História

Vasa: o navio sueco que afundou na primeira viagem e virou um museu incrível

Vasa, o navio sueco que afundou em 1628, revela erros de engenharia, resgate em 1961 e preservação única no Museu Vasa

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Em 1628, o navio sueco Vasa partiu para sua primeira viagem com a missão de representar o poder militar e político da Suécia no Mar Báltico. Planejado como um grande navio de guerra, carregava dezenas de canhões e uma decoração rica em esculturas coloridas. A embarcação fazia parte da estratégia do rei Gustavo II Adolfo para fortalecer a frota sueca em um período de intensos conflitos na Europa.

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Naquela época, o Vasa seria usado principalmente em guerras navais, servindo como plataforma de artilharia flutuante e como símbolo de prestígio da monarquia. A bordo, soldados, marinheiros e oficiais conviveriam em espaços reduzidos, cercados por cordas, mastros, velas e armamentos pesados. A construção do navio envolveu artesãos, carpinteiros, escultores e pintores, reunindo diferentes habilidades em um projeto que pretendia impressionar aliados e adversários.

Navio Vasa: qual era o propósito e o contexto histórico?

O navio Vasa foi projetado para integrar uma frota moderna e bem armada, num momento em que a Suécia buscava ampliar seu domínio no Mar Báltico. O país participava da Guerra dos Trinta Anos, conflito que envolvia boa parte da Europa, e precisava de navios capazes de transportar grande quantidade de canhões, tropas e suprimentos. O Vasa seria uma peça importante nessa política de expansão.

Com cerca de 69 metros de comprimento e dois conveses principais de artilharia, a embarcação se destacava pelo número de canhões pesados instalados. A ideia era enfrentar navios inimigos à distância, disparando sucessivas salvas. Além da função militar, o Vasa servia como instrumento de propaganda: sua decoração detalhada, com figuras mitológicas, leões e personagens bíblicos, pretendia reforçar a imagem do rei como líder forte e legítimo.

Exposto no Museu Vasa, em Estocolmo, o navio permite observar de perto a engenharia naval, a arte e o poder militar da Suécia do século XVII – depositphotos.com / vvoennyy

Por que o navio Vasa afundou tão rapidamente?

Apesar do investimento e da ambição, o Vasa afundou poucos minutos após deixar o cais de Estocolmo, em 10 de agosto de 1628. Segundo estudos posteriores, o principal motivo foi o problema de estabilidade. O navio tinha peso excessivo na parte superior, sobretudo devido à quantidade de canhões e à estrutura alta, enquanto a parte inferior não oferecia lastro suficiente para equilibrar a embarcação.

Relatos históricos indicam que testes de estabilidade chegaram a ser realizados, com marinheiros correndo de um lado a outro do convés para verificar o balanço. Mesmo assim, o navio foi autorizado a zarpar. Quando o Vasa encontrou rajadas de vento e começou a navegar com as velas parcialmente abertas, inclinou-se demais para um lado. A água entrou pelas janelas abertas dos conveses de artilharia, provocando o afundamento em poucos instantes, ainda dentro do porto.

O erro de projeto é hoje apontado como resultado de decisões apressadas, mudanças de especificações durante a construção e falta de cálculos náuticos mais precisos. Não havia, naquele tempo, normas consolidadas de engenharia naval como as conhecidas atualmente, o que aumentava o risco de desequilíbrios desse tipo.

Como o Vasa foi encontrado e transformado em museu?

Depois de afundar, o Vasa permaneceu no fundo do porto de Estocolmo por mais de três séculos. Em 1956, o pesquisador e mergulhador Anders Franzén, interessado em navios antigos, iniciou buscas sistemáticas na região, apoiado por registros históricos. Em 1959, o casco do navio foi localizado, relativamente preservado pela água fria e com pouco oxigênio do Mar Báltico.

A operação de resgate ocorreu em 1961 e exigiu uma série de manobras técnicas, com cabos, pontões e estruturas de suporte. O Vasa foi içado em etapas, até emergir à superfície diante de uma grande audiência. A partir daí, começou um longo processo de conservação, que incluiu a aplicação de substâncias específicas para substituir lentamente a água presente na madeira e evitar que o casco se deformasse ou rachasse.

Diante da importância do achado, a Suécia decidiu criar um espaço dedicado exclusivamente ao navio. Um primeiro abrigo temporário foi construído para permitir visitas e estudos. Mais tarde, foi erguido o Museu Vasa, inaugurado oficialmente em 1990, já planejado ao redor da embarcação. O edifício foi desenhado de forma que o público pudesse observar o navio de vários níveis, aproximando-se dos conveses, do casco e das esculturas.

Ricamente decorado com esculturas simbólicas, o Vasa foi concebido como instrumento de guerra e propaganda política durante a expansão sueca no Mar Báltico – depositphotos.com / mehdi33300

Quais são as curiosidades sobre o Vasa e sua preservação?

Entre as curiosidades mais citadas, destaca-se o fato de o Vasa estar preservado em cerca de 98% de sua estrutura original de madeira, algo raro em arqueologia naval. A baixa salinidade e a temperatura da água em Estocolmo dificultaram a ação de organismos que costumam destruir madeira submersa, como o verme Teredo navalis. Isso permitiu que o casco, os mastros e muitos objetos de bordo fossem recuperados.

A decoração do navio chama atenção pela quantidade de esculturas, originalmente pintadas com cores vivas, como vermelho, azul e dourado. Estudos com tecnologia de análise de pigmentos mostraram como era a aparência original dessas figuras, que hoje são vistas em tons mais apagados devido ao tempo. Réplicas coloridas ajudam os visitantes a imaginar a visualidade que o navio apresentava ao zarpar em 1628.

No processo de preservação, um desafio constante é controlar a umidade e a temperatura do ambiente interno do museu, além de monitorar substâncias químicas que se formam na madeira ao longo dos anos. Equipes multidisciplinares, com conservadores, químicos, historiadores e engenheiros, acompanham de perto cada mudança na estrutura. O Vasa também oferece informações valiosas sobre a vida a bordo no século XVII, já que foram encontrados objetos de uso pessoal, roupas, ferramentas e armamentos.

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  • O Vasa era um dos navios de guerra mais armados de sua época na Suécia.
  • Afundou em menos de 20 minutos após o início da viagem inaugural.
  • Foi redescoberto em 1959, após séculos esquecido sob a água.
  • O Museu Vasa é hoje uma das principais atrações culturais de Estocolmo.
  • Pesquisas continuam em andamento para garantir a preservação de longo prazo.

Ao reunir engenharia naval, arqueologia, história militar e conservação de patrimônio, o navio Vasa tornou-se uma referência mundial em estudos de embarcações antigas. Sua trajetória, do projeto ambicioso ao naufrágio repentino, seguida pelo resgate e pela criação de um museu próprio, oferece um panorama amplo sobre a sociedade sueca do século XVII e sobre os desafios de preservar um artefato único até os dias atuais.

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