Meio ambiente

Chorume bom x ruim: a ciência por trás do cheiro dos resíduos orgânicos

Descubra por que o chorume de minhocários é sem cheiro, enquanto o chorume de aterros sanitários é intragável e altamente poluente

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O chamado chorume de minhocário costuma ser descrito como um líquido escuro, mas de odor suave ou quase imperceptível, enquanto o chorume de aterros sanitários é conhecido pelo cheiro forte e pela aparência pouco agradável. A diferença entre esses dois materiais está ligada ao tipo de resíduo utilizado, às condições em que são formados e, principalmente, ao tipo de microrganismo que atua em cada ambiente.

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Em sistemas de vermicompostagem, como os minhocários domésticos, a matéria orgânica é transformada lentamente por minhocas e microrganismos em um ambiente controlado, com ventilação e pouca compactação. Já nos aterros sanitários, o chorume é gerado a partir de uma mistura de resíduos orgânicos, rejeitos diversos e água da chuva, em condições frequentemente anaeróbias (sem oxigênio) e sob alta pressão, o que favorece processos de decomposição diferentes e a formação de substâncias com odor intenso.

O que é chorume de minhocário e por que quase não tem cheiro?

O chorume de minhocário, muitas vezes chamado de líquido lixiviado da vermicompostagem, é resultado da umidade que escorre pela matéria orgânica em decomposição em um ambiente rico em oxigênio e em vida microbiana equilibrada. As minhocas fragmentam os resíduos, facilitando a ação de bactérias e fungos aeróbios, que decompõem o material de forma mais estável e controlada.

Nesse processo aeróbio, há menor produção de compostos voláteis responsáveis por mau cheiro, como sulfeto de hidrogênio e certas aminas. Além disso, o que popularmente se chama de chorume de minhocário na prática é, muitas vezes, uma mistura de água, húmus solúvel e metabólitos microbianos, com pH mais equilibrado. Por isso, tende a ter odor fraco e, quando bem manejado, pode ser usado diluído como fertilizante líquido em plantas.

  • Presença majoritária de microrganismos aeróbios;
  • Matéria orgânica relativamente homogênea (restos de alimentos, folhas, papelão);
  • Boa aeração e drenagem, evitando putrefação intensa;
  • Temperatura moderada, sem superaquecimento e sem compactação elevada.
Compostagem doméstica reduz resíduos, diminui o chorume de aterros e transforma sobra orgânica em recurso – depositphotos.com / VectorTradition

Por que o chorume de aterro sanitário é tão fétido e intragável?

O chorume de aterro sanitário, também conhecido simplesmente como chorume de aterro, é formado pelo contato da água da chuva e da própria umidade dos resíduos com grandes volumes de lixo compactado. Nessa massa de resíduos, a disponibilidade de oxigênio é baixa, o que favorece a decomposição anaeróbia, mais lenta e associada à produção de gases e líquidos com odor intenso.

Além da fração orgânica (restos de alimentos, podas, papel), o chorume de aterro recebe contribuição de diversos outros materiais, como plásticos, metais, têxteis, produtos de higiene e pequenos resíduos industriais, o que pode incluir metais pesados, detergentes, solventes e contaminantes orgânicos. Essa mistura resulta em um líquido de composição complexa, com alta carga de matéria orgânica biodegradável, nutrientes em excesso (nitrogênio e fósforo) e substâncias tóxicas, responsável pelo cheiro forte e pelo aspecto considerado repulsivo.

  1. Ambiente anaeróbio e compactado, com pouco oxigênio;
  2. Grande diversidade de resíduos, inclusive químicos;
  3. Formação de compostos voláteis malcheirosos (como sulfetos e mercaptanas);
  4. Elevada carga poluidora, exigindo tratamento especializado.

Quais são as principais diferenças entre o chorume de minhocário e o chorume de aterro?

A palavra-chave central aqui é chorume, mas o mesmo termo descreve líquidos com características muito distintas. No caso dos minhocários, o chorume tende a ser um subproduto relativamente estável da compostagem, enquanto nos aterros sanitários o chorume é um efluente que precisa de tratamento rigoroso para não contaminar solos e corpos dágua.

Alguns pontos ajudam a entender essa diferença de percepção entre um chorume sem cheiro e outro intragável:

  • Origem dos resíduos: nos minhocários, a alimentação é seletiva (restos de cozinha, material vegetal). Nos aterros, há mistura de resíduos domiciliares, comerciais e, em alguns casos, industriais.
  • Tipo de decomposição: minhocários trabalham majoritariamente com decomposição aeróbia; aterros operam, em grande parte, sob decomposição anaeróbia.
  • Composição química: o chorume de minhocário costuma ter menos contaminantes e melhor relação de nutrientes; o de aterro pode conter substâncias tóxicas e poluentes emergentes.
  • Gestão e destino: o líquido de minhocário é muitas vezes usado, após diluição, como insumo agrícola; o chorume de aterro passa por estações de tratamento para reduzir seu potencial poluidor.

Em termos ambientais, o chorume de aterro sanitário representa um ponto crítico de gestão de resíduos, exigindo impermeabilização de solo, drenagem específica e sistemas de tratamento físico-químico e biológico. Já o líquido gerado em minhocários domésticos e comunitários é visto como parte de uma estratégia de valorização da matéria orgânica, reduzindo o volume de lixo enviado para aterros e, consequentemente, a geração do chorume problemático.

A diferença está no processo: decomposição aeróbia e controlada versus lixo compactado e ambiente sem oxigênio – depositphotos.com / massimo1g

Como reduzir o impacto do chorume de aterros e aproveitar melhor o chorume de minhocários?

A expansão de práticas como a compostagem caseira e a vermicompostagem é apontada por especialistas em gestão de resíduos como uma forma de diminuir a quantidade de resíduos orgânicos enviados a aterros, reduzindo, por consequência, a produção de chorume de aterro sanitário. Quanto menos matéria orgânica chega ao aterro, menor é o volume de líquido poluente gerado.

No âmbito doméstico e comunitário, o chorume de minhocário pode ser melhor aproveitado por meio de algumas práticas:

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  • Diluição adequada em água antes do uso em plantas, evitando excesso de nutrientes;
  • Armazenamento em local fresco e protegido da luz para não perder propriedades rapidamente;
  • Controle da umidade no minhocário, evitando excesso de líquido e garantindo boa aeração.

Em relação aos aterros, a tendência observada em diversos municípios brasileiros até 2026 inclui o fortalecimento da coleta seletiva, a ampliação de programas de compostagem pública e investimentos em sistemas modernos de tratamento de chorume, que combinam processos biológicos, físico-químicos e, em alguns casos, membranas de ultrafiltração. Dessa forma, a diferença entre o chorume suave de minhocários e o chorume agressivo de aterros deixa de ser apenas uma curiosidade e passa a evidenciar o impacto direto dos hábitos de descarte e das tecnologias de tratamento adotadas nas cidades.

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