Quando faz sentido criar uma holding?
Descubra quando faz sentido criar uma holding, seus benefícios fiscais, sucessórios e societários, evitando riscos e custos desnecessários
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Em muitos casos, a criação de uma holding surge como uma estratégia para organizar patrimônios, empresas e heranças de forma mais estruturada. Esse tipo de sociedade costuma ser adotado por famílias empresárias, profissionais liberais com alto patrimônio e grupos que desejam separar de maneira clara a gestão dos bens pessoais e das atividades operacionais. A decisão, no entanto, depende de objetivos concretos e de uma análise cuidadosa de custos, riscos e benefícios.
Em 2025, com mudanças constantes na legislação tributária e nas formas de organização societária, esse modelo vem sendo usado tanto para planejamento sucessório quanto para proteção patrimonial. Ainda assim, nem toda situação justifica essa estrutura, o que torna essencial entender em quais cenários ela realmente faz sentido.
O que é uma holding e qual sua função principal?
Uma holding não atua necessariamente na operação direta de negócios; sua função central é concentrar participações societárias ou patrimônios em um único CNPJ. Assim, os sócios passam a ser donos de quotas ou ações da holding, e a holding é que detém as participações nas empresas operacionais, imóveis, aplicações financeiras ou outros ativos relevantes. Esse arranjo costuma facilitar a administração do conjunto dos bens.
Existem diferentes tipos de holding, cada uma com finalidades específicas. Entre as principais, destacam-se:
- Holding patrimonial: focada em reunir imóveis e investimentos em uma única empresa.
- Holding familiar: voltada para organizar o patrimônio da família e antecipar a sucessão.
- Holding pura: detém apenas participações em outras empresas, sem atividade operacional própria.
- Holding mista: além de controlar participações, também exerce alguma atividade econômica.
Essa variedade permite ajustar a estrutura às finalidades de cada grupo, evitando modelos padronizados que nem sempre atendem às necessidades reais.
Quando faz sentido criar uma holding?
A criação de uma holding costuma fazer sentido quando há objetivos claros de organização patrimonial e societária. Em geral, ela é considerada em contextos como famílias com vários imóveis, donos de empresas com risco operacional relevante ou grupos que antecipam conflitos de sucessão. Nessas situações, centralizar bens e participações em uma única empresa tende a simplificar a gestão e o controle.
Entre os cenários em que a holding frequentemente é avaliada, destacam-se:
- Planejamento sucessório: quando há interesse em definir com antecedência a divisão de quotas entre herdeiros.
- Proteção patrimonial: para separar bens de uso familiar das empresas que assumem riscos de mercado.
- Organização de vários negócios: quando uma mesma família ou grupo controla múltiplas empresas.
- Governança e regras de convivência: para registrar em acordo de sócios regras de entrada, saída e voto de herdeiros.
- Visão consolidada do patrimônio: para facilitar controle, relatórios e decisões estratégicas.
Nesses contextos, a holding familiar ou holding patrimonial aparece como ferramenta para trazer previsibilidade, ainda que não funcione como garantia absoluta contra conflitos ou problemas futuros.
Quais vantagens a holding pode trazer na prática?
A palavra-chave holding costuma ser associada a benefícios fiscais, mas a experiência prática mostra que seu valor principal está na organização e governança. Em muitos casos, a estrutura permite que decisões sobre imóveis, empresas e investimentos sejam tomadas em um único fórum societário, com regras claras de voto e administração. Isso evita que cada bem seja disputado de forma isolada entre herdeiros ou sócios.
Entre as vantagens frequentemente observadas em uma holding bem planejada, podem ser citadas:
- Facilidade de transferência de quotas em vez de dividir cada bem individualmente.
- Possibilidade de definir cláusulas como incomunicabilidade ou inalienabilidade nas quotas, conforme a lei permitir.
- Melhor visibilidade dos resultados globais do patrimônio, reunindo receitas e despesas em um só local.
- Redução de discussões informais entre familiares, deslocando o debate para assembleias e reuniões formais.
- Potencial, em alguns casos, de eficiência tributária, dependendo do tipo de renda e da legislação vigente.
Esses aspectos costumam ser mais relevantes a longo prazo, sobretudo em contextos envolvendo várias gerações e diferentes perfis de herdeiros.
Quais cuidados tomar antes de abrir uma holding?
A criação de uma holding envolve custos de abertura, manutenção contábil e possíveis impactos tributários. Por isso, é importante avaliar se o tamanho do patrimônio e a complexidade da família ou do grupo justificam essa estrutura. Em patrimônios reduzidos ou com poucos herdeiros, a formalização de testamento e acordos simples pode atender às necessidades sem criar uma nova empresa.
Antes de constituir uma holding, alguns cuidados são recomendados:
- Analisar a carga tributária atual e simular cenários com e sem holding.
- Verificar custos fixos anuais de contabilidade, taxas e obrigações acessórias.
- Definir com clareza o objetivo principal da estrutura: sucessão, proteção, organização ou combinação desses fatores.
- Formalizar acordos de sócios ou de quotistas, prevendo saída de herdeiros, compra e venda de quotas e critérios de gestão.
- Considerar o perfil da família: grau de diálogo, expectativa de participação nos negócios e maturidade para lidar com regras formais.
Dessa forma, a decisão sobre criar ou não uma holding deixa de ser puramente teórica e passa a ser baseada na realidade concreta do grupo, respeitando tanto os limites legais quanto a dinâmica familiar e empresarial.
A holding é sempre a melhor opção?
Nem toda situação exige a criação de uma holding. Em alguns casos, o uso de instrumentos como testamento, doações em vida, acordos de sócios ou seguros pode atender às mesmas demandas com menor complexidade. A adoção da holding familiar ou patrimonial tende a ser mais adequada quando o volume de bens, a quantidade de herdeiros e a existência de empresas ativas tornam a gestão individualizada pouco prática.
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Assim, a holding pode ser vista como uma ferramenta entre várias disponíveis para organizar patrimônio e sucessão. Quando a decisão é tomada com base em estudo técnico, diálogo entre os envolvidos e análise de longo prazo, a estrutura tem maior chance de cumprir o papel para o qual foi criada, acompanhando a evolução da família e dos negócios ao longo dos anos.