Clima

Ciclone-bomba: a tempestade explosiva que atingiu Nova York

O termo ciclone-bomba passou a aparecer com mais frequência nas notícias nos últimos anos. Saiba o que o caracteriza.

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O termo ciclone-bomba passou a aparecer com mais frequência nas notícias nos últimos anos. Especialmente, em situações de tempo severo em regiões de clima temperado. Trata-se de um fenômeno atmosférico associado a ventos fortes, queda brusca de pressão e tempestades intensas, que pode causar transtornos significativos em áreas urbanas e rurais. Embora o nome chame atenção, o conceito tem base técnica e faz parte da rotina de monitoramento de meteorologistas em vários países.

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Esse tipo de sistema ganhou destaque especial em 2018, quando um ciclone-bomba atingiu a região de Nova York e parte da costa leste dos Estados Unidos. Na ocasião, o episódio trouxe neve pesada, rajadas de vento expressivas e interrupções em diversos serviços. Desde então, a expressão passou a ser usada com mais frequência no debate público, ainda que nem sempre com a clareza necessária sobre o que, de fato, caracteriza esse tipo de tempestade.

O assunto ganhou destaque especial em 2018, quando um ciclone-bomba atingiu a região de Nova York e parte da costa leste dos Estados Unidos – depositphotos.com / jovannig

O que é um ciclone-bomba?

Um ciclone-bomba é um ciclone extratropical que passa por um processo de intensificação muito rápida, chamado de bombogênese. Em termos práticos, significa que a pressão atmosférica no centro do sistema cai de forma acentuada em poucas horas, o que favorece o aumento da velocidade dos ventos e a formação de áreas de chuva e, em alguns casos, neve muito intensas. Ademais, esse tipo de sistema costuma ocorrer em latitudes médias, como na costa leste da América do Norte, Europa e partes do Atlântico Sul.

O critério mais usado para classificar um ciclone como bomba é a queda de aproximadamente 24 hPa (hectopascais) ou mais na pressão central em um intervalo de 24 horas, ajustada à latitude. Essa queda brusca funciona como um motor que intensifica o sistema, gerando fortes gradientes de pressão entre o centro do ciclone e as regiões ao redor. Quanto maior esse gradiente, mais fortes tendem a ser os ventos que sopram em direção ao centro do sistema.

Como ocorre a bombogênese e por que ela é tão rápida?

A bombogênese está relacionada ao contraste de massas de ar e à transferência de energia entre o oceano e a atmosfera. Em geral, esse processo ocorre quando uma massa de ar muito fria se desloca sobre águas relativamente quentes, fornecendo calor e umidade para a atmosfera. Portanto, essa combinação favorece movimentos ascendentes do ar, formação de nuvens profundas e intensificação do sistema de baixa pressão.

Entre os principais fatores que contribuem para a formação de um ciclone-bomba, destacam-se:

  • Forte contraste térmico entre ar frio e ar quente, muitas vezes associado à passagem de frentes frias bem definidas.
  • Águas oceânicas mais quentes, que liberam calor e umidade, alimentando as tempestades internas ao ciclone.
  • Jato em altos níveis, uma corrente de ventos muito fortes na alta troposfera que ajuda a intensificar a baixa pressão na superfície.

Quando todos esses elementos atuam de forma sincronizada, a pressão atmosférica despenca em pouco tempo, configurando o processo de bombogênese. Dessa forma, o resultado é um sistema organizado, com rotação bem definida, bandas de nuvens extensas e grande potencial de impacto em regiões costeiras e interiores.

Quais foram os impactos do ciclone-bomba em Nova York em 2018?

Em janeiro de 2018, um ciclone-bomba na costa leste dos EUA afetou diretamente a região de Nova York e outros grandes centros urbanos. O sistema foi associado a uma forte tempestade de inverno, com nevascas, ventos intensos e sensação térmica bastante baixa. As condições adversas se estenderam por vários estados, interferindo em diferentes setores da sociedade.

Entre as consequências registradas para a população e a infraestrutura, destacaram-se:

  • Transporte comprometido: cancelamentos e atrasos em centenas de voos, dificuldades em rodovias e suspensão parcial de serviços de trens e ônibus.
  • Acúmulo de neve: ruas e calçadas cobertas por camadas espessas, exigindo operações constantes de remoção e afetando a mobilidade urbana.
  • Quedas de energia: falhas na rede elétrica em diferentes pontos, principalmente devido à combinação de vento, neve pesada e queda de galhos ou postes.
  • Risco à saúde: aumento de casos de hipotermia e incidentes relacionados a acidentes em estradas escorregadias, exigindo atenção adicional dos serviços de emergência.

O episódio de 2018 evidenciou a necessidade de planejamento e protocolos de emergência específicos para eventos de tempo extremo, com orientações sobre deslocamento, uso de aquecimento doméstico e preparo das estruturas urbanas para ventos e neve intensos.

Apesar de todos envolverem ventos fortes e riscos à população, ciclone-bomba, furacão e tornado são fenômenos distintos em origem, estrutura e escala – depositphotos.com / biletskiy_e

Qual a diferença entre ciclone-bomba, furacão e tornado?

Apesar de todos envolverem ventos fortes e riscos à população, ciclone-bomba, furacão e tornado são fenômenos distintos em origem, estrutura e escala. Afinal, o ciclone-bomba é um ciclone extratropical intensificado, que costuma se formar em latitudes médias, frequentemente associado a frentes frias e contrastes de temperatura em grandes áreas oceânicas. Atua em escalas continentais, podendo afetar vários estados ou países ao mesmo tempo.

O furacão (ou tufão, dependendo da região) é um tipo de ciclone tropical. Forma-se, em geral, sobre oceanos quentes, em áreas tropicais e subtropicais, e depende da temperatura elevada da superfície do mar para se manter. Possui um centro bem definido, o olho, cercado por uma parede de nuvens com ventos muito intensos. Ao contrário do ciclone-bomba, o furacão não está ligado a frentes frias, mas sim a uma grande quantidade de calor e umidade disponíveis no oceano.

Já o tornado é um fenômeno de escala muito menor. Trata-se de uma coluna de ar em rotação intensa, que se estende da base de uma nuvem cumulonimbus até o solo. Costuma ter diâmetro bem mais reduzido que ciclones e furacões e duração geralmente curta, variando de minutos a pouco mais de uma hora. Ainda assim, pode causar danos severos em faixas estreitas, devido à concentração extrema de ventos em uma área limitada.

Em termos de risco, o ciclone-bomba tende a provocar impactos mais amplos e prolongados, como interrupções em transportes, serviços e energia em grandes áreas. Furacões podem gerar danos expressivos por ventos, chuva volumosa e maré de tempestade, principalmente em regiões costeiras tropicais. Tornados, embora mais localizados, podem destruir edificações em curtos períodos, exigindo sistemas de alerta rápido e abrigos preparados.

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Compreender as características do ciclone-bomba, incluindo o processo de bombogênese e suas diferenças em relação a furacões e tornados, contribui para o planejamento urbano, a organização dos serviços de emergência e o desenvolvimento de estratégias de redução de riscos. A experiência de eventos como o de Nova York, em 2018, segue sendo usada por autoridades e especialistas como referência para aprimorar protocolos e orientar a população em futuros episódios de tempo severo.

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