Quais os riscos do uso de canetas emagrecedoras não aprovadas pela ANVISA?
Descubra os riscos das canetas emagrecedoras não aprovadas pela ANVISA, efeitos colaterais graves, fraudes e perigos à sua saúde
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O uso de canetas emagrecedoras ganhou espaço nas redes sociais e em consultórios nos últimos anos, especialmente com a popularização de medicamentos à base de análogos de GLP-1. Porém, quando essas canetas não são aprovadas pela ANVISA, o cenário muda de forma significativa. Em vez de representar uma alternativa segura de tratamento, passam a envolver uma série de riscos pouco conhecidos por grande parte da população.
Esses produtos podem ser vendidos pela internet, em clínicas estéticas sem supervisão adequada ou até por intermediários informais. Muitas vezes são apresentados como soluções rápidas para perder peso, com promessas de resultados em pouco tempo. Nesse contexto, entender quais são os perigos ligados às canetas emagrecedoras não regularizadas torna-se essencial para qualquer pessoa que cogite esse tipo de recurso.
O que são canetas emagrecedoras e por que a aprovação da ANVISA é importante?
As chamadas canetas emagrecedoras geralmente são dispositivos de aplicação subcutânea que liberam medicamentos usados no tratamento da obesidade ou do diabetes tipo 2. Entre esses medicamentos, alguns têm mecanismos que reduzem o apetite, aumentam a sensação de saciedade ou alteram o esvaziamento gástrico. Quando um produto passa pela ANVISA, ele é submetido a testes rigorosos para avaliar segurança, eficácia, qualidade e forma correta de uso.
Já uma caneta para emagrecer que não possui registro sanitário não passou por esse processo. Isso significa ausência de garantia sobre a substância utilizada, a dose oferecida, a forma de fabricação e as condições de armazenamento. Sem essas etapas, não há comprovação de que o produto realmente funciona nem de que pode ser usado com segurança em seres humanos.
Quais os riscos do uso de canetas emagrecedoras não aprovadas pela ANVISA?
O principal risco das canetas emagrecedoras não aprovadas pela ANVISA está na imprevisibilidade. Como não há controle oficial, o usuário não sabe ao certo o que está sendo injetado no próprio corpo. Podem existir alterações intencionais ou acidentais na fórmula, o que aumenta a chance de eventos adversos. Além disso, a falta de bula adequada e de orientação profissional favorece erros na aplicação, na dose e na frequência de uso.
Outro problema relevante é que essas canetas ilegais podem conter substâncias não indicadas para emagrecimento ou combinadas em proporções inadequadas. Em alguns casos, já foram identificados produtos com rótulos que mencionam um princípio ativo, mas que na prática trazem outro componente ou uma mistura de vários fármacos. Isso potencializa interações medicamentosas, reações alérgicas e efeitos colaterais graves, inclusive em pessoas sem histórico prévio de doenças.
Que tipos de efeitos colaterais podem ocorrer?
Os efeitos colaterais das canetas emagrecedoras irregulares podem variar de sintomas leves até quadros com risco de morte. Entre as reações mais relatadas estão náuseas intensas, vômitos persistentes, dor abdominal, diarreia ou constipação, além de tontura e fraqueza. Mesmo produtos regularizados podem causar esses sintomas, mas, no caso dos não aprovados, a frequência e a gravidade tendem a ser maiores pela ausência de controle de dose.
Há ainda a possibilidade de alterações cardiovasculares, como taquicardia, elevação da pressão arterial ou arritmias. Em indivíduos com hipertensão, problemas cardíacos prévios ou uso concomitante de outros medicamentos, esses efeitos podem desencadear complicações como descompensações agudas. Alguns relatos também mencionam pancreatite aguda, lesão hepática e descompasso glicêmico, sobretudo quando a caneta contém substâncias originalmente indicadas apenas para pessoas com diabetes.
- Distúrbios gastrointestinais intensos e prolongados;
- Alterações cardíacas e de pressão arterial;
- Risco de pancreatite e problemas no fígado;
- Hipoglicemia ou oscilações importantes na glicemia;
- Reações alérgicas locais ou sistêmicas.
Quais são os perigos da procedência e da falsificação?
Outro ponto crítico está ligado à origem das canetas para emagrecer. Sem aprovação da ANVISA, muitos desses produtos entram no país por meio de importação irregular, contrabando ou fabricação clandestina. Nessas condições, não há garantia de higiene na produção, controle de contaminação ou armazenamento adequado em temperatura correta. Uma falha em qualquer dessas etapas pode comprometer completamente o produto.
Em paralelo, cresceu o número de canetas falsificadas que imitam medicamentos já conhecidos. As embalagens podem ser semelhantes às originais, o que dificulta a identificação por leigos. Essas versões falsificadas podem conter doses muito abaixo ou muito acima do esperado, ou ainda nenhuma substância ativa relevante, o que expõe a pessoa tanto ao fracasso do tratamento quanto a efeitos adversos inesperados. O risco é ampliado quando o produto é adquirido em sites sem registro, redes sociais ou intermediários que não exigem receita.
- Produtos podem ser armazenados fora da faixa de temperatura adequada;
- Não há rastreabilidade do lote nem controle de qualidade;
- Embalagens podem ser adulteradas para imitar marcas conhecidas;
- Rotulagem pode trazer informações falsas ou incompletas.
Quais impactos o uso inadequado pode trazer para a saúde a longo prazo?
O emagrecimento rápido obtido com canetas irregulares, quando ocorre, costuma ser difícil de manter. Em muitos casos, a interrupção abrupta leva ao chamado efeito sanfona, com recuperação do peso perdido e, às vezes, ganho adicional. Essa oscilação corporal frequente está associada a maior risco de alterações metabólicas, desequilíbrio hormonal e danos à autoestima, além de interferir no controle de condições como hipertensão e resistência à insulina.
A longo prazo, o uso repetido de substâncias sem supervisão pode favorecer o surgimento ou agravamento de doenças crônicas. Problemas renais, hepáticos e cardiovasculares podem aparecer de forma silenciosa e só serem detectados em estágios mais avançados. Também há impacto na relação da pessoa com a alimentação e a própria imagem corporal, já que o foco se desloca para soluções injetáveis, deixando de lado mudanças sustentáveis de estilo de vida e o acompanhamento multidisciplinar adequado.
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Por esses motivos, o debate sobre canetas emagrecedoras não aprovadas pela ANVISA envolve não apenas a questão estética, mas principalmente a segurança em saúde pública. A avaliação profissional, a prescrição responsável e o uso de medicamentos devidamente registrados continuam sendo os caminhos apontados pelos órgãos reguladores e pelas sociedades médicas para o tratamento da obesidade e do excesso de peso.