?

Os trabalhos de restauração, que visavam inicialmente a conservação de elementos visíveis da Hagia Sophia, acabaram revelando pisos irregulares, aberturas ocultas e galerias abaixo do nível atual. Com o avanço da investigação, arqueólogos passaram a falar em uma verdadeira rede de túneis subterrâneos, interligando diferentes setores do edifício. Além disso, se estendendo para além de seus limites imediatos. A análise preliminar, com base em datação de materiais de construção e técnicas empregadas, sugere que parte dessas estruturas remonta ao período de Justiniano I, aproximando sua origem de 1.600 anos atrás.

Embora o mapeamento completo ainda esteja em andamento, os especialistas indicam que os túneis apresentam diferentes dimensões e funções. Afinal, alguns trechos parecem se adequar para o trânsito de pessoas, enquanto outros são estreitos e baixos, sugerindo uso técnico. Ademais, a localização de algumas passagens próximas a antigas cisternas e pontos de drenagem reforça a ideia de que o complexo subterrâneo foi planejado como parte de um sistema integrado, tanto funcional quanto de apoio às atividades religiosas e administrativas do edifício.

Rede de túneis subterrâneos sob a Hagia Sophia: para que poderia servir?

A principal hipótese entre estudiosos é que a projeção da rede de túneis subterrâneos sob a Hagia Sophia teve múltiplas finalidades. Em um edifício dessa magnitude, com intensa circulação de clérigos, funcionários imperiais e fiéis, passagens ocultas poderiam servir como rotas de serviço. Ou seja, para permitir a movimentação de pessoas, objetos litúrgicos e suprimentos sem interferir nas cerimônias públicas. Afinal, essa prática era comum em grandes complexos religiosos e palacianos do período bizantino.

Outra função possível seria a de rotas de fuga para autoridades em momentos de crise política ou militar. Constantinopla, apesar de fortemente fortificada, enfrentou revoltas, cercos e ameaças externas. Por isso, túneis com conexão a pontos estratégicos próximos, como o antigo Palácio Imperial ou sistemas de muralhas, poderiam oferecer saídas discretas em situações de emergência. Além disso, alguns segmentos parecem associar-se a sistemas de drenagem e controle de umidade, essenciais para preservar a estabilidade de uma construção erguida sobre solo úmido e sujeita a infiltrações.

Há ainda a possibilidade de usos religiosos e rituais. Afinal, espaços subterrâneos muitas vezes serviam para sepultamentos de figuras importantes, armazenamento de relíquias ou locais de recolhimento reservado. Embora ainda não haja confirmação de criptas com ligação direta à nova rede, a presença de nichos e pequenas câmaras sugere que algumas áreas poderiam ter abrigado elementos de culto ou depósitos de objetos sacros. Ou seja, isso reforça a dimensão espiritual do conjunto.

Como essa descoberta muda o entendimento sobre a engenharia bizantina?

Do ponto de vista arqueológico, a descoberta acrescenta dados relevantes sobre a engenharia do Império Bizantino no século VI. A construção da Hagia Sophia já era conhecida pela ousadia da cúpula, pelo uso de pilares maciços e por soluções arquitetônicas para distribuir peso e pressão. Porém, a confirmação de uma infraestrutura subterrânea planejada amplia a percepção de que o projeto levou em conta, desde o início, questões como estabilidade, manutenção e logística interna.

Os materiais identificados nos túneis como tijolos padronizados, argamassas específicas e revestimentos em determinados trechos indicam um conhecimento avançado de técnicas de impermeabilização e ventilação para a época. Assim, isso sugere que a engenharia bizantina não se limitava ao que é visível hoje, mas incluía uma rede de suporte oculta que garantia o funcionamento contínuo da basílica. O estudo em detalhes dessas passagens pode, inclusive, ajudar a reconstituir métodos construtivos pouco documentados em fontes escritas.

Para os estudos sobre o Império Bizantino, essa rede subterrânea funciona como uma espécie de laboratório. Ao analisar sedimentos, restos orgânicos e artefatos encontrados nas galerias, arqueólogos podem recuperar informações sobre o cotidiano de trabalhadores. Além disso, sobre a circulação interna de bens, intervenções de reparo e até mudanças de uso ao longo dos séculos. Cada camada que se encontrou nos túneis representa um período diferente da história de Constantinopla e de Istambul.

Qual é a importância histórica da Hagia Sophia nesse contexto?

A Hagia Sophia ocupa uma posição singular na história mundial. Originalmente, foi a principal catedral do Império Bizantino e sede do Patriarca de Constantinopla, funcionando como centro religioso e político por quase um milênio. Após a conquista otomana em 1453, ocorreu a conversão do edifício em mesquita, com a adição de minaretes à estrutura, marcando uma nova fase em sua trajetória e reforçando seu papel como símbolo do poder otomano.

Em 1935, já na República da Turquia, a Hagia Sophia tornou-se museu, o que abriu o espaço a visitantes de diferentes países e tradições. Assim, essa mudança consolidou sua imagem como patrimônio cultural universal. Em 2020, o edifício voltou a ser oficialmente mesquita, mas permaneceu aberto ao turismo, mantendo sua relevância global. Portanto, essa sequência de usos catedral, mesquita, museu e novamente mesquita revela uma história marcada por transformações políticas, religiosas e culturais.

Nesse cenário, a descoberta da rede de túneis subterrâneos reforça a percepção da Hagia Sophia como um organismo vivo, em constante reinterpretação. Afinal, cada nova evidência arqueológica oferece dados para compreender como diferentes sociedades se apropriaram do mesmo espaço, adaptando estruturas e funções conforme necessidades de cada época, sem apagar completamente as camadas anteriores.

Hagia Sophia ocupa uma posição singular na história mundial. Originalmente, foi a principal catedral do Império Bizantino e sede do Patriarca de Constantinopla, funcionando como centro religioso e político por quase um milênio – depositphotos.com / shapicingvar

Por que a descoberta dos túneis reforça o valor da Hagia Sophia como patrimônio mundial?

A identificação de passagens subterrâneas com cerca de 1.600 anos reforça a importância da Hagia Sophia como patrimônio histórico mundial por diversos motivos. Primeiro, amplia o conhecimento sobre a concepção original do complexo, mostrando que o projeto não se limitou à monumentalidade visível. Segundo, evidencia o alto nível de planejamento e de domínio técnico que os construtores bizantinos alcançaram, o que contribui para reavaliar o lugar da engenharia do período na história global da arquitetura.

Além disso, a descoberta cria novas oportunidades de pesquisa interdisciplinar, envolvendo arqueologia, história, engenharia, conservação e estudos de religião. Assim, essas investigações podem gerar protocolos mais precisos de preservação, tanto para a Hagia Sophia quanto para outros monumentos antigos com estruturas subterrâneas semelhantes. A atenção internacional que os túneis despertaram também fortalece debates sobre proteção de sítios históricos em áreas urbanas intensamente utilizadas.

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Por fim, o interesse que a rede de túneis subterrâneos desperta contribui para renovar o olhar sobre a Hagia Sophia. Afinal, em vez de ser vista apenas como um ícone visual ou turístico, a construção passa a ser encarada também como fonte ativa de informação sobre práticas construtivas.. Além disso, dinâmicas urbanas e interações entre religiões ao longo de mais de um milênio e meio. Essa combinação de valor histórico, arquitetônico, religioso e científico sustenta sua permanência como um dos principais símbolos do patrimônio da humanidade em 2026.

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