Entendendo a moleira do bebê: tudo o que os pais precisam saber
A presença da moleira em bebês costuma chamar a atenção de pais e cuidadores, principalmente nos primeiros meses de vida. Entenda a função e saiba quando pode haver sinais de alerta.
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A presença da moleira em bebês costuma chamar a atenção de pais e cuidadores, principalmente nos primeiros meses de vida. Apesar de causar certa apreensão, trata-se de uma estrutura normal e essencial para o desenvolvimento saudável do recém-nascido. Médicos e especialistas em desenvolvimento infantil explicam que a moleira, chamada tecnicamente de fontanela, está diretamente ligada tanto ao processo de nascimento quanto ao crescimento acelerado do cérebro nos primeiros anos.
Durante a gestação, os ossos do crânio não se fecham completamente. Em vez disso, permanecem separados por pequenas áreas de tecido fibroso, justamente as fontanelas. Esse arranjo flexível permite que o crânio se adapte a mudanças de pressão e de formato. Nos primeiros meses, qualquer toque ou cuidado com a cabeça do bebê gera dúvidas, mas as fontanelas possuem proteção interna e não são tão frágeis quanto costumam parecer à primeira vista.
Por que os bebês têm moleira e qual é a função durante o parto?
A principal função da moleira no momento do parto está ligada à passagem do bebê pelo canal vaginal. Como os ossos do crânio ainda não estão totalmente fundidos, eles podem se sobrepor levemente, processo conhecido como moldagem. Essa capacidade de adaptação reduz a pressão sobre a cabeça do recém-nascido e facilita a saída, diminuindo riscos tanto para o bebê quanto para a gestante.
Além de favorecer o parto normal, essa flexibilidade protege o cérebro contra aumentos súbitos de pressão. Em situações em que há inchaço cerebral ou acúmulo de líquido dentro do crânio, por exemplo, as suturas e fontanelas permitem uma pequena folga, evitando que o tecido nervoso seja comprimido de maneira brusca. Assim, a existência da moleira é considerada um mecanismo de segurança natural em uma fase de grande vulnerabilidade.
Como a moleira ajuda no crescimento do cérebro do bebê?
Após o nascimento, o cérebro infantil cresce de forma intensa, principalmente nos dois primeiros anos de vida. A fontanela anterior e a fontanela posterior atuam como áreas de expansão, permitindo que o crânio acompanhe esse ritmo acelerado. Se as placas ósseas estivessem totalmente fechadas ao nascer, não haveria espaço suficiente para esse aumento de volume.
Graças às suturas e fontanelas abertas, o perímetro cefálico do bebê aumenta gradualmente, em geral sendo medido em consultas de rotina. Essa medição é uma ferramenta importante para avaliar o desenvolvimento neurológico, já que um crescimento muito lento ou muito rápido da cabeça pode indicar alterações. A moleira, portanto, não é apenas uma característica anatômica, mas também um sinal clínico observado por pediatras ao longo da infância.
Quais são os tipos de fontanelas e quando cada moleira fecha?
Existem várias áreas de encontro entre os ossos do crânio, mas as mais conhecidas são a fontanela anterior e a fontanela posterior. A primeira é a mais visível, localizada no topo da cabeça, em formato aproximado de losango. A segunda é menor, fica mais próxima da nuca e costuma passar despercebida por muitos cuidadores.
De forma geral, a fontanela posterior fecha mais cedo. Em muitos bebês, ela se encontra praticamente fechada por volta dos 2 a 3 meses de idade, podendo se completar até o 4º ou 5º mês, dependendo do ritmo individual. Já a fontanela anterior permanece aberta por mais tempo. Estudos e diretrizes pediátricas indicam que ela tende a se fechar entre 12 e 18 meses, embora alguns bebês a mantenham até cerca de 24 meses, ainda dentro de uma faixa considerada aceitável.
- Fontanela anterior: maior, em forma de losango, localizada no topo da cabeça; fecha em média entre 1 e 1 ano e meio.
- Fontanela posterior: menor, próxima à nuca; costuma fechar entre o 2º e o 5º mês de vida.
O fechamento não ocorre de um dia para o outro. A área vai ficando gradualmente mais rígida à medida que o osso se forma, e o pediatra acompanha esse processo nas consultas de rotina, avaliando se o ritmo está compatível com o crescimento geral da criança.
Quais sinais na moleira podem indicar alerta para os pais?
Embora a moleira em bebês seja parte natural do desenvolvimento, algumas alterações podem servir de alerta. Entre os sinais que merecem avaliação médica, especialistas destacam mudanças acentuadas de formato, abertura ou fechamento muito precoces e alterações na tensão da fontanela.
- Moleira muito alta ou tensa: pode se associar a aumento da pressão dentro do crânio, principalmente se vier acompanhada de choro inconsolável, vômitos em jato, sonolência excessiva ou mudança no comportamento.
- Moleira muito funda: quando aparece afundada de forma persistente, pode sugerir desidratação, sobretudo se estiver associada a boca seca, choro sem lágrimas e pouca urina.
- Fechamento muito precoce: a fusão das suturas antes do tempo esperado, situação chamada de craniossinostose, pode limitar o crescimento adequado do crânio e exigir avaliação especializada.
- Aumento anormal do perímetro da cabeça: crescimento rápido da circunferência craniana, junto a moleira muito tensa, pode indicar excesso de líquido ao redor do cérebro, como na hidrocefalia.
Nesses casos, a orientação é buscar atendimento pediátrico para uma análise detalhada. Em geral, o profissional avalia o histórico do bebê, realiza exame físico e, se necessário, solicita exames de imagem para investigar a origem da alteração.
Cuidados diários com a moleira e acompanhamento pediátrico
No dia a dia, a recomendação de especialistas é tratar a moleira com naturalidade e cautela, mas sem medo exagerado. Tocar a região ao lavar a cabeça, pentear os cabelos ou secar após o banho é permitido, desde que seja feito com delicadeza. O tecido que recobre a fontanela protege o cérebro e suporta toques suaves sem causar danos.
O acompanhamento regular com o pediatra é o principal aliado para garantir que o fechamento da fontanela aconteça no tempo adequado. Nessas consultas, é comum a medição do perímetro cefálico, a observação do formato da cabeça e a verificação da textura e do tamanho das fontanelas. Ao notar qualquer mudança importante, como moleira muito tensionada, afundada ou fechamento antes do esperado, pais e cuidadores são orientados a relatar de forma detalhada, ajudando na avaliação.
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Com informação clara e orientações de profissionais de saúde, a moleira do bebê deixa de ser motivo de preocupação constante e passa a ser compreendida como parte de um processo maior: o desenvolvimento do cérebro e do crânio, que acontece de forma intensa e coordenada nos primeiros anos de vida.