Ciência

Roundup: disputa científica que levou a Bayer a pagar bilhões

Roundup, agrotóxico à base de glifosato, gera polêmica sobre câncer; Bayer enfrenta bilhões em indenizações e acende alerta global

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O Roundup está no centro de um debate mundial sobre saúde, meio ambiente e responsabilidade das grandes indústrias químicas. O produto, à base de glifosato, ocupa lavouras em diversos países há décadas. No entanto, ações judiciais recentes nos Estados Unidos colocaram o herbicida sob intenso escrutínio. Nesse contexto, a Bayer, atual dona da marca, enfrenta milhares de processos e acordos bilionários.

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O questionamento principal gira em torno de um ponto sensível. Consumidores e trabalhadores rurais acusam o glifosato de causar câncer, sobretudo linfoma não Hodgkin. Tribunais americanos analisam documentos internos, estudos científicos e relatos de uso prolongado do Roundup. Por isso, a discussão ganhou grande repercussão internacional e influencia governos, agricultores e órgãos reguladores.

Roundup – Reprodução

O que é o Roundup e por que o glifosato causa tanta controvérsia?

O Roundup é um herbicida sistêmico, muito usado para controlar plantas daninhas em lavouras e jardins. Ele age sobre uma enzima essencial das plantas e as mata após a aplicação. Agricultores passaram a combinar o uso do produto com sementes transgênicas resistentes ao glifosato. Assim, eles pulverizam as áreas e preservam apenas a cultura de interesse.

O problema começou quando estudos apontaram possíveis riscos à saúde humana. Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, ligada à OMS, classificou o glifosato como provavelmente cancerígeno para humanos. Esse posicionamento não proibiu o uso direto do produto. Porém, ele fortaleceu a desconfiança de consumidores, movimentos ambientais e associações de trabalhadores expostos ao Roundup.

Além disso, órgãos reguladores de diferentes países emitiram avaliações divergentes. Algumas agências consideram o glifosato seguro dentro dos limites autorizados. Outras defendem mais cautela e revisão constante das evidências. Esse cenário alimenta a polêmica, pois amplia o espaço para disputas jurídicas e políticas em torno do herbicida.

Por que a Bayer paga bilhões em indenização por causa do Roundup?

A palavra-chave principal dessa história é responsabilidade. A Bayer comprou a Monsanto em 2018 e, com o negócio, assumiu também o passivo do Roundup. Logo depois, tribunais americanos começaram a condenar a empresa em ações de consumidores com linfoma não Hodgkin. Eles alegam exposição prolongada ao herbicida sem aviso adequado sobre riscos potenciais.

Vários júris entenderam que a empresa falhou na comunicação de segurança. As decisões consideraram evidências apresentadas pelas partes e documentos internos. Em alguns casos, juízes e jurados concluíram que a companhia minimizou ou contestou estudos desfavoráveis. A partir daí, as condenações incluíram danos compensatórios e punitivos, o que elevou os valores.

Diante da enxurrada de processos, a Bayer decidiu firmar acordos amplos. A estratégia busca limitar a incerteza financeira e jurídica. A empresa anunciou provisões na casa de dezenas de bilhões de dólares para cobrir ações já abertas e possíveis novas reclamações. Ainda assim, os processos continuam em diferentes instâncias, o que mantém a pressão sobre o grupo.

Quais são os principais argumentos na polêmica sobre o glifosato?

As duas frentes dessa discussão apresentam pontos específicos. De um lado, estão demandantes, entidades de saúde e grupos ambientais. Do outro, comparecem a indústria química, parte dos produtores rurais e alguns reguladores. O debate se concentra especialmente em três eixos: ciência, regulação e informação ao público.

  • Na área científica, críticos citam estudos que relacionam glifosato e câncer. Eles também mencionam pesquisas sobre danos ao DNA e efeitos em sistemas hormonais. Defensores do produto destacam avaliações de risco que consideram a exposição real de agricultores e consumidores.
  • Na regulação, países revisam registros e limites de resíduos em alimentos. Alguns governos restringem aplicações em áreas urbanas e próximas a escolas. Outros mantêm autorizações, porém exigem rótulos mais detalhados e treinamento para aplicadores.
  • Na comunicação, processos judiciais apontam falhas em avisos de perigo. Demandantes afirmam que rótulos e materiais técnicos não destacaram riscos de câncer com clareza. A indústria sustenta que seguiu exigências legais de cada mercado.
Glifosato – depositphotos.com / Raimund14

Como a polêmica com o Roundup afeta agricultores e consumidores?

A controvérsia em torno do Roundup impacta cadeias produtivas inteiras. Agricultores que dependem do glifosato encaram um dilema. De um lado, o produto facilita o manejo de plantas indesejadas e reduz custos operacionais. De outro, cresce a pressão de mercados que exigem práticas mais sustentáveis e menor uso de agrotóxicos.

Supermercados e indústrias de alimentos também acompanham a discussão. Alguns compradores internacionais já priorizam produtos com menor resíduo de agrotóxicos. Outros buscam certificações que indiquem manejo integrado de pragas. Dessa forma, as empresas tentam responder à preocupação dos consumidores com saúde e meio ambiente.

Consumidores, por sua vez, recebem informações muitas vezes conflitantes. Eles acessam relatórios científicos, campanhas de organizações civis e posicionamentos oficiais. Para lidar com esse cenário, muitos optam por diversificar fontes de alimentos. Além disso, parte do público prioriza produtos orgânicos e sistemas que usam menos defensivos.

Quais caminhos aparecem para o futuro do glifosato e do Roundup?

Assim, a polêmica em torno do Roundup, do glifosato e das indenizações bilionárias da Bayer tende a continuar. Tribunais ainda julgam ações em diferentes estados americanos. Ao mesmo tempo, pesquisadores seguem avaliando impactos do herbicida em longo prazo. Com isso, reguladores atualizam pareceres e regras conforme novas evidências surgem.

Paralelamente, cresce o interesse por alternativas de controle de plantas daninhas. Pesquisadores estudam novos princípios ativos, técnicas mecânicas e manejo integrado. Setores do agronegócio também debatem agricultura de precisão e redução do uso de químicos. Essas mudanças podem redesenhar o papel do glifosato nos próximos anos.

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Por fim, a discussão sobre o Roundup reforça um ponto central: a relação entre ciência, regulação e transparência. Empresas, governos e sociedade civil negociam limites e responsabilidades. A partir desse processo, surgem novas práticas de avaliação de risco e comunicação. O caso da Bayer e do glifosato se tornou um símbolo dessa disputa global.

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