Saúde

Mpox no Brasil: conheça as duas variantes e o risco real para a população

Nos últimos anos, a mpox voltou ao centro das discussões em saúde pública, principalmente após o surgimento de novas cadeias de transmissão fora do continente africano.

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Nos últimos anos, a mpox voltou ao centro das discussões em saúde pública, principalmente após o surgimento de novas cadeias de transmissão fora do continente africano. Além disso, entre os pontos que mais chamam a atenção de especialistas está a existência de duas variantes genéticas principais do vírus, classificadas em grupos distintos. Por isso, entender como essas variantes se comportam, onde circulam e quais riscos representam ajuda a esclarecer o cenário atual e a orientar medidas de prevenção no Brasil.

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O vírus da mpox pertence ao mesmo grupo dos orthopoxvírus, família que também inclui o vírus da varíola humana, erradicada em 1980. Apesar da semelhança, a mpox apresenta características próprias, com formas de transmissão, gravidade e impacto epidemiológico específicos. Atualmente, a discussão gira em torno das duas variantes genéticas principais, que mostram diferenças importantes de letalidade, circulação geográfica e potencial de causar surtos em larga escala.

Quais são as duas principais variantes genéticas da mpox?

Os especialistas costumam se referir às duas grandes variantes do vírus mpox como Clado I (antiga clado da Bacia do Congo) e Clado II (antiga clado da África Ocidental). O Clado II, por sua vez, inclui subdivisões, como o Clado IIb, que se associa ao surto internacional iniciado em 2022. A principal diferença entre esses grupos se liga à gravidade dos casos e à taxa de mortalidade, além de algumas características de transmissão observadas em campo.

O Clado I, que especialistas descreveram historicamente em países da África Central, se associa a quadros mais graves, com maior frequência de complicações e mortalidade superior quando comparado ao outro clado. Em contrapartida, o Clado II, observado inicialmente em países da África Ocidental e depois em diversas regiões do mundo, costuma causar infecções com menor taxa de óbitos. Mesmo assim, essa variante ainda pode levar a desfechos graves em pessoas com imunidade comprometida, crianças pequenas e gestantes. Portanto, essas diferenças não tornam uma variante inofensiva, mas indicam perfis distintos de risco.

Mpox: diferenças entre Clado I e Clado II e relevância para a saúde pública

Na prática, as duas variantes da mpox se diferenciam por fatores como letalidadepadrões de transmissão e resposta a intervenções em saúde pública. De maneira geral, o Clado I historicamente mostrou letalidade mais alta, sobretudo em áreas com pouco acesso a cuidados médicos, nutrição adequada e vigilância estruturada. Já o Clado II, incluindo o Clado IIb, responsável pelo grande surto global recente, apresentou menor proporção de óbitos. No entanto, esse clado demonstrou ampla capacidade de se disseminar em redes sociais e sexuais específicas, alcançando países de todos os continentes.

Essa diferença de comportamento impacta diretamente o planejamento de ações. Enquanto o Clado I exige atenção reforçada para evitar mortes e complicações em regiões vulneráveis, o Clado II chama a atenção pelo potencial de espalhamento rápido, especialmente em ambientes urbanos densos. Em ambos os casos, estratégias como vigilância ativa, testagem, rastreamento de contatos e vacinação dirigida ocupam papel central para evitar cadeias prolongadas de transmissão.

Onde cada variante da mpox circula no mundo?

A distribuição geográfica da mpox mostra um padrão distinto para cada variante. O Clado I permanece mais concentrado em países da África Central, como áreas da República Democrática do Congo e nações vizinhas. Nesses locais, as autoridades já consideram a doença endêmica e relatam casos há décadas. Nessas regiões, o contato com animais silvestres e condições socioeconômicas adversas contribuem para a manutenção do vírus em circulação.

Clado II, por sua vez, tem origem documentada na África Ocidental, mas se espalhou globalmente a partir de 2022. Desde então, registros surgiram na Europa, nas Américas, na Ásia e na Oceania. A partir desse período, vários países passaram a registrar casos autóctones, ou seja, com transmissão local e não apenas importados. Além disso, a intensa mobilidade internacional e eventos com grande aglomeração de pessoas facilitaram a dispersão dessa variante, especialmente do subtipo IIb, que se adaptou a cadeias de transmissão predominantemente humanas.

Mpox_depositphotos.com / flashback313@gmail.com

A mpox já chegou ao Brasil e quais variantes estão em circulação?

O Brasil registrou casos de mpox a partir de 2022, em consonância com o aumento de notificações em outros países. As análises genômicas indicaram a predominância do Clado IIb, que se vincula ao surto global, com transmissão principalmente em grandes centros urbanos. Desde então, autoridades de saúde mantêm vigilância sobre possíveis introduções de outras variantes, incluindo o Clado I. Apesar disso, o Clado I continua mais restrito à África Central.

No Brasil, a resposta se concentrou em ações de vigilância epidemiológica, campanhas de informação, protocolos de isolamento de casos suspeitos e ampliação do acesso a diagnóstico. Em alguns períodos, determinadas capitais registraram maior número de casos, o que levou à organização de serviços de referência. Posteriormente, o país incorporou vacinas específicas para grupos de maior risco, conforme disponibilidade e recomendações técnicas atualizadas até 2026. Além disso, o Brasil iniciou estudos de efetividade vacinal e ampliou parcerias com laboratórios de referência internacionais.

Quais são as implicações para a saúde pública e o risco de epidemia global?

A existência de duas variantes principais da mpox impõe desafios diferentes para os sistemas de saúde. O Clado I demanda monitoramento constante em áreas endêmicas, com foco em estrutura assistencial e prevenção de óbitos. Já o Clado II, com maior capacidade de se espalhar internacionalmente, exige coordenação entre países, troca rápida de informações e atualização contínua de protocolos de vigilância, manejo clínico e vacinação.

Em termos de risco de epidemia global, a experiência recente mostrou que a mpox pode ultrapassar fronteiras regionais e atingir diversos continentes em pouco tempo. No entanto, características como período de incubação conhecido, sintomas relativamente visíveis na maioria dos casos e possibilidade de identificação laboratorial contribuem para o controle da doença quando as equipes aplicam as medidas de forma oportuna. Ainda assim, o risco de expansão ampla permanece ligado a fatores como:

  • Subnotificação de casos em regiões com menor acesso a serviços de saúde.
  • Atraso na identificação de surtos e no rastreamento de contatos.
  • Baixa cobertura vacinal em grupos com maior exposição.
  • Desigualdades sociais que dificultam o isolamento adequado de pessoas infectadas.

Quais medidas ajudam a reduzir o impacto das variantes da mpox?

A resposta à mpox, tanto no Brasil quanto em outros países, envolve um conjunto de ações coordenadas. Entre as principais estratégias de saúde pública relacionadas às duas variantes, destacam-se:

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  1. Vigilância contínua: monitorar casos suspeitos, confirmar por exame laboratorial e mapear cadeias de transmissão, com uso crescente de sequenciamento genômico.
  2. Informação clara à população: divulgar formas de transmissão, sintomas, tempo de isolamento e canais de atendimento, além de combater estigma e desinformação.
  3. Vacinação direcionada: priorizar grupos com maior exposição, conforme orientações técnicas e disponibilidade de doses, e avaliar campanhas em situações de surtos localizados.
  4. Capacitação de profissionais: treinar equipes para diagnóstico precoce, manejo clínico, notificação rápida e uso adequado de equipamentos de proteção.
  5. Cooperação internacional: compartilhar dados genômicos, tendências epidemiológicas e experiências de controle, bem como fortalecer o acesso equitativo a vacinas e tratamentos.

Ao se observar o comportamento das duas variantes da mpox o Clado I, mais associado à gravidade, e o Clado II, ligado à expansão internacional fica evidente que o acompanhamento constante e as respostas rápidas moldam o impacto real da doença. No contexto brasileiro, a experiência recente com a mpox contribui para aprimorar protocolos e reforçar a importância de uma vigilância integrada, capaz de reagir tanto a surtos localizados quanto a possíveis mudanças no cenário global. Dessa forma, os sistemas de saúde ganham agilidade e reduzem o risco de novas ondas de transmissão.

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