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Do presente ao protesto: U2 retorna com seis faixas de reflexão e ativismo

Lançado em 12 de fevereiro de 2026, o EP Days of Ash marca um novo capítulo na trajetória do U2.

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Lançado em 12 de fevereiro de 2026, o EP Days of Ash marca um novo capítulo na trajetória do U2. A banda irlandesa, mais uma vez, mantém a tradição de misturar rock, espiritualidade e comentário social. O trabalho traz seis faixas inéditas em estúdio e chega em um momento de forte polarização mundial. Nesse contexto, discussões sobre democracia, desigualdade e conflitos voltam ao centro do debate público. Com letras focadas em crise climática, guerras recentes e retrocessos políticos, o grupo retoma de forma direta o espírito de protesto que o acompanha desde o início da carreira, ao mesmo tempo que atualiza seu discurso para a era das redes sociais e da hiperconectividade.

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O público e a crítica receberam o lançamento como um movimento de retorno a uma sonoridade mais enxuta. Assim, as guitarras ganham destaque e os arranjos soam menos grandiosos do que em trabalhos anteriores. Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. exploram temas como luto coletivo, desinformação e perda de confiança nas instituições. Além disso, usam imagens de cinzas, ruínas e reconstrução para falar de um mundo em transição. Dessa forma, o EP reforça a imagem do U2 como um conjunto atento ao noticiário e disposto a dialogar com o contexto político global. Ao mesmo tempo, a banda não abandona os elementos melódicos que a tornaram conhecida e, inclusive, insere sutis referências a fases anteriores de sua carreira, criando pontes afetivas com fãs de longa data.

Days of Ash: como o novo EP do U2 dialoga com o presente?

Days of Ash funciona como um pequeno ciclo de canções sobre tempos de incerteza. Logo desde a faixa de abertura, o grupo menciona cidades devastadas por bombardeios recentes e crises humanitárias. Já no encerramento, mais contemplativo, o EP alterna momentos de indignação e introspecção. A palavra-chave Days of Ash aparece em diferentes versos como metáfora para um período de destruição. No entanto, a banda também sugere possibilidade de renascimento e transformação, estabelecendo um contraste constante entre desespero e esperança. Desse modo, o disco convida o ouvinte não apenas a observar o cenário atual, mas também a refletir sobre seu próprio papel em processos de mudança social.

Musicalmente, o trabalho retoma uma pegada mais crua e direta. O som se aproxima da fase do U2 entre o final dos anos 1980 e início dos 1990, porém com produção atualizada. Guitarras com delay característico de The Edge, linhas de baixo mais presentes e uma bateria seca criam a base das faixas. Sobre essa base, as letras citam fake news, crises humanitárias e movimentos de resistência civil. Além disso, algumas faixas utilizam coros e trechos quase falados, o que reforça o caráter de manifesto e discurso público. Outras, por sua vez, soam mais intimistas, com arranjos próximos ao folk e ao rock alternativo. Em certas passagens, o grupo ainda incorpora texturas eletrônicas discretas para dialogar com o som contemporâneo e, assim, aproximar-se de ouvintes mais jovens acostumados a playlists e algoritmos.

U2_depositphotos.com / s_bukley

Como começou a história do U2 e sua relação com o protesto?

A trajetória do U2 começou em Dublin, em 1976, quando um grupo de adolescentes decidiu formar uma banda sem grandes pretensões profissionais. Paul Hewson (Bono), David Evans (The Edge), Adam Clayton e Larry Mullen Jr. iniciaram ensaios em escolas e pequenos espaços. Naquele momento, eles se inspiravam no punk e no pós-punk britânico, que valorizavam atitude direta e letras engajadas. Desde os primeiros discos, o conjunto demonstrou interesse por temas como fé, conflito armado e desigualdade, delineando desde cedo uma vocação para o comentário social.

O grupo alcançou reconhecimento internacional no começo dos anos 1980, com álbuns como War (1983). Esse trabalho trazia canções inspiradas em conflitos na Irlanda do Norte e na Guerra Fria. A partir daí, o U2 consolidou uma identidade de banda que usa o rock como plataforma de questionamento político. Além disso, performances em grandes eventos, como o Live Aid, ampliaram essa imagem e aproximaram o grupo de campanhas humanitárias. Mais tarde, essas ações resultaram em parcerias com organizações ligadas ao combate à fome, dívidas externas e epidemias na África. Progressivamente, o nome U2 passou a ser associado não apenas a grandes canções, mas também a grandes causas.

Ao longo das décadas, o grupo também realizou reinvenções sonoras importantes. Na era de The Joshua Tree e Achtung Baby, o U2 combinou rock, eletrônica e influências industriais. Dessa forma, a banda dialogou com temas como globalização, consumismo e guerra midiática. Essa capacidade de se adaptar ao cenário musical, sem abandonar o foco em questões sociais, ajudou o U2 a manter relevância em diferentes gerações de ouvintes. Assim, o grupo construiu um repertório que conecta passado, presente e futuro. Consequentemente, lançamentos recentes como Days of Ash não surgem isolados, mas inseridos em uma longa linha de experimentações estéticas e posicionamentos políticos.

Por que o U2 se tornou um símbolo de sucesso global e engajamento?

O sucesso do U2 resulta da combinação de três elementos principais. Em primeiro lugar, a banda construiu uma identidade musical reconhecível. No segundo lugar, desenvolveu mensagens politizadas e consistentes. Já em terceiro lugar, consolidou forte presença em turnês mundiais. A assinatura sonora do grupo reúne a guitarra de The Edge com efeitos de eco, o baixo de Adam com base sólida e a bateria de Larry com batidas marcantes. Esse conjunto cria um padrão fácil de identificar mesmo em contextos radiofônicos diversos. A voz de Bono, com registro expressivo e letras centradas em narrativas de conflito e superação, completa essa fórmula.

Além dos discos, o U2 construiu reputação por grandes espetáculos ao vivo, com palcos tecnológicos e forte uso de projeções visuais. Essas apresentações frequentemente incluem mensagens sobre direitos humanos, paz e justiça social. Assim, a banda reforça o vínculo entre entretenimento e militância. Turnês extensas permitem que o grupo se conecte com públicos em vários continentes, o que ajuda a consolidar seu status como um dos grupos de rock mais populares desde os anos 1980. Em muitos países, as apresentações também estimulam campanhas locais de solidariedade.

Outro fator importante aparece na atuação de seus integrantes em campanhas públicas. Bono, em especial, mantém diálogo constante com líderes políticos, instituições multilaterais e organizações da sociedade civil. Embora esse tipo de exposição gere debates e críticas, a estratégia contribui para associar o nome do U2 a causas como o perdão de dívidas de países pobres, o acesso a medicamentos e a defesa de liberdades civis. Em vários momentos, o vocalista participa de fóruns internacionais e reuniões oficiais. Esse histórico fornece o pano de fundo para entender por que um lançamento como Days of Ash desperta interesse não apenas musical, mas também político.

Quais temas de Days of Ash se conectam à trajetória do U2?

O EP recém-lançado resgata vários tópicos recorrentes na obra do grupo. Entre os eixos que aparecem nas seis faixas, destacam-se:

  • Críticas à violência e à guerra: letras que mencionam cidades destruídas, refugiados, traumas de conflitos e impactos geracionais.
  • Questionamento de lideranças políticas: referências a populismo, discursos de ódio, manipulação de dados e ataques à imprensa livre.
  • Dimensão espiritual: imagens de fé, culpa e redenção, comuns em diferentes fases da banda, surgem ao lado de dúvidas existenciais.
  • Esperança cautelosa: menções a reconstrução, cooperação e solidariedade após períodos de crise, com foco em ações coletivas.

Esses temas mostram como Days of Ash funciona como síntese da relação entre música e protesto que acompanha o U2 há quase cinco décadas. Ao revisitar esse fio condutor, o EP posiciona o grupo novamente como observador atento da realidade internacional. Além disso, demonstra a tentativa de dialogar com um público que hoje consome música em plataformas digitais e redes sociais. Esse público muitas vezes busca narrativas que façam sentido em meio a um cenário global fragmentado e marcado por incertezas.

Como Days of Ash pode ser entendido dentro da discografia do U2?

Na discografia da banda, o novo EP se encaixa como um trabalho de transição entre a fase mais introspectiva dos últimos álbuns de estúdio e um retorno ao viés mais abertamente político. Em vez de apostar em um álbum longo, o grupo escolhe o formato enxuto, comum em 2026, para testar sonoridades e temas em um pacote compacto. Essa decisão também facilita o lançamento frequente de novos materiais. Esse movimento permite que as faixas sejam absorvidas rapidamente por quem acompanha notícias e playlists atualizadas diariamente.

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Ao retomar imagens de protesto e de paisagens em ruínas, Days of Ash reforça a ideia de que o U2 continua interessado em comentar o momento histórico. A banda não se limita a revisitar sucessos antigos e busca criar novos diálogos com a atualidade. Para parte do público, esse tipo de lançamento serve como ponte entre clássicos dos anos 1980 e 1990 e uma nova leva de canções sobre o mundo atual. Dessa forma, o grupo mantém vivo o debate sobre o papel do rock e do ativismo em tempos de transformação acelerada. Para ouvintes mais jovens, o EP ainda funciona como porta de entrada para a obra anterior do U2.

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