Por que é tão comum um gato ter infecção urinária?
A infecção urinária em gatos aparece com relativa frequência nas clínicas veterinárias, especialmente em animais que vivem em ambientes internos.
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A infecção urinária em gatos aparece com relativa frequência nas clínicas veterinárias, especialmente em animais que vivem em ambientes internos. Muitos tutores percebem alterações de comportamento no uso da caixa de areia e, então, descobrem que o animal sente dor ao urinar. Esse tipo de alteração no trato urinário atinge gatos de diferentes idades. No entanto, os profissionais precisam de maior atenção com machos castrados e gatos com sobrepeso ou vida muito sedentária.
Quando o gato apresenta dificuldade para urinar, sangramento na urina ou passa a usar locais inadequados da casa, o tutor costuma suspeitar de um distúrbio urinário. As causas variam bastante e envolvem fatores físicos, como formação de cristais e cálculos. Além disso, o tutor deve considerar aspectos comportamentais, como estresse e mudanças na rotina. Por isso, os profissionais de saúde animal orientam o tutor a observar de perto qualquer mudança no hábito de micção.
Por que a infecção urinária em gatos é tão comum?
A chamada infecção urinária em gatos, muitas vezes incluída no termo doença do trato urinário inferior felino (DTUIF), ocorre com frequência porque a anatomia e o comportamento da espécie favorecem certos desequilíbrios. Em felinos, o consumo de água costuma ser menor, sobretudo quando a alimentação se baseia em ração seca. Dessa forma, a urina fica mais concentrada, o que facilita a formação de cristais e irritações na bexiga. Esse cenário cria um ambiente ideal para proliferação de bactérias.
Além disso, gatos lidam com o estresse de maneira muito particular. Mudanças na casa, chegada de novos animais, alteração na rotina de alimentação ou até uma caixa de areia mal posicionada podem desencadear respostas no organismo, inclusive no sistema urinário. Assim, esse conjunto de fatores explica por que tantos felinos desenvolvem quadros de cistite, obstrução uretral e outras alterações relacionadas ao trato urinário. Em alguns animais, ainda surgem episódios recorrentes, o que reforça a importância de um controle ambiental e nutricional contínuo.
Principais causas e fatores de risco da infecção urinária felina
Os problemas urinários felinos não se limitam à presença de bactérias. Em muitos casos, o veterinário identifica um quadro inflamatório da bexiga sem agente infeccioso, conhecido como cistite idiopática felina. Mesmo assim, a expressão “infecção urinária em gato” ainda aparece de forma ampla no vocabulário dos tutores para descrever qualquer alteração urinária.
Entre os principais fatores associados, aparecem:
- Baixa ingestão de água: concentra a urina e favorece a formação de cristais.
- Alimentação inadequada: dietas não balanceadas alteram o pH urinário com facilidade.
- Sedentarismo e obesidade: reduzem a movimentação e impactam o metabolismo do animal.
- Estresse crônico: mudanças de ambiente, conflitos entre gatos e barulhos constantes.
- Predisposição anatômica: machos têm uretra mais estreita, o que facilita obstruções.
- Doenças associadas: diabetes, doença renal crônica e outros problemas sistêmicos.
Esses elementos, isolados ou combinados, aumentam a chance de aparecerem sintomas como micções frequentes, esforço para urinar, presença de sangue na urina e uso inadequado de locais da casa. Desse modo, a avaliação clínica se torna essencial para diferenciar entre infecção bacteriana, inflamação estéril, formação de cálculos ou tampões uretrais. Em alguns pacientes, o veterinário também avalia o histórico de recorrência, pois isso orienta ajustes de dieta e manejo ambiental.
Quais são os sinais de infecção urinária em gatos?
Os sinais clínicos costumam surgir de forma relativamente rápida e, no início, podem parecer discretos. Por isso, identificar precocemente esses indícios ajuda a reduzir complicações, como a obstrução urinária, que representa uma emergência. Em casos de infecção urinária felina ou outras doenças do trato urinário, o tutor observa com frequência:
- Idas repetidas à caixa de areia, com produção de pouca urina.
- Esforço visível ou vocalização intensa na hora de urinar.
- Urina com sangue ou coloração mais escura que o normal.
- Gato lambendo excessivamente a região genital após urinar.
- Micção fora da caixa, em tapetes, sofás, pisos ou camas.
- Redução do apetite e apatia em casos mais avançados ou dolorosos.
Em machos, quando ocorre obstrução completa da uretra, o animal para de urinar, demonstra dor abdominal intensa e apresenta sinais gerais como vômitos e prostração. Nessa situação, o tutor deve buscar atendimento veterinário de urgência, pois a retenção de urina coloca a vida do animal em risco. Além disso, o atraso no atendimento agrava o quadro renal e complica a recuperação.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento da infecção urinária felina?
O diagnóstico da infecção urinária em gatos depende da combinação entre exame clínico, histórico do animal e avaliação laboratorial. Entre os exames mais utilizados, o veterinário costuma solicitar análise de urina, cultura bacteriana, exames de sangue e, quando necessário, exames de imagem, como ultrassonografia ou radiografias da região abdominal.
O tratamento varia conforme a causa identificada. Em linhas gerais, o veterinário pode indicar:
- Antibióticos: nos casos de confirmação de infecção bacteriana pela cultura de urina.
- Analgesia e anti-inflamatórios: para reduzir dor e inflamação da bexiga de forma segura.
- Dieta específica: rações terapêuticas que ajudam a dissolver cristais e ajustar o pH da urina.
- Hidratação adequada: incentivo ao consumo de água e, em alguns casos, fluidoterapia endovenosa.
- Procedimentos de desobstrução: em machos com bloqueio uretral, com cateterização sob supervisão veterinária.
O acompanhamento profissional se torna necessário para ajustar o tempo de uso de medicamentos, monitorar a resposta ao tratamento e evitar recidivas. Dessa forma, o tutor reduz o risco de complicações graves. A automedicação ou o uso de remédios destinados a humanos provoca sérios problemas no organismo felino e, por isso, o tutor nunca deve utilizar medicamentos sem orientação.
Como prevenir a infecção urinária em gatos no dia a dia?
A prevenção da infecção urinária felina envolve um conjunto de cuidados simples que o tutor pode incorporar à rotina do animal. Um dos pontos centrais consiste em incentivar o consumo de água. Muitos tutores utilizam fontes com água corrente, que se mostram mais atrativas para gatos, ou distribuem vários recipientes pela casa. Além disso, a inclusão de alimento úmido, sob orientação profissional, contribui para aumentar a hidratação diária.
Outras medidas consideradas úteis incluem:
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- Manter a caixa de areia sempre limpa, em local tranquilo e de fácil acesso.
- Oferecer enriquecimento ambiental, com arranhadores, brinquedos e prateleiras para reduzir o estresse.
- Evitar mudanças bruscas na rotina, introduzindo novidades de forma gradual e planejada.
- Acompanhar o peso do gato, prevenindo obesidade com alimentação equilibrada e estímulo à atividade física.
- Realizar check-ups periódicos com o médico-veterinário, especialmente em gatos adultos e idosos.
Ao observar de perto o comportamento do gato e manter uma rotina de cuidados, o tutor reduz a frequência de episódios de infecção urinária e outras doenças do trato urinário. Além disso, a atenção aos pequenos sinais diários torna mais fácil oferecer atendimento adequado no momento certo e manter a qualidade de vida do animal ao longo dos anos.