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Por que na escrita da China o Brasil significa o mesmo que “agarrar o Oeste”?

Na escrita chinesa, o nome do Brasil aparece como (Bx). À primeira vista, alguns leitores associam esses caracteres à ideia de agarrar o oeste. Essa leitura, porém, não descreve o país. Ela surge de uma interpretação isolada dos sinais gráficos. Na prática, o sistema chinês prioriza o som do nome estrangeiro. Por isso, a […]

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Na escrita chinesa, o nome do Brasil aparece como (Bx). À primeira vista, alguns leitores associam esses caracteres à ideia de agarrar o oeste. Essa leitura, porém, não descreve o país. Ela surge de uma interpretação isolada dos sinais gráficos. Na prática, o sistema chinês prioriza o som do nome estrangeiro. Por isso, a palavra Brasil ganhou uma forma que se aproxima da pronúncia, e não do significado literal.

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No mandarim moderno, a escrita de países segue um padrão relativamente estável. Primeiro, tradutores escolhem caracteres que reproduzem a sonoridade de forma aproximada. Depois, avaliam quais sinais carregam sentidos neutros ou positivos. Assim, o conjunto final mantém um equilíbrio entre pronúncia aceitável e imagem cultural adequada. Com o Brasil, o caminho foi o mesmo. O resultado, Bx, ficou simples, curto e fácil de memorizar.

China – depositphotos.com / HayDmitriy

O que significa (Bx) na escrita chinesa?

O caractere (b) costuma ter valor mais fonético nesse contexto. Em dicionários, ele aparece com sentidos como barranco ou como parte de palavras que indicam prender,agarrar em expressões compostas. Já o sinal (x) indica oeste. Quando aparecem juntos, porém, não formam um conceito unificado. Funcionam, antes de tudo, como uma tradução sonora da palavra Brasil, adaptada à estrutura fonética do mandarim.

Os falantes de chinês não leem como uma frase. Eles tratam a combinação como nome próprio. Portanto, a associação agarrar oeste nasce de análises feitas fora do uso comum. Em sala de aula ou em materiais de estudo, professores destacam esse ponto. Eles explicam que, em nomes estrangeiros, o significado individual dos caracteres não se aplica de forma direta.

Como funciona a transliteração de nomes de países em mandarim?

No mandarim padrão, a escrita de países segue, em geral, três etapas. Primeiro, há a busca por sons próximos. Depois, ocorre a seleção de sinais com conotações adequadas. Por fim, órgãos oficiais e o uso diário consolidam uma forma estável. Isso vale para o Brasil e para muitas outras nações.

Esse processo aparece com clareza no caso do Canadá e dos Estados Unidos. Um olhar atento revela padrões recorrentes. A seguir, alguns exemplos ilustram essa lógica.

  • Canadá (Jinádà): cada caractere aproxima um pedaço da pronúncia.
  • Estados Unidos / América (Miguó): combina som adaptado e sentido positivo.
  • Brasil (Bx): solução curta e sonora, com sinais neutros.

Além disso, a transliteração precisa respeitar limites fonéticos do mandarim. Certos encontros consonantais de línguas ocidentais não aparecem no chinês. Por isso, Bra-sil se simplifica para duas sílabas. A forma Bx resolve esse desafio. Ela preserva parte do ritmo original. Ao mesmo tempo, encaixa o nome dentro da estrutura do idioma.

Por que Canadá e América viram Canadá () e América ()?

O caso do Canadá ilustra bem o uso quase exclusivo da fonética. A forma (Jinádà) junta três sinais. Cada um reproduz um trecho da palavra original. Os significados literais (adicionar, receber, grande) não descrevem o país. Eles apenas funcionam como suporte sonoro razoável. Ainda assim, mantêm sentidos neutros, sem associações negativas.

Já os Estados Unidos mostram outro caminho. A escrita (Miguó) une som adaptado e carga simbólica forte. O sinal (mi) significa belo. O caractere (guó) quer dizer país ou nação. A expressão inteira pode ser entendida como país belo. Essa combinação reforça o hábito chinês de evitar termos pejorativos em nomes estrangeiros. Nesse caso, a sonoridade se aproxima de América por meio do som mi, enquanto o significado cria um rótulo favorável.

Essa escolha não ocorre por acaso. Em geral, tradutores e autoridades linguísticas preferem três critérios:

  1. Manter uma aproximação sonora aceitável.
  2. Selecionar caracteres com significados neutros ou positivos.
  3. Evitar sinais associados a desgraça, morte ou má sorte.

Esse padrão de escolha ajuda a moldar percepções. Mesmo que falantes não pensem no sentido literal diariamente, a repetição de nomes com traços favoráveis cria associações culturais sutis. O nome do país passa a integrar o vocabulário cotidiano sem gerar estranhamento.

China Brasil – depositphotos.com / Ruletkka

Essas escolhas influenciam a imagem cultural dos países?

A combinação de som e significado, ainda que nem sempre consciente, interfere na forma como os países aparecem no imaginário chinês. Quando um nome como inclui o caractere belo, o termo circula com uma coloração simbólica específica. No caso do Brasil, não traz elogios diretos. No entanto, também não sugere elementos negativos. Por isso, o país entra no mapa mental chinês com um rótulo simples, fácil de pronunciar e sem peso pejorativo.

Essa prática se repete em marcas, cidades e personalidades. Celebridades estrangeiras ganham versões em mandarim que equilibram som e sentido. Muitas vezes, agências de publicidade testam diferentes opções. Elas analisam se alguma combinação lembra palavras inadequadas ou gírias desfavoráveis. Em um mercado com mais de um bilhão de falantes, detalhes de sonoridade e escrita podem afetar campanhas, livros escolares e até relações diplomáticas.

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Dessa forma, o nome ilustra um aspecto maior da língua chinesa. A escrita não funciona apenas como código gráfico. Ela também produz camadas simbólicas. Mesmo quando o significado literal não se aplica, como no caso de Agarraro oeste, o uso consolidado transforma a palavra em ponte entre culturas. O Brasil, assim, aparece na China por meio de dois sinais curtos, sonoros e culturalmente integrados ao mandarim contemporâneo.

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