De protesto à paixão dos turistas: a história dos anões de Wrocaw
Quem caminha hoje pelo centro histórico de Wrocaw, no sudoeste da Polônia, costuma esbarrar em pequenas esculturas de bronze.
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Quem caminha hoje pelo centro histórico de Wrocaw, no sudoeste da Polônia, costuma esbarrar em pequenas esculturas de bronze. Elas se espalham pelas calçadas, nas portas de lojas e perto de monumentos. Em poucos metros, o visitante encontra um anão lendo jornal, outro tocando acordeão e mais adiante um com mochila e máquina fotográfica. Assim, a presença dessas figuras, que se multiplicam ano a ano, transforma-se em um símbolo forte da cidade. Além disso, funciona como um atrativo permanente para visitantes de vários países.
Muitos turistas observam os anões como um detalhe curioso de Wrocaw. No entanto, o movimento que origina essas figuras nasce de uma contestação política, ainda na época comunista. Antes de virar marca registrada da cidade, o chamado Exército de Anões integra uma estratégia de resistência pacífica, que mistura humor, arte de rua e crítica ao regime. Dessa forma, essa combinação consolida a imagem dos anões não apenas como decoração urbana, mas também como uma referência histórica importante.
Como nasceu o Exército de Anões em Wrocaw?
A ideia de associar Wrocaw aos anões surge na década de 1980, quando a Polônia ainda vivia sob o regime comunista. Naquele período, um movimento alternativo conhecido como Pomaraczowa Alternatywa (Alternativa Laranja) começa a usar o humor como forma de protesto. Em vez de organizar apenas manifestações tradicionais, o grupo ocupa o espaço público com ações performáticas e intervenções artísticas. Além disso, espalha grafites caricatos, muitas vezes com o desenho de um pequeno anão.
Esses desenhos aparecem em cima de inscrições que as autoridades censuram ou em muros onde agentes do Estado apagam slogans antigoverno. Ao substituir mensagens políticas por figuras aparentemente inofensivas, os participantes criam uma situação desconfortável para o regime. Reprimir um desenho de anão parece desproporcional, mas ignorar o grafite significa aceitar a crítica velada. Assim, o anão se torna um símbolo de resistência discreta e de ironia diante do poder.
Por que Wrocaw é conhecida como a cidade dos anões?
Após o fim do comunismo, o personagem importante nas ações da Alternativa Laranja não desaparece. Pelo contrário, ganha uma nova função e integra a identidade visual de Wrocaw. Em 2001, surge a primeira escultura oficial, chamada de Papcio Krasnal (algo como Papai Anão). As autoridades municipais instalam a obra em homenagem ao movimento de protesto dos anos 1980. A partir daí, a cidade passa a usar os anões como marca turística e cultural.
Com o tempo, moradores, empresas e instituições começam a encomendar seus próprios anões de bronze. Cada escultura ganha uma personalidade, profissão ou temática específica. Desse modo, o antigo símbolo de resistência se reinterpreta como personagem lúdico, que aproxima a história política local do cotidiano de quem vive ou visita a cidade. Hoje, materiais promocionais, guias de viagem e campanhas de divulgação associam diretamente a imagem da cidade dos anões a Wrocaw. Além disso, projetos educacionais locais usam os anões para introduzir crianças à história recente da Polônia.
Quando os anões de Wrocaw viraram atração turística?
A transformação dos anões em fenômeno turístico ganha força a partir dos anos 2000, quando novas esculturas começam a surgir com mais frequência. Guias impressos, mapas interativos e sites especializados passam a indicar rotas para encontrar essas figuras. A proposta permanece simples: incentivar moradores e turistas a percorrer diferentes bairros, observando fachadas, praças e esquinas em busca dos pequenos personagens de bronze.
Para muitos visitantes, a atividade funciona como uma espécie de caça ao tesouro. Crianças e adultos caminham pela cidade e registram fotos com os anões, que costumam ter nomes e histórias próprios. Além disso, alguns roteiros temáticos conectam grupos de anões a períodos específicos da história local. Essa dinâmica ajuda a distribuir o fluxo de pessoas por áreas variadas, e assim reduz um pouco o foco exclusivo na praça central e em pontos históricos mais conhecidos. Ao mesmo tempo, cria uma forma diferente de interação com o espaço urbano, mais atenta a detalhes e elementos do cotidiano.
Quais tipos de anões existem espalhados pela cidade?
Atualmente, o Exército de Anões de Wrocaw reúne centenas de esculturas, com estilos e temas bastante diversos. Alguns representam profissões comuns, como médico, carteiro ou professor. Outros remetem a grupos específicos da sociedade, como anões estudantes, anões músicos de rua ou anões ligados à cena universitária local. Também surgem figuras que simbolizam causas sociais, como acessibilidade, direitos humanos ou proteção ao meio ambiente. Além disso, novos projetos buscam incluir anões que representem minorias étnicas e culturais da região.
- Anões de serviços: ligados a bancos, correios, restaurantes e hotéis, posicionados perto das entradas dos estabelecimentos, para receber visitantes de forma bem-humorada.
- Anões temáticos: inspirados em lendas, eventos culturais, esportes ou personagens históricos relacionados à cidade, e que frequentemente dialogam com festivais locais.
- Anões institucionais: instalados em frente a museus, universidades, bibliotecas e órgãos públicos, reforçando a ligação com essas entidades e com seus acervos.
Em muitos casos, empresas ou organizações locais financiam as esculturas, mas todos seguem um estilo padronizado, que mantém certa unidade visual. Artistas ligados à cidade assumem a autoria e criam versões personalizadas sem perder o traço característico dos anões de Wrocaw. Além disso, alguns ateliês organizam oficinas abertas, nas quais moradores podem sugerir ideias para novos personagens.
Como os anões contribuem para contar a história de Wrocaw?
Além do papel turístico evidente, os anões funcionam como um fio condutor entre diferentes momentos da história recente da cidade. Quando lembram a Alternativa Laranja, essas figuras remetem aos protestos criativos dos anos 1980 e à resistência ao regime comunista. Ao mesmo tempo, mostram como a sociedade local reinterpreta esse passado em um contexto democrático. Nesse novo cenário, a memória do confronto político se transforma em arte urbana acessível.
Guias locais costumam usar o percurso dos anões para introduzir temas como censura, liberdade de expressão e transição política na Polônia. Assim, cada escultura deixa de ser apenas um ponto para foto e passa a representar uma chave de leitura do espaço urbano. Em paralelo, a multiplicação desses personagens segue reforçando a identidade visual de Wrocaw. Em 2026, a cidade continua conhecida internacionalmente como a cidade dos anões e como um exemplo de como um símbolo de protesto se torna parte central da paisagem cultural. Além disso, pesquisadores de turismo urbano estudam Wrocaw como caso de sucesso em memória pública e branding de cidade.
Como aproveitar melhor o Exército de Anões ao visitar Wrocaw?
Quem pretende conhecer a cidade polonesa normalmente inclui o contato com essas esculturas no roteiro. Há diversas formas de integrar o Exército de Anões à visita, combinando passeios históricos com momentos de exploração mais livre. Um roteiro básico costuma incluir o centro antigo, a região à beira do rio Oder e áreas próximas a universidades e instituições culturais.
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- Consultar mapas ou aplicativos dedicados aos anões antes do passeio, para planejar paradas e identificar figuras raras.
- Planejar uma rota que passe por diferentes bairros, não apenas pela praça principal, e assim conhecer zonas menos turísticas.
- Observar as placas próximas a algumas esculturas, que explicam o significado de cada personagem e o contexto histórico envolvido.
- Registrar fotos dos anões preferidos, identificando nome e localização, e depois comparar com guias oficiais ou sites de fãs.
- Reservar tempo para caminhar sem pressa, permitindo descobrir figuras menos óbvias e conversar com moradores sobre suas favoritas.
Dessa forma, o visitante entra em contato tanto com a dimensão lúdica dos anões quanto com a camada histórica que eles representam. Wrocaw segue associando sua imagem a esse conjunto de pequenas esculturas, que já ultrapassa o status de curiosidade. Hoje, o Exército de Anões se firma como parte integrada da memória urbana e da experiência cotidiana de quem circula pela cidade, seja morador, estudante ou turista.