As reservas brasileiras de terras raras e seus usos na tecnologia
Descubra onde estão as maiores reservas de terras raras no Brasil e entenda para que servem esses minerais estratégicos na economia
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O debate sobre terras raras no Brasil ganhou espaço nos últimos anos, principalmente por causa da transição energética e do avanço das tecnologias digitais. Esse grupo de elementos químicos está presente em diversos produtos do dia a dia, de celulares a turbinas eólicas, e coloca o país em posição estratégica no cenário global. Embora o Brasil ainda não explore todo o seu potencial, estudos apontam que o território brasileiro abriga reservas relevantes de terras raras em diferentes regiões.
Esses minerais não são raros no sentido de escassez absoluta, mas a sua concentração em níveis economicamente viáveis é menos frequente. Por isso, localizar jazidas com qualidade adequada e infraestrutura próxima faz diferença. No Brasil, a discussão envolve não apenas onde estão as reservas de terras raras, mas também como transformá-las em produtos de maior valor agregado, evitando a simples exportação de matéria-prima.
Onde estão as principais reservas de terras raras no Brasil?
As principais áreas conhecidas se concentram em estados como Minas Gerais, Goiás, Bahia, São Paulo e Amapá, além de ocorrências importantes na região amazônica. Cada área apresenta características específicas de minério, logística e estágio de pesquisa ou desenvolvimento.
Em Minas Gerais, há depósitos associados a complexos carbonatíticos, como em Araxá, região já conhecida pela produção de nióbio. Em Goiás, áreas como Catalão e Ouvidor também são mencionadas em estudos geológicos por concentrarem minerais com elementos de terras raras. Já no Amapá e em partes da Amazônia, há registros de ocorrências em lateritas e granitos ricos nesses elementos, ainda em diferentes fases de pesquisa.
Quais regiões brasileiras se destacam em terras raras?
Além das jazidas pontuais, alguns cinturões geológicos se sobressaem quando o assunto é reservas de terras raras no Brasil. Na região Nordeste, áreas da Bahia apresentam potencial em rochas alcalinas e fosfáticas. No Sudeste, além de Minas Gerais, o estado de São Paulo aparece em levantamentos com depósitos menores, mas relevantes para estudos de diversificação de oferta.
De forma geral, podem ser citados alguns polos em evidência:
- Minas Gerais e Goiás: depósitos associados a carbonatitos, muitas vezes junto com fosfatos e nióbio;
- Bahia: rochas alcalinas e complexos ígneos com potencial para mineração de terras raras;
- Amazônia e Amapá: ocorrências em solos lateríticos e granitos, ainda com muitos estudos em andamento;
- Sudeste (São Paulo e entornos): áreas com depósitos menores, mas importantes para projetos de pesquisa e desenvolvimento.
Essas regiões diferem em infraestrutura, distância de portos, disponibilidade de energia e mão de obra especializada. Esses fatores influenciam a viabilidade de transformar o potencial geológico em produção efetiva e em cadeia industrial de terras raras no Brasil.
Para que servem as terras raras na prática?
As terras raras brasileiras têm aplicações ligadas a setores considerados estratégicos. Em equipamentos eletrônicos, esses elementos são usados em telas, alto-falantes, baterias e componentes de computadores e smartphones. Na indústria de energia, ganham destaque na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, fundamentais para turbinas eólicas e motores elétricos mais eficientes.
Além disso, as terras raras aparecem em:
- Indústria automotiva: motores híbridos e elétricos, sistemas de direção assistida e sensores;
- Setor de defesa: radares, sistemas de guiagem e dispositivos de comunicação;
- Medicina: contrastes em exames de imagem e alguns tipos de lasers médicos;
- Iluminação e displays: LEDs, telas de televisores e monitores;
- Catalisadores: usados em refinarias de petróleo e na redução de poluentes.
O uso em tecnologias verdes, como veículos elétricos e geração de energia renovável, faz com que as terras raras sejam associadas à descarbonização da economia. Isso reforça o interesse de diversos países em diversificar fornecedores, o que coloca o potencial brasileiro no radar de empresas e governos.
Como o Brasil pode aproveitar melhor suas terras raras?
Para transformar as reservas de terras raras no Brasil em ganhos concretos, não basta apenas extrair o minério. A etapa crítica está na cadeia de processamento: separação, refino químico e produção de ligas e componentes. Essa fase exige tecnologia, investimentos elevados e controle rigoroso de impactos ambientais, já que o processamento pode gerar resíduos que precisam de manejo adequado.
Especialistas apontam alguns caminhos considerados relevantes:
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- Mapeamento detalhado das jazidas, com dados atualizados sobre volume, teor e viabilidade econômica;
- Incentivo à pesquisa em universidades e centros tecnológicos para desenvolver rotas de processamento mais limpas;
- Parcerias industriais para criar fábricas de ímãs, ligas especiais e componentes de alto valor dentro do país;
- Regulação ambiental clara, que garanta segurança e previsibilidade para projetos de mineração e refino;
- Formação de mão de obra especializada em química, geologia, metalurgia e gestão ambiental.
Com esse conjunto de iniciativas, o tema das terras raras no Brasil tende a permanecer em evidência nos próximos anos. A combinação de reservas geológicas, demanda crescente por tecnologias de baixo carbono e necessidade de diversificar fornecedores internacionais faz do país um ator com potencial relevante nesse mercado, desde que consiga alinhar exploração responsável, inovação e planejamento industrial de longo prazo.