Mosquito mansonia: o perigo oculto da filariose no Brasil
O mosquito Mansonia chama a atenção de pesquisadores e profissionais de saúde porque ele transmite uma doença parasitária que ainda preocupa várias partes do mundo.
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O mosquito Mansonia chama a atenção de pesquisadores e profissionais de saúde porque ele transmite uma doença parasitária que ainda preocupa várias partes do mundo. Embora não tenha tanta fama quanto o Aedes aegypti, esse inseto vive em áreas rurais e ribeirinhas e permanece principalmente próximo a plantas aquáticas. Portanto, entender onde ele ocorre, como se comporta e quais enfermidades transmite ajuda a esclarecer o papel desse mosquito na saúde pública.
No Brasil, a Mansonia aparece com maior frequência em regiões com muitos lagos, represas e áreas alagadas, onde a vegetação aquática cresce em abundância. Esse ambiente favorece o ciclo de vida do inseto e aumenta o contato com pessoas que moram ou trabalham nessas zonas. Por isso, agricultores, pescadores e comunidades ribeirinhas acabam sofrendo maior exposição às picadas desse mosquito.
Quais doenças o mosquito Mansonia pode causar?
A palavra-chave central nesse tema é mosquito Mansonia, principalmente por causa da ligação com a filariose, também chamada de filariose linfática em alguns contextos. Espécies do gênero Mansonia atuam como vetores de Wuchereria bancrofti, um verme que se instala no sistema linfático humano. Quando isso acontece, a pessoa desenvolve alterações nos vasos linfáticos, inchaço em membros e, em casos mais avançados, quadros de elefantíase.
O ciclo funciona da seguinte forma: ao picar uma pessoa infectada, a Mansonia ingere microfilárias presentes no sangue. Dentro do mosquito, essas formas imaturas do parasita se desenvolvem e migram para a região da boca do inseto. Na próxima picada em outro ser humano, o parasita passa para a corrente sanguínea e inicia um novo ciclo de infecção. Nem sempre a pessoa manifesta sintomas logo no início. Muitas vezes, a infecção permanece silenciosa durante anos e só provoca sinais quando o sistema linfático já sofreu danos importantes.
Além da filariose, estudos em diferentes países investigam a participação de Mansonia em outros tipos de filárias que infectam animais, como cães e bovinos. Em relação a vírus, até o momento pesquisadores não registram de forma consolidada a Mansonia como protagonista na transmissão de arboviroses importantes no Brasil, como dengue ou zika. Mesmo assim, o papel desse mosquito como vetor de parasitos já garante relevância epidemiológica, principalmente em áreas endêmicas de filariose. Em alguns cenários, a presença simultânea de Mansonia e de outros mosquitos vetores torna o controle integrado ainda mais necessário.
Onde o mosquito Mansonia existe e em que ambientes se desenvolve?
O mosquito Mansonia ocorre em regiões tropicais e subtropicais, com registros na América do Sul, África, Ásia e Oceania. O que diferencia esse gênero de outros mosquitos é a forte dependência de plantas aquáticas durante a fase de desenvolvimento das larvas. Em vez de permanecerem soltas na água, as larvas se prendem às raízes de plantas como aguapés, tiriricas aquáticas e outras espécies flutuantes para obter oxigênio.
Esse comportamento torna a Mansonia muito comum em:
- Lagos e represas com muita vegetação na superfície;
- Canais de irrigação e açudes em áreas agrícolas;
- Áreas de várzea e alagados permanentes ou sazonais;
- Regiões próximas a rios com trechos de água parada e plantas flutuantes.
Quando esses ambientes ficam próximos a casas ou áreas de trabalho, o risco de contato com o mosquito aumenta de forma significativa. Por essa razão, o controle de plantas aquáticas em reservatórios e canais integra, em alguns locais, a estratégia para reduzir a presença de Mansonia. Além disso, gestores ambientais avaliam o impacto desse manejo sobre peixes, aves e outros organismos, pois o equilíbrio ecológico também importa para a saúde coletiva.
Mosquito Mansonia é comum no Brasil?
No Brasil, o mosquito Mansonia aparece principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mas também ocorre em áreas alagadas do Sudeste e do Sul. A simples presença do inseto não garante a transmissão de filariose, já que essa doença depende também da circulação do parasita na população humana. Assim, vigilância entomológica e exames em grupos de risco ajudam a esclarecer o real potencial de transmissão em cada localidade.
Historicamente, a filariose linfática assumiu maior relevância em cidades costeiras do Nordeste, especialmente em áreas com saneamento básico precário. Com a ampliação de programas de controle, como tratamento em massa e melhoria da infraestrutura sanitária, o número de casos caiu de forma expressiva. Mesmo assim, as equipes de saúde mantêm a vigilância, pois focos residuais podem permanecer e voltar a crescer se as ações se interromperem. Em zonas rurais com vegetação aquática abundante, a Mansonia convive com outros mosquitos, o que deixa o cenário mais complexo para as ações de controle e monitoramento.
Em termos de percepção popular, o Mansonia não recebe tanta atenção quanto mosquitos associados a doenças mais divulgadas, como o Aedes aegypti ou o Anopheles. Ainda assim, em comunidades ribeirinhas e localidades próximas a represas e açudes, moradores relatam picadas intensas ao entardecer e à noite, horários de maior atividade de muitas espécies desse gênero. Em alguns locais, esse incômodo interfere até em atividades de lazer ao ar livre e em jornadas de trabalho noturno.
Como é o mosquito Mansonia e quais são suas características?
O mosquito Mansonia apresenta aparência robusta quando comparado a outros mosquitos domésticos. Em várias espécies, o corpo e as pernas exibem escamas claras e escuras, formando um padrão rajado. As asas podem apresentar aspecto salpicado, com manchas que ajudam na identificação em laboratório. Na prática, para a população em geral, torna-se mais fácil perceber que se trata de um mosquito que costuma picar em ambientes externos, próximos a áreas alagadas.
Entre as características mais marcantes estão:
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- Atividade crepuscular e noturna: muitas espécies picam com mais frequência no fim da tarde e durante a noite;
- Preferência por ambientes úmidos: proximidade de lagoas, brejos, canais e represas;
- Desenvolvimento das larvas em plantas aquáticas: etapa crítica do ciclo de vida, que orienta estratégias de controle;
- Alimentação sanguínea das fêmeas: apenas as fêmeas picam, pois necessitam de sangue para produzir ovos.
Medidas de proteção individual, como uso de repelentes, roupas que cubram braços e pernas e instalação de telas em portas e janelas, reduzem o contato com o mosquito em áreas onde a Mansonia ocorre com frequência. Em ambientes rurais e ribeirinhos, a combinação de manejo de plantas aquáticas, melhoria do saneamento e vigilância de casos de filariose diminui o impacto desse vetor na saúde das comunidades. Além disso, ações de educação em saúde, que explicam o ciclo do mosquito e do parasita, estimulam a participação da população nas medidas de prevenção.