Clima

Vórtice polar: por que o frio intenso está tomando os Estados Unidos

Nos últimos invernos, o termo vórtice polar apareceu com frequência em notícias sobre frio intenso e tempestades de neve nos Estados Unidos. Entenda o fenômeno que produz frio intenso no país.

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Nos últimos invernos, o termo vórtice polar apareceu com frequência em notícias sobre frio intenso e tempestades de neve nos Estados Unidos. Em 2026, o fenômeno voltou a ganhar destaque ao provocar quedas bruscas de temperatura, neve fora de época e sensação térmica muito abaixo do normal em vários estados. Apesar de soar técnico, trata-se de um mecanismo natural da atmosfera, que sempre existiu. Porém, ele passou a ser alvo de mais comentários à medida que seus efeitos passaram a ser mais visíveis no dia a dia.

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O vórtice polar não é uma frente fria comum nem uma única tempestade de inverno. Afinal, ele funciona como um grande sistema de ventos em altitude que, quando está estável, mantém o ar gelado confinado próximo ao Ártico. No entanto, o problema começa quando essa barreira enfraquece ou se deforma, permitindo que massas de ar extremamente frias escapem em direção às latitudes mais baixas, como o centro e o leste dos Estados Unidos. Assim, provocam episódios de frio inesperado mesmo após o fim do inverno meteorológico.

Durante o inverno no hemisfério norte, o vórtice polar tende a ficar mais intenso. Afinal, a diferença de temperatura entre o Ártico e as regiões mais ao sul aumenta – depositphotos.com / inyrdreams

O que é o vórtice polar e como ele funciona?

O vórtice polar é uma grande área de baixa pressão e ar muito frio nas regiões polares. Em especial, na estratosfera, a camada da atmosfera acima da troposfera. Ele é formado por ventos fortes que giram no sentido anti-horário no hemisfério norte, mantendo o ar gelado sobre o Ártico. Em condições normais, essa circulação age como um cinturão, reduzindo a migração do ar polar extremo para o sul.

Durante o inverno no hemisfério norte, o vórtice polar tende a ficar mais intenso. Afinal, a diferença de temperatura entre o Ártico e as regiões mais ao sul aumenta. No entanto, mudanças nessa estrutura podem ocorrer por influência de ondas de calor em altitude, oscilações naturais da atmosfera e alterações no padrão dos ventos de oeste. Quando isso acontece, a circulação se enfraquece, se divide ou se desloca, abrindo caminho para línguas de ar gelado descerem em direção à América do Norte, Europa e Ásia.

Por que o vórtice polar traz frio e neve para os Estados Unidos?

Quando o vórtice polar se desestabiliza, grandes porções de ar ártico caem sobre o Canadá e os Estados Unidos, empurradas por sistemas de alta e baixa pressão na troposfera. Esse ar frio, ao encontrar áreas com maior umidade, favorece a formação de tempestades de neve, gelo e chuva congelante. Assim, é nesse contexto que estados acostumados a invernos rigorosos, como Minnesota, Dakota do Norte e Wisconsin, registram temperaturas ainda mais baixas. Por outro lado, regiões menos habituadas, como partes do sul e do leste, também podem ser atingidas.

O frio que esses episódios provocam pode ser tão intenso que há o fechamento de escolas, o cancelamento de voos e bloqueio de rodovias por gelo e nevascas. Em alguns casos, as temperaturas caem muito abaixo de zero, com sensação térmica agravada pelo vento forte. Ou seja, um fenômeno conhecido como wind chill. Essa combinação explica por que eventos associados ao vórtice polar, mesmo quando duram poucos dias, têm grande impacto na rotina, na infraestrutura e no sistema de energia dos Estados Unidos.

O vórtice polar tem relação com as mudanças climáticas?

A comunidade científica ainda investiga de forma detalhada o vínculo entre o vórtice polar e o aquecimento global, mas alguns estudos apontam possíveis conexões. Uma das hipóteses discute que o aquecimento mais rápido do Ártico em comparação com outras regiões pode alterar os padrões de circulação atmosférica, contribuindo para episódios mais frequentes ou mais intensos de desorganização do vórtice. Essa ideia ainda é tema de debate, mas ajuda a explicar por que ondas de frio extremo podem ocorrer mesmo em um planeta que, em média, está mais quente.

É importante destacar que o vórtice polar não é criado pelas mudanças climáticas; ele é um componente natural da atmosfera. O que está em análise é se o comportamento desse sistema está mudando em resposta ao aquecimento do Ártico, à redução da cobertura de gelo marinho e a outras transformações ambientais observadas nas últimas décadas. Assim, episódios de frio intenso nos Estados Unidos não contradizem o aquecimento global, mas se encaixam em um cenário climático mais complexo.

Quais são os principais efeitos do vórtice polar no cotidiano?

Quando o ar polar avança sobre áreas povoadas, o impacto é sentido em diferentes setores. No sistema de saúde, aumenta a preocupação com hipotermia, congelamento de extremidades e agravamento de doenças respiratórias. Já no setor de energia, cresce a demanda por aquecimento, pressionando redes elétricas e estoques de gás. Além disso, o transporte é diretamente afetado por neve, gelo nas pistas e baixa visibilidade, o que leva a interrupções em estradas, ferrovias e aeroportos.

  • Infraestrutura: tubulações podem congelar, fios elétricos sofrem com peso de gelo e neve, e construções mais antigas mostram maior vulnerabilidade.
  • Agricultura: geadas tardias prejudicam culturas sensíveis ao frio e podem afetar pastagens utilizadas na alimentação de animais.
  • Rotina urbana: escolas e serviços públicos podem reduzir atividades, e orientações de permanência em casa se tornam mais comuns durante picos de frio.
A comunidade científica ainda investiga de forma detalhada o vínculo entre o vórtice polar e o aquecimento global, mas alguns estudos apontam possíveis conexões – depositphotos.com / ronniechua

Como a população e as autoridades se preparam para o vórtice polar?

A preparação para episódios associados ao vórtice polar envolve ações de curto e médio prazo. Órgãos meteorológicos emitem alertas com antecedência, permitindo que autoridades locais organizem abrigos aquecidos, reforcem equipes de limpeza de neve e planejem eventuais interrupções de serviços. Em paralelo, campanhas de comunicação orientam a população sobre cuidados com exposição prolongada ao frio e com o uso seguro de aquecedores domésticos.

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  1. Monitoramento constante: satélites, modelos numéricos e observações em solo acompanham a evolução do vórtice polar e das massas de ar frio.
  2. Planos de emergência: cidades preparam protocolos para abertura de abrigos e reforço no atendimento de saúde e assistência social.
  3. Adaptação da infraestrutura: melhorias em isolamento térmico, redes elétricas e sistemas de transporte ajudam a reduzir danos em eventos futuros.

Compreender o que é o vórtice polar e de que forma ele atua sobre o clima dos Estados Unidos permite interpretar melhor as ondas de frio inesperadas que surgem em pleno outono ou no fim do inverno. Embora seja um fenômeno típico das altas latitudes, sua influência esporádica sobre regiões mais ao sul mostra como a atmosfera funciona de forma integrada e dinâmica, afetando diretamente a vida diária de milhões de pessoas.

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